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	<title>Blog do Jornalista João Mellão Neto</title>
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		<title>O que representa o Obelisco</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Jan 2012 10:02:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Mellão Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[recados]]></category>

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		<description><![CDATA[Trata-se de uma homenagem tardia a São Paulo, mas, no meu entender, ela deve ser feita. Um povo não é um povo se não guarda na memória os seus valores, a sua história e os seus heróis. Heróis, sim, porque em todos os lugares existem heróis. Pouco importa se sua glória nasceu de um único [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.blogdomellao.com.br/wp-content/uploads/2012/01/obelisco2001out261.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1245" title="obelisco2001out26" src="http://www.blogdomellao.com.br/wp-content/uploads/2012/01/obelisco2001out261-202x300.jpg" alt="" width="202" height="300" /></a>Trata-se de uma homenagem tardia a São Paulo, mas, no meu entender, ela deve ser feita. Um povo não é um povo se não guarda na memória os seus valores, a sua história e os seus heróis. Heróis, sim, porque em todos os lugares existem heróis. Pouco importa se sua glória nasceu de um único momento de bravura ou de toda uma vida de trabalho honesto e extenuante. A biografia de um herói não mais pertence a ele ou aos seus familiares. Ele se transformou num símbolo e, assim, depositário de todas as virtudes cívicas que cada um dos cidadãos se esforça por ter. Um povo que ignora a sua história não é um povo, é uma massa amoldável aos interesses de seus governantes.</p>
<p>Neste último 25 de janeiro &#8211; dia do aniversário desta capital e também do Estado -, de tudo o que li e ouvi, muito pouco se disse sobre a Revolução de 32. Ainda é tempo para reparar.</p>
<p>O tráfego é intenso nas imediações do Parque do Ibirapuera, de modo a que ninguém preste atenção ao Obelisco que lá existe. O Monumento às Bandeiras &#8211; ao qual Vitor Brecheret dedicou mais de 30 anos &#8211; encontra-se logo adiante e tem destaque muito maior.</p>
<p>Mesmo dos que observam de mais perto o Obelisco, poucos sabem o que ele representa. Ora, obeliscos existem em todas as grandes cidades do mundo, dirão alguns. Outros sabem que o monumento é uma homenagem à Revolução Constitucionalista de 1932, mas mesmo assim não lhe dão maior valor: &#8220;Afinal, essa foi uma guerra que São Paulo perdeu, não é verdade?&#8221;.</p>
<p>As crianças em outros Estados são ensinadas sobre o episódio como a &#8220;Guerra Paulista&#8221;, na qual as elites paulistas teriam instigado a população a um confronto suicida com as tropas federais. Segundo essa versão, as oligarquias de São Paulo e Minas Gerais &#8211; que tinham em suas mãos o domínio do governo federal &#8211; estavam inconformadas por tê-lo perdido para um gaúcho, Getúlio Vargas, &#8220;o qual governava pensando no País inteiro&#8221;.</p>
<p>&#8220;O que São Paulo pretendia era separar o Estado do restante do Brasil&#8221;, dizem outros. Eu, como paulista, tenho outra visão.</p>
<p>A Revolução Constitucionalista representou, de forma inquestionável, o momento mais heroico de toda a História do povo de São Paulo. Ela merecia aquele Obelisco e muito mais.</p>
<p>Mas São Paulo perdeu a guerra, alegarão alguns. Pouco importa. O fenômeno a ser ressaltado aqui é o de que nunca um movimento político obteve tanto engajamento, apoio e ardor de toda a população quanto a Revolução Constitucionalista paulista. Tanto os partidos e facções da política local como também os agricultores, os industriais e os comerciantes do Estado se uniram pela causa comum. Na campanha &#8220;doe ouro para o bem de São Paulo&#8221;, nem mesmo a população mais humilde deixou de contribuir. Desde grandes colares até alianças de casamento, cada cidadão contribuiu de acordo com as suas posses.</p>
<p>De todos os cantos do Estado, centenas de milhares de paulistas se apresentaram para o alistamento. Ninguém tinha experiência anterior de combate. Depois de feita a seleção, restaram 40 mil homens aptos para os campos de batalha.</p>
<p>Nosso exército não era composto por soldados profissionais, mas por voluntários. De militar, realmente, só havia o apoio da Força Pública &#8211; que, muitos anos depois, viria a se transformar na Polícia Militar do Estado de São Paulo. A corporação tem todos os motivos para se vangloriar de seu passado: ela foi criada nos tempos em que o padre Feijó era regente, durante a menoridade de dom Pedro II.</p>
<p>As tropas federais contavam com um número muito maior de soldados, mais preparados para um teatro de operações de guerra. Acabamos por ser militarmente derrotados. O sangue de pelo menos 800 paulistas foi derramado nos campos de batalha. Milhares foram presos e deportados.</p>
<p>Pergunta-se aos de fora: nós nos arrependemos disso? A resposta é um resoluto não!</p>
<p>Getúlio Vargas atendeu a praticamente todas as nossas reivindicações. E isso não aconteceu por acaso, nem por uma suposta benevolência dos vencedores. São Paulo já era, então, o principal polo de criação de riquezas no Brasil. Grande parte do café e da incipiente indústria brasileira provinha daqui.</p>
<p>Mas se cuidou de enfraquecer o nosso poder político. A nossa cota de deputados federais é pouco maior que metade da que deveríamos ter se o critério fosse realmente o de proporcionalidade da população nacional. E dos impostos federais que são recolhido aqui, não mais que um décimo retorna em nosso benefício.</p>
<p>Quem melhor definiu o problema foi o general Golbery do Couto e Silva, ideólogo do movimento de 1964: &#8220;Quem tem o poder econômico não pode também pretender ter o poder político&#8221;. Ou seja, São Paulo está até hoje pagando &#8220;indenizações de guerra&#8221; aos vencedores&#8230;</p>
<p>Mas não nos arrependemos de nada. Continuamos a acreditar nas mesmas causas e persistiremos em ostentar as mesmas bandeiras. Defendemos o que tinha de ser defendido e é só.</p>
<p>Hoje, oito décadas passadas, são poucas as pessoas com idade bastante para terem presenciado o fervor revolucionário daquela época, o suficiente para terem vivido e vibrado com a causa paulista. A verdade, todavia, é que nunca antes &#8211; e nunca mais depois de 1932 &#8211; os paulistanos e os paulistas vibraram de forma tão unida pelos mesmos ideais. Perdemos a batalha, mas, ao mesmo tempo, vencemos uma guerra: o Obelisco do Ibirapuera, como um sentinela, em pé, significa que nunca mais ninguém se atreverá a confrontar São Paulo.</p>
<p>Em homenagem aos nossos heróis de 32, estão gravados nas paredes da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco estes versos de Tobias Barreto, que resumem em poucas palavras o espírito e a disposição dos paulistas: &#8220;Quando se sente bater / No peito, uma heroica pancada/ Deixa-se a folha dobrada/ Enquanto se vai morrer&#8221;.<a href="http://www.blogdomellao.com.br/wp-content/uploads/2012/01/obelisco2001out26.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1243" title="obelisco2001out26" src="http://www.blogdomellao.com.br/wp-content/uploads/2012/01/obelisco2001out26-202x300.jpg" alt="" width="202" height="300" /></a></p>
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		<title>Serial killer</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Jan 2012 09:31:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Mellão Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[recados]]></category>

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		<description><![CDATA[Absurdo não o existe. O que nós entendemos por absurdo, em geral, obedece a uma ordem de coisas que não conhecemos.
O governo de Dilma Rousseff &#8211; na verdade, trata-se uma tetrarquia de saias &#8211; é um bom exemplo disso. Passado somente um ano de cumprimento do mandato e ela já se deu ao trabalho de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.blogdomellao.com.br/wp-content/uploads/2012/01/dilma-presidente.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1240" title="dilma presidente" src="http://www.blogdomellao.com.br/wp-content/uploads/2012/01/dilma-presidente-225x300.jpg" alt="" width="225" height="300" /></a>Absurdo não o existe. O que nós entendemos por absurdo, em geral, obedece a uma ordem de coisas que não conhecemos.</p>
<p>O governo de Dilma Rousseff &#8211; na verdade, trata-se uma tetrarquia de saias &#8211; é um bom exemplo disso. Passado somente um ano de cumprimento do mandato e ela já se deu ao trabalho de trocar nada menos do que sete ministros, tendo seis saído sob fortes suspeitas de corrupção ou desvio de recursos públicos.</p>
<p>O único que escapou do opróbrio público foi Nelson Jobim, ex-ministro da Defesa, que declarou amores pelo PSDB e disse ter votado no candidato da oposição à Presidência da República. Forçou a sua própria queda por mero delito de opinião. Antes assim. Tendo sido substituído pelo chavista Celso Amorim, é praticamente certo que ainda deixará saudades. Os outros ministros não tiveram a mesma sorte.</p>
<p>Foge à normalidade o fato de cair um ministro a cada mês e meio. Até por que os funcionários públicos também são humanos &#8211; têm carne, osso e, principalmente, nervos &#8211; e não funcionam de forma eficiente sob a pressão constante da troca de seus chefes. E cada novo que chega acha que vai &#8220;arrebentar a boca do balão&#8221; estabelecendo prioridades e métodos de trabalho diferentes. Já é um hábito, em Brasília, dizer: &#8220;Meu chefe é ótimo! Melhor que ele só mesmo o próximo&#8221;.</p>
<p>Não só por mera coincidência, os &#8220;autos de fé&#8221; do Planalto obedecem todos ao mesmo ritual.</p>
<p>Primeiro, sai uma denúncia em algum dos principais veículos da imprensa nacional. Os demais se pautam no primeiro e repercutem a informação com bastante alarido.</p>
<p>Assim, o que era apenas um deslize ético se transforma num verdadeiro escândalo.</p>
<p>A seguir, aparece a presidente Dilma prestando solidariedade ao ministro e afirmando que ele goza de sua total confiança. Nada de novo, seu antecessor também fazia isso. Só que ela faz uma ressalva: ele deve ir ao Congresso prestar esclarecimentos.</p>
<p>Quando cai nas mãos dos parlamentares &#8211; gente experiente na arte do espetáculo -, o cidadão é devorado vivo, sob os holofotes das emissoras de televisão.</p>
<p>É o suficiente para transformar o indivíduo em inimigo público número um.</p>
<p>Alguns ministros, mesmo assim, resistem. (Um deles ainda bravateou, ao afirmar que seria necessária uma bala muito grande para apeá-lo do cargo. Recebeu uma saraivada delas e, admitindo que elas tinham calibre suficiente, cuidou logo de apresentar a sua renúncia à presidente.)</p>
<p>A presidente, pesarosa, aceita a demissão do auxiliar. Não sem se manifestar confiante em que o indivíduo conseguirá provar a sua inocência.</p>
<p>No momento seguinte, ela nomeia o secretário executivo da pasta ou qualquer outra pessoa sintonizada com o partido do defenestrado para ocupar o seu lugar, e assim fica tudo numa boa. Trata-se de um velório em que ninguém chora.</p>
<p>Foi assim com o ex-ministro dos Transportes Alfredo Nascimento, indicado pelo Partido da República (PR). Assumiu o seu lugar o secretário executivo Paulo Sérgio Passos, também ligado ao PR. Os republicanos não se debulharam em lágrimas. O único lamento que se ouviu foi o da sua bancada no Senado &#8211; Alfredo Nascimento é senador -, que, em represália, declarou-se &#8220;independente&#8221;. Ué, antes não era?</p>
<p>Foi assim, também, com o ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi, indicado pelo PMDB. Assumiu o seu posto o deputado Mendes Ribeiro, representante do mesmo partido.</p>
<p>Deu-se o mesmo na pasta do Turismo: saiu sob denúncias o deputado do PMDB maranhense Pedro Novais. Entrou o deputado pelo PMDB do Maranhão Gastão Vieira. Não é preciso dizer quem os indicou.</p>
<p>O rito repetiu-se no caso de Orlando Silva, no Ministério do Esporte. Apesar das lágrimas e dos elogios que lhe foram dedicados, por causa de fortes suspeitas ele acabou tendo de entregar o cargo. Para ocupar o seu lugar foi indicado o deputado Aldo Rebello, do mesmo partido, o PCdoB. A sigla quer dizer Partido Comunista do Brasil.</p>
<p>E, por fim, o tal ministro &#8220;invulnerável&#8221;: Carlos Lupi (PDT), do Trabalho &#8211; o da bala de grosso calibre para derrubá-lo, que acabou não resistindo à saraivada de denúncias e teve mesmo de renunciar (enfrentando oposição até dentro de seu partido).</p>
<p>Execuções em praça pública parecem compor um padrão na atual administração. E isso tem sido feito um a um, para deleite da plateia.</p>
<p>O que todos esses decaídos têm em comum? Pertencem todos a partidos que não o da presidente. E a maioria deles é composta por remanescentes da gestão anterior. A criatura voltou-se contra o criador? Não necessariamente. É gente que pediu a Lula para permanecer e acabou ficando. O que não lhes foi dito é que teriam prazo de validade.</p>
<p>Mas mesmo no que diz respeito ao PT, este tampouco foi poupado. Antônio Palocci, ministro-chefe da Casa Civil, caiu porque queria mandar demais. Outro saiu porque mandava de menos (na pasta das Relações Institucionais): o deputado Luiz Sérgio não perdeu o status de ministro, mas agora só cuida de peixes&#8230;</p>
<p>Apesar de tudo isso, a presidente acabou se saindo bem. Todas as pesquisas apontam o aumento de sua popularidade. Ao passar ao público a imagem de governante durona &#8211; que não tolera &#8220;malfeitos&#8221; -, Dilma conquistou a simpatia de diversas camadas da classe média que são refratárias a Lula e ao PT.</p>
<p>Diante disso, há uma pergunta que não quer calar: todas as denúncias surgidas são detalhadas e muito bem fundamentadas. Quem, no Planalto Central, concentra informações suficientes para formulá-las?</p>
<p>Uma coisa é certa: quando se está numa posição de comando, jamais se dá pulos de alegria. Sempre haverá alguém para lhe puxar o tapete.</p>
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		<title>Por que Dilma faz sucesso?</title>
		<link>http://www.blogdomellao.com.br/forum/2011/11/23/por-que-dilma-faz-sucesso/</link>
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		<pubDate>Wed, 23 Nov 2011 08:31:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Mellão Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[recados]]></category>

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		<description><![CDATA[Pesquisa CNI/Ibope recente aponta que a presidente Dilma Rousseff, em setembro, foi aprovada por 71% da população. Esse resultado foi melhor que os de Luiz Inácio Lula da Silva e de Fernando Henrique Cardoso em igual período de governo, em seus primeiros mandatos. É um índice espetacular. O pessoal de seu partido, o PT, deveria [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pesquisa CNI/Ibope recente aponta que a presidente Dilma Rousseff, em setembro, foi aprovada por 71% da população. Esse resultado foi melhor que os de Luiz Inácio Lula da Silva e de Fernando Henrique Cardoso em igual período de governo, em seus primeiros mandatos. É um índice espetacular. O pessoal de seu partido, o PT, deveria estar exultante&#8230; Porém não está. Na verdade, os petistas autênticos &#8211; ideológicos &#8211; estão é muito apreensivos.</p>
<p>E qual seria a razão para tamanho desalento?</p>
<p>Simples. A popularidade de Dilma Rousseff não se deve ao desempenho da economia nem à excelência da sua gestão. O primeiro indica um crescimento pífio e a segunda se tem caracterizado pelo curto prazo de validade de seus ministros. Dilma está com a bola toda por motivos que os petistas julgam equivocados. Ao menos aos olhos dos militantes do partido. A sua tão festejada &#8220;faxina ética&#8221; é algo que contraria todos os dogmas da esquerda.</p>
<p>Combater a corrupção com moralismo não funciona, alertam alguns. A corrupção é inerente ao sistema capitalista, proclamam outros.</p>
<p>Basta consultar os principais blogs simpáticos à &#8220;causa&#8221; para saber que o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu &#8211; anjo decaído do poder central -, permanece sendo um ícone para a militância partidária. Por ocasião do 2.º Congresso da Juventude Petista, no último domingo, Dirceu ponderou que, &#8220;nas duas vezes em que houve lutas moralistas contra a corrupção, deu no Jânio e no Collor: um renunciou e o outro sofreu impeachment&#8221;.</p>
<p>Já o presidente do Partido dos Trabalhadores, nesse mesmo congresso, concluiu que &#8220;os adversários de Agnelo (Queiroz, governador do Distrito Federal, investigado pelo Superior Tribunal de Justiça por suspeita de desvio de dinheiro público) são canalhas e caluniadores. Eles tentam atingir o PT&#8221;.</p>
<p>Dirceu, ao final do congresso petista, foi brindado com uma camiseta onde se lia: &#8220;Contra o golpe das elites&#8221;.</p>
<p>Qual é o raciocínio que rege tão estranhas manifestações?</p>
<p>Que elites seriam essas, malvadas, que pretendem dar um golpe no democrático governo do PT?</p>
<p>Pelo visto, não são as elites da política e do sindicalismo &#8211; que compartilham o governo por intermédio do PT. Tampouco as elites econômicas e empresariais &#8211; escolhidas por critérios obscuros -, beneficiadas pelo crédito abundante e subsidiado do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social, mais conhecido como BNDES. E também não são, com certeza, os privilegiados &#8220;especialistas&#8221; que prestam consultorias milionárias às empresas estatais e aos fundos de pensão, porque tudo isso também é vinculado ao PT.</p>
<p>Então, se as tais elites malvadas não são nenhuma dessas acima apontadas, a que outras elites os dois dirigentes partidários se referiram?</p>
<p>Trata-se do seguinte: os petistas, bem como os demais socialistas, entendem que o grande roubo existente na sociedade é a exploração dos proletários pelos seus patrões. E a grande missão que lhes cabe no mundo é denunciar aos pobres que eles continuam pobres porque os ricos estão cada vez mais ricos. Os burgueses, por natureza, pouco ou nada trabalham. Vivem à custa da &#8220;mais-valia&#8221; que extraem do trabalho da massa proletária. Somente por meio da &#8220;conscientização&#8221; dessa massa a revolução se tornará possível&#8230;</p>
<p>Dentro da lógica deles, o combate à corrupção nos órgãos do governo é uma meta secundária, uma mera manifestação de moralismo pequeno-burguês.</p>
<p>Num sistema igualitário &#8211; como o que eles defendem -, a propriedade privada seria abolida e, assim sendo, as pessoas não teriam mais por que ambicionar riquezas. E muito menos por que buscar obtê-las por meios escusos.</p>
<p>Apresentada assim, até parece uma boa ideia&#8230; Só que existe um porém.</p>
<p>Todas as pessoas nascem iguais, é verdade. Mas os seus anseios, os seus talentos e os seus esforços acabam por torná-las diferentes. Nivelá-las, todas, por baixo, novamente, é algo que requer coerção e arbitrariedade. E a História nos ensina que sempre que a coerção e a arbitrariedade se apresentam à porta é a democracia que foge pela janela.</p>
<p>Não é à toa, portanto, que os petistas pregam o &#8220;controle social da mídia&#8221;. É uma forma, digamos, educada de dizer que eles pretendem tolher o nosso direito de discordar. Não, não se trata de censura à imprensa, alegam. É apenas, talvez, uma pequena limitação do que a imprensa pode publicar&#8230;</p>
<p>Pessoalmente, eu sempre duvidei daqueles que acreditam saber julgar, melhor do que o povo, aquilo que o povo realmente quer e precisa.</p>
<p>Como Deus não revelou a sua Verdade a ninguém, como a nenhum partido político é concedido o direito de se arvorar em concessionário exclusivo da virtude e das boas intenções, o mais seguro para todos é preservar a liberdade. E a liberdade só se consuma por meio do pleno exercício de eleger e poder ser eleito, da alternância no poder, da segurança de poder discordar, da sacralidade dos direitos humanos, da justiça igual para todos, do respeito às prerrogativas de cada um. E, por fim, do direito, assegurado aos indivíduos, de cada um poder ser feliz à sua própria maneira.</p>
<p>E quanto ao povo em geral? É justo viver na miséria? É legítimo morrer de fome? Não existiriam, também, &#8220;direitos sociais&#8221; para ele?</p>
<p>Sem dúvida. Mas é preciso compreender que o povo que deseja o pão é o mesmo que exige honestidade. As pessoas, que são quase todas elas decentes, não admitem que os políticos não o sejam.</p>
<p>É por isso que Dilma faz sucesso. E é por isso, também, que o PT não faz</p>
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		<title>Vade retro, Luiz!</title>
		<link>http://www.blogdomellao.com.br/forum/2011/10/22/vade-retro-luiz/</link>
		<comments>http://www.blogdomellao.com.br/forum/2011/10/22/vade-retro-luiz/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 22 Oct 2011 12:34:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Mellão Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[recados]]></category>

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		<description><![CDATA[ 
João Mellão Neto, jornalista, foi deputado, secretário e ministro de Estado. E-mail: j.mellao@uol.com.br. Artigos anteriores: www.blogdomellao.com.br &#8211; O Estado de S.Paulo
Estou no jornalismo há mais de três décadas. Tempo suficiente para constatar que a retórica do poder mudou. Vem mudando, aliás, a cada novo governo. Até mesmo a lógica que rege a política parece [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong> </strong></p>
<p><strong><a href="http://www.blogdomellao.com.br/wp-content/uploads/2011/10/90325lulademo3.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1229" title="90325lulademo" src="http://www.blogdomellao.com.br/wp-content/uploads/2011/10/90325lulademo3-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>João Mellão Neto, jornalista, foi deputado, secretário e ministro de Estado. E-mail: j.mellao@uol.com.br. Artigos anteriores: www.blogdomellao.com.br &#8211; O Estado de S.Paulo</strong></p>
<p>Estou no jornalismo há mais de três décadas. Tempo suficiente para constatar que a retórica do poder mudou. Vem mudando, aliás, a cada novo governo. Até mesmo a lógica que rege a política parece ter-se modificado através dos anos. Desde os tempos do regime militar, ao que me recorde. É curioso perceber que esse fenômeno não se dá apenas no modo de se expressar dos governantes. Os seus assessores, simpatizantes, adversários e até inimigos, ao fim e ao cabo, terminam adotando idênticas expressões linguísticas e até o discurso daqueles que ocupam o centro do palco. Essa regra é válida inclusive para nós, da imprensa, que, por dever de ofício, nos deveríamos manter equidistantes do jogo político.</p>
<p>Eu me lembro bem de que, nos tempos dos generais Ernesto Geisel e João Figueiredo &#8211; mesmo depois que a censura à imprensa acabou -, era muito raro encontrar nos jornais artigos nos quais os autores não se valessem do vocabulário próprio das casernas para expressar as suas opiniões. As expressões mais comuns na imprensa daquele período eram &#8220;dispositivo civil&#8221;, &#8220;teatro de guerra&#8221;, &#8220;operação política&#8221;, &#8220;técnicas de despistamento&#8221;, &#8220;recuo tático&#8221;, &#8220;manobra ofensiva&#8221; e tudo o mais que compunha o jargão militar.</p>
<p>Até que, em 1985, o último general bateu em retirada. Com ele partiram também os cavalos que tanto amava e os inúmeros oficiais militares que infestavam a capital da República. Os que estavam na ativa ocupavam prestigiosos postos no SNI &#8211; o todo-poderoso Serviço Nacional de Informações. Quanto aos já reformados, cabiam-lhes as diretorias das quase 400 empresas estatais.</p>
<p>Vieram, então, a Nova República, a redemocratização e a Assembleia Nacional Constituinte. E as expressões mais em voga, nessa época, passaram a ser &#8220;responsabilidade social&#8221;, &#8220;diálogo democrático&#8221;, &#8220;causas populares&#8221;, &#8220;reformas institucionais&#8221;, etc. Mas o que realmente importava, para a Nação, era remover o &#8220;entulho autoritário&#8221;.</p>
<p>Tudo o que se produzisse em termos de noticiário só era publicável se pudesse encaixar-se numa dessas prateleiras. O resto era enviado para a &#8220;cesta seção&#8221;, eufemismo que designava a cesta de lixo.</p>
<p>Vieram os anos 1990 e, com eles, a ditadura do &#8220;politicamente correto&#8221;. Para a liberdade de expressão era algo ainda pior do que a censura imposta pelos militares. Ao menos esta última vinha de fora. O autopoliciamento é o que de fato esteriliza a criatividade e o livre-pensar. A necessidade de se expressar apenas em termos neutros e não preconceituosos, a premência de se valer exclusivamente de vocábulos não ofensivos a ninguém, tudo isso representava &#8211; e cada vez mais representa &#8211; uma verdadeira castração intelectual.</p>
<p>Mas o recurso ao dicionário viria a se tornar, de fato, imperioso somente alguns anos depois. Foi quando se iniciou a era FHC. Os emproados tucanos que cercavam o então presidente Fernando Henrique Cardoso, em sua maioria, provinham dos meios acadêmicos de São Paulo. E, portanto, cultivavam um linguajar complexo e hermético. Havia entre eles, também, alguns economistas de origem carioca. Mas estes falavam um português ainda mais difícil. E com isso causavam uma enorme confusão na cabeça das pessoas.</p>
<p>A começar pelo próprio presidente, que ao se lançar candidato alegou um &#8220;imperativo categórico&#8221;, até um alto dirigente econômico que se regozijou por estar realizando uma &#8220;destruição criadora&#8221;, quase todos eles disseram coisas que para o cidadão médio não faziam sentido. Ora, ninguém tem obrigação de conhecer Kant ou Schumpeter para decifrar o que eles realmente pretendiam. À primeira vista parecia que o economista estava cumprindo uma terrível profecia bíblica e o candidato, apenas pedindo licença para ir ao toalete.</p>
<p>Isso para não falar em outro economista que, quando ocupou a presidência do Banco Central, pretendeu dar um jeito na economia por meio de uma certa &#8220;banda diagonal exógena&#8221;. Confesso que até hoje não descobri o que ele queria dizer&#8230; O fato é que o dólar disparou, a popularidade do governo despencou e o sujeito está sendo processado na Justiça até hoje.</p>
<p>No meu entendimento, o governo dos tucanos foi muito positivo. Eles promoveram muitas reformas importantes e também forçaram a imprensa a enriquecer o seu vocabulário. Mas, evidentemente, com tal linguajar não conseguiram transmitir nenhum de seus feitos ao povo. E este, ao final, cuidou de eleger alguém da oposição que falasse um português minimamente compreensível.</p>
<p>Infelizmente, os eleitores exageraram na dose. Escolheram o Lula, que abusa da linguagem chula, das metáforas impróprias e dos atentados às normas gramaticais.</p>
<p>Seu talento retórico é inegável. Ganhou o mundo com seu enredo do &#8220;coitadinho que chegou lá&#8221;. Plagiou as ideias de seu antecessor, colheu os frutos do que aquele plantou e, mesmo quase nada fazendo, vendeu a imagem de grande realizador.</p>
<p>Logrou eleger a sua sucessora, mas deixou para ela uma pesada herança: uma equipe ministerial que já está sendo conhecida como &#8220;Marilyn Monroe&#8221; &#8211; não passa um mês sem se envolver num escândalo.</p>
<p>Pasmem, leitores, o homem quer voltar! E, ao que parece, já se vai candidatar agora, em 2014. Com, sem ou contra Dilma Rousseff.</p>
<p>O que dizer a ele? Vade retro, Satanás!</p>
<p>Ou, então, escrever-lhe uma carta nos moldes da que &#8211; segundo citou Magnoli &#8211; o ex-aliado D&#8217;Annunzio enviou a Benito Mussolini: &#8220;Acorde! E se envergonhe também! (&#8230;) Pelo menos fure a barriga que vos oprime e desinche-a. Senão chegarei eu. Mas não o olharei no seu rosto&#8221;.<a href="http://www.blogdomellao.com.br/wp-content/uploads/2011/10/90325lulademo.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1224" title="90325lulademo" src="http://www.blogdomellao.com.br/wp-content/uploads/2011/10/90325lulademo-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
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		<title>Manual de Picaretagem Intelectual</title>
		<link>http://www.blogdomellao.com.br/forum/2011/09/11/manual-de-picaretagem-intelectual/</link>
		<comments>http://www.blogdomellao.com.br/forum/2011/09/11/manual-de-picaretagem-intelectual/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 11 Sep 2011 11:54:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Mellão Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[recados]]></category>

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		<description><![CDATA[
Antes de ler este artigo, sugiro ao leitor do Estadão que responda ao seguinte questionário. Você precisa debater em público e não tem certeza da validade de seus argumentos? Você, com certeza, é o melhor executivo da empresa; mas por que as boas vagas sempre acabam sendo ocupadas por profissionais que você julga menos capacitados? [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.blogdomellao.com.br/wp-content/uploads/2011/09/picareta-cópia.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1218" title="picareta cópia" src="http://www.blogdomellao.com.br/wp-content/uploads/2011/09/picareta-cópia-300x300.jpg" alt="" width="300" height="300" /></a></p>
<p>Antes de ler este artigo, sugiro ao leitor do Estadão que responda ao seguinte questionário. Você precisa debater em público e não tem certeza da validade de seus argumentos? Você, com certeza, é o melhor executivo da empresa; mas por que as boas vagas sempre acabam sendo ocupadas por profissionais que você julga menos capacitados? Suas ideias, é claro, são sempre as melhores; por que ninguém se interessa por elas? Embora seja frequente, você ainda não se conformou em sempre passar por idiota? Você acredita, realmente, que ainda vai vencer na vida?</p>
<p>Então este artigo foi feito para você. Preste muita atenção!</p>
<p>Você não precisa se aprofundar na arte de argumentar. Muitos sábios, advogados e homens públicos já cuidaram disso por você. Desde a Grécia antiga, berço da civilização ocidental &#8211; começando com os filósofos sofistas e, depois, Sócrates, Platão e Aristóteles -, muitos dos grandes pensadores da humanidade se debruçaram sobre esse tema. Discutia-se a respeito dele na República e no Império Romano, em Bizâncio, na Europa medieval, na Renascença, no Novo Continente e até hoje se acumulam novos conhecimentos sobre o assunto. Pensadores da estatura do filósofo alemão Arthur Schopenhauer chegaram a elaborar tratados sobre o tema. Há uma obra dele que merece ser lida e devidamente estudada. Foi publicada depois de sua morte e recebeu dos editores o sugestivo título Como Vencer um Debate sem Precisar Ter Razão. As conclusões são alarmantes e desoladoras. Os bons argumentos não precisam ser os melhores nem os mais verdadeiros. Bem apresentá-los é o que realmente importa.</p>
<p>O que cabe a você, aqui, é &#8211; de uma vez por todas &#8211; saber que os que sabem discursar melhor não são, necessariamente, os que sabem governar melhor. Os medíocres também têm vez. Não importa se seu produto é o melhor, o que importa é saber vendê-lo bem. Saiba, enfim que para vencer um debate o que menos você precisa é estar com a tese certa.</p>
<p>1.ª lição &#8211; Mesmo que esteja em dúvida, trate de ser convincente &#8211; se não der para convencer, confunda. Se mesmo assim não funcionar, encontre um ausente no qual pôr a culpa.</p>
<p>2.ª lição &#8211; Demonstre sempre certeza do que está falando, mesmo quando já tenha percebido que sua proposta está errada.</p>
<p>3.ª lição &#8211; Decorre da segunda: ninguém segue um líder que se mostre em dúvida.</p>
<p>4.ª lição &#8211; Não se preocupe em responder a um argumento correto, é muito melhor dizer que seu oponente não tem autoridade moral para afirmá-lo. Inversamente: uma boa ideia será sempre uma boa ideia, independentemente de quem a tenha tido.</p>
<p>5.ª lição &#8211; Apresente ideias que aparentem ser coerentes. As boas histórias só convencem a audiência se tiverem começo, meio e fim. Inversamente: não acredite em histórias perfeitas, geralmente elas são inventadas. Tenha sempre em mente que a realidade não produz enredos perfeitos.</p>
<p>6.ª lição &#8211; Para que ideias confusas sejam mais convincentes, você deve atribuí-las a alguém como Napoleão. Servem também Júlio César, Alexandre ou Abraham Lincoln. Ninguém se atreverá a desmenti-lo nem admitirá pouco saber sobre eles. Se a celebridade em questão já tiver falecido, nem mesmo ela poderá desmenti-lo.</p>
<p>7.ª lição &#8211; Os exemplos de que você se vale não precisam ser verdadeiros. Basta que eles sejam verossímeis.</p>
<p>As lições são inúmeras. Mas, por enquanto, são suficientes essas sete. Você ainda acredita nas palavras e nas elaborações intelectuais? Então, para terminar leia o que vem a seguir.</p>
<p>Recordo-me de, muitos anos atrás, ter lido um livro sobre retórica no qual havia um belo exemplo de como tudo isso funciona. O autor resumiu a questão apresentando duas biografias, retratos fiéis de grandes vultos da História.</p>
<p>O primeiro era um beberrão contumaz. E, não bastasse, tabagista inveterado, mulherengo e dado a excessos alimentares. Não tinha hora de dormir nem de acordar. Era indisciplinado por natureza. Não gostava de ler relatórios, era teimoso, ranzinza e não aceitava as ideias de ninguém. Por causa da teimosia, perdeu diversas batalhas, foi afastado do comando, caiu em desgraça perante a imprensa em geral e a opinião pública o desprezou por mais de duas décadas. Voltou ao poder em razão de uma grave comoção popular. Pode-se dizer que tinha grande desprezo por seus subordinados e era cético quanto à capacidade de discernimento da humanidade.</p>
<p>Já o segundo era praticamente o oposto. Não se conhece dele nenhum vício ou algum tipo de costume reprovável. Não fumava, não bebia e se preocupava sempre em estar dentro do peso. Extremamente metódico e disciplinado, tinha obsessão pela pontualidade. Quando não estava trabalhando, cuidava de ler e estudar. Desde pequeno sentia-se imbuído de uma grande missão. A ela dedicou toda a sua juventude. Para bem executá-la evitou até a prática sexual, só vindo a contrair matrimônio no fim da vida. Enquanto viveu, dedicou todo o seu tempo à sua causa. Morreu por causa dela. E sua mulher morreu logo a seguir. Todos os que o conheceram afirmam que nunca deixou de ser um idealista. Em suas aparições públicas demonstrava ser enérgico e intransigente, mas em casa seu comportamento era cordial. Seus funcionários mais íntimos foram unânimes em afirmar que era cavalheiro, polido e afável no trato. Às vezes perdia a paciência, mas só quando se sentia injustiçado.</p>
<p>Qual dos dois perfis é o que mais lhe agrada? Qual dos dois líderes você não vacilaria em acompanhar? Os dois líderes foram retratados com exatidão. Qual deles, a princípio, mais lhe desperta simpatia?</p>
<p>A maioria das pessoas, provavelmente, terá escolhido o segundo. Pois as aparências, como sempre, enganam. O primeiro perfil é de Winston Churchill. E o segundo, de Adolf Hitler.</p>
<p>____________________________________________________________________________________________</p>
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		<title>O que pensa a classe média?</title>
		<link>http://www.blogdomellao.com.br/forum/2011/08/02/o-que-pensa-a-classe-media/</link>
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		<pubDate>Tue, 02 Aug 2011 10:27:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Mellão Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[João Mellão Neto &#8211; O Estado de S.Paulo
Os Estados Unidos não são mais aqueles. Seja qual for a solução que venha a ser dada à questão da dívida pública, o fato é que a América expôs as suas vulnerabilidades ao mundo. Ao menos na minha geração, ninguém esperava vir a assistir ao fim da supremacia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://www.blogdomellao.com.br/wp-content/uploads/2011/08/classe-media-11.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-1211" title="classe-media (1)" src="http://www.blogdomellao.com.br/wp-content/uploads/2011/08/classe-media-11-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>João Mellão Neto &#8211; O Estado de S.Paulo</strong></p>
<p>Os Estados Unidos não são mais aqueles. Seja qual for a solução que venha a ser dada à questão da dívida pública, o fato é que a América expôs as suas vulnerabilidades ao mundo. Ao menos na minha geração, ninguém esperava vir a assistir ao fim da supremacia do dólar.</p>
<p>O século passado é apontado pelos historiadores como o &#8220;século americano&#8221;. Nos anos 70 e 80 as pessoas guardavam dólares em casa. Era uma reserva de valor. &#8220;In God we trust&#8221; (&#8220;Em Deus confiamos&#8221;) vem inscrito nas cédulas verdes. E nós &#8211; independentemente da crença no Todo-Poderoso &#8211; botávamos alguma fé também no dólar&#8230;</p>
<p>Hoje os EUA ameaçam uma moratória e as cotações da sua moeda estão despencando. Algo impensável poucos anos atrás. A Europa também vai mal e, com isso, a civilização ocidental fica sem referências. O século 21 promete ser dos Brics, que, com exceção da Rússia, são as únicas grandes economias que continuam crescendo (China, Índia, África do Sul e Brasil). E é a respeito do nosso país que falaremos agora.</p>
<p>O lulopetismo ficou encantado ao perceber, já no seu segundo mandato, que os ventos sopravam a favor do Brasil. Os preços das nossas commodities (ferro e soja, principalmente) subiram nos mercados internacionais e, assim, escapamos com poucos danos da crise financeira. Além disso, foram encontradas grandes jazidas de petróleo. Mesmo que porventura elas venham a mostrar-se economicamente inviáveis, serviram, ao menos, para criar uma grande expectativa em relação ao Brasil e aos brasileiros.</p>
<p>O grande líder descobriu, maravilhado, que a classe média havia crescido em tamanho e poder aquisitivo. Nosso estadista-operário tratou, então, de atribuir o fenômeno ao seu governo. &#8220;Isso foi possível graças às nossas políticas sociais&#8221;, cantam seus acólitos. &#8220;Foi tudo obra nossa&#8221;. O andor tem de ser carregado com mais apuro. Efeitos não devem passar por causas. Não é porque tudo isso ocorreu durante a gestão petista que lhe caberiam todos os louros. Aliás, o único mérito que reconhecidamente lhe cabe, no campo econômico, é o de não ter interrompido o que já estava sendo feito.</p>
<p>A tão alardeada &#8220;nova classe média&#8221; é composta de pessoas que, com certeza, não são clientes do Bolsa-Família, nem de nenhum outro eventual mecanismo de transferência de renda. É mais provável que tenham emergido socialmente porque a inflação acabou. Garantida a estabilidade econômica, a oferta de crédito aumentou e mais gente pôde ter acesso a ele.</p>
<p>Quanto às jazidas de petróleo, apesar do alarido, há que considerar que não foram descobertas pelos petistas, mas durante o governo deles. A mais de 7 mil metros de profundidade, não há nenhuma certeza quanto à viabilidade econômica de sua extração. Nem sequer existe tecnologia para tanto, vale ressaltar.</p>
<p>A bem da verdade, a estabilidade não se deve tão somente ao Plano Real. O problema é que as finanças públicas estavam desarrumadas, os poderes públicos &#8211; federal, estaduais e municipais &#8211; vinham gastando muito mais do que arrecadavam. Endividavam-se todos além do razoável e se cultivava o mau hábito de repassar tais passivos aos novos governantes. &#8220;O dever acima de tudo!&#8221;, bradavam prefeitos e governadores. E como a inflação era alta, ela se encarregava de mascarar todo o processo. Para estancar de vez a sangria inflacionária não bastava um engenhoso plano econômico. Isso ficou evidente com o fracasso de todos os planos anteriores. O fim da constante elevação dos preços restabeleceu a verdade dos fatos: o problema estava no setor público.</p>
<p>O governo federal acabou com o déficit da União. E assumiu para si as dívidas dos Estados e municípios. Todos, a partir dali, poderiam recomeçar do zero. E para evitar que eles voltassem a se endividar foi criada a Lei de Responsabilidade Fiscal. Algo assim como o preceito popular &#8220;aqui se faz, aqui se paga&#8221;. Governadores e prefeitos não mais poderiam assumir dívidas que não pudessem quitar durante sua gestão.</p>
<p>Vários setores da economia, antes em poder do Estado, foram privatizados. Nos anos 90, bem me recordo, não havia linhas telefônicas disponíveis. Aqui, em São Paulo, a empresa estatal de telefonia vendia novas linhas para entrega num futuro incerto. O jeito era alugar as já existentes. Celulares já existiam, mas custavam caro e não completavam as ligações, davam sempre sinal de ocupado.</p>
<p>Não dá para afirmar que as gestões tucanas tenham sido 100% virtuosas. Havia quase tantos escândalos como agora. Mas tiveram a visão correta dos males de que padecia o País e a coragem de fazer as reformas necessárias. O custo político foi alto. Como a economia não crescia, a popularidade do governo também não. Aos petistas, que chegaram ao poder depois, coube apenas colher os resultados. Restou aos social-democratas a oposição.</p>
<p>Quanto à &#8220;nova classe média&#8221;, o governo acaba de encomendar pesquisa para aprender a lidar com ela. A classe média, no Brasil, já é maioria. Ela possui casa, carro e computador. E não é tola. Troca informações pela internet. Qual a mensagem que a sensibiliza? Talvez a do &#8220;espírito de fronteira&#8221;. A cultura do desafio. Algo que no passado entusiasmava os americanos e agora não existe mais. É triste. A História nos ensina que a decadência dos impérios começa onde as virtudes de seus povos terminam.</p>
<p>O que distingue um sonhador de um realizador é que este cuida de transformar os próprios sonhos em realidade. E, para tanto sabem que é preciso dedicar muito esforço, talento e empenho. A educação também entra nessa lista. E a &#8220;nova classe média&#8221; não espera pelas dádivas de ninguém. Ela própria financia seus estudos. Seus membros têm consciência de que ninguém lhes dará nada sem lhes exigir alguma coisa. Eles têm o sagrado direito de buscar a felicidade. E já o fazem. Mas à sua maneira.<a href="http://www.blogdomellao.com.br/wp-content/uploads/2011/08/classe-media-11.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-1211" title="classe-media (1)" src="http://www.blogdomellao.com.br/wp-content/uploads/2011/08/classe-media-11-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a></p>
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		<title>As vítimas serão nossos filhos</title>
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		<comments>http://www.blogdomellao.com.br/forum/2011/07/16/as-vitimas-serao-nossos-filhos/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 16 Jul 2011 13:42:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Mellão Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[
Como era a vida nos tempos da ditadura? Minhas lembranças pessoais são confusas. Recordo-me de que os mais antigos nos diziam que o Brasil era governado por um general, de nome Médici. Que cuidava para que o País e a gente pudéssemos todos crescer em segurança.
Nós, adolescentes, exultávamos com ele e cantávamos, arrebatados, as alegres [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.blogdomellao.com.br/wp-content/uploads/2011/07/preguiça1.jpg"></a><a href="http://www.blogdomellao.com.br/wp-content/uploads/2011/07/images6.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-1200" title="images" src="http://www.blogdomellao.com.br/wp-content/uploads/2011/07/images6-150x150.jpg" alt="Vão todos pagar por isso" width="150" height="150" /></a></p>
<p><strong>C</strong>omo era a vida nos tempos da ditadura? Minhas lembranças pessoais são confusas. Recordo-me de que os mais antigos nos diziam que o Brasil era governado por um general, de nome Médici. Que cuidava para que o País e a gente pudéssemos todos crescer em segurança.</p>
<p>Nós, adolescentes, exultávamos com ele e cantávamos, arrebatados, as alegres músicas de Dom e Ravel. &#8220;Ninguém segura este país&#8221; &#8211; e disso não tínhamos a menor dúvida. O governo alcançou, na época, 80% de aprovação popular.</p>
<p>Na faculdade vim a conhecer uma visão diferente. Os professores diziam-nos que os militares eram verdadeiros monstros. Eles torturavam e assassinavam sem a menor piedade. Quanto à economia, o que teria ocorrido, de fato, fora uma injusta política que visava a fazer dos ricos mais ricos e dos pobres, ainda mais pobres. Meus pais também, a essa altura, já não mostravam o mesmo entusiasmo de antes pelo regime. Corrupção demais e liberdade de menos, queixavam-se eles.</p>
<p>Na dúvida, entrei de corpo e alma no movimento estudantil. Cheguei até a ser detido. Durante uma passeata de protesto, fui apanhado pela polícia. E após levar alguns pontapés fui transportado de camburão para o Deops &#8211; a &#8220;masmorra da ditadura&#8221;, como se dizia. Passei a noite toda em claro, respondendo a intermináveis interrogatórios. Fui libertado ao amanhecer. Senti-me, então, um herói.</p>
<p>Mas isso tudo são reminiscências. Um relato subjetivo de impressões.</p>
<p>Em termos de História, ninguém é capaz de interpretar os fatos mais recentes com a necessária isenção. Ainda há muita paixão envolvida neles.</p>
<p>São três as principais versões.</p>
<p>Da parte dos militares, a intervenção se deu em razão dos desmandos dos políticos dessa época. E a decisão de permanecerem no poder foi apenas uma consequência do fato de não haver, na visão deles, nenhum civil com autoridade e austeridade suficientes para levar adiante a &#8220;revolução&#8221; que estava em curso.</p>
<p>Da parte dos civis que apoiaram o novo regime, a maioria afirma ter-se desiludido com ele logo depois, quando a democracia foi eliminada e ficou constatado que os militares não pretendiam sair do poder. A &#8220;revolução&#8221; ter-se-ia desvirtuado, no seu entender. Resumiu-se a um mero contragolpe. A desordem, então, era imensa. Quem queria dar um golpe, na verdade, era o presidente João Goulart.</p>
<p>Na opinião dos que se opuseram desde o início, o que teria ocorrido, de fato, fora a implantação de uma ditadura de direita, com o objetivo de massacrar os movimentos populares e concentrar a renda nacional na mão de alguns poucos. E, dentre esses opositores, houve alguns que foram além: optaram pela luta armada. Não pela volta da democracia, mas sim por outra ditadura, de sinal oposto. Eles se entendiam como guerrilheiros. Mas, para o governo, não passavam de &#8220;terroristas&#8221;. E, a pretexto de combatê-los, o regime foi endurecido. Sucederam-se os tais &#8220;anos de chumbo&#8221;.</p>
<p>Mas, algum tempo depois, o regime foi obrigado a se abrir.</p>
<p>O fato é que a tolerância geral ao sistema autoritário se lastreava em seu alegadamente superior desempenho na administração da coisa pública. Os políticos, diziam, só servem para atrapalhar. Ainda hoje, não são poucos os que pensam assim.</p>
<p>Quando os índices de crescimento econômico começaram a declinar, não havia mais por que manter o regime. E ele terminou desmoralizado, em 1985, quando o general Figueiredo &#8211; e os seus equídeos &#8211; deixaram o Planalto Central.</p>
<p>O regime militar deixou o País nas mesmas condições em que o encontrou: inflação e descontentamento em alta, crescimento e popularidade em baixa.</p>
<p>Veio a democracia e com ela, a nova Constituição. Alguém, então, apresentou um projeto prevendo uma eventual reparação financeira para quem tivesse sido prejudicado pelos sucessivos governos, desde Dutra até Sarney. O projeto passou batido e transformou-se em disposição constitucional. E esta foi regulamentada por lei, no final de 2001. Assim nasceu a polêmica Comissão de Anistia.</p>
<p>E é neste ponto que cabem algumas considerações.</p>
<p>O que era provisório se tornou permanente. A referida comissão está comemorando o seu décimo aniversário de vida e não pretende morrer tão cedo. Milhares e milhares de indivíduos já foram anistiados. E a sua ideia, agora, é sair em caravana pelo País, à cata de outros tantos. Cada um passa a receber um salário mensal &#8211; cujos valores chegam a até R$ 24 mil &#8211; pelo resto da vida. Além de uma bolada inicial, a título de retroatividade.</p>
<p>A Comissão de Anistia tem sido muito generosa e seletiva em seus pareceres. Criou custos para o erário de cerca de R$ 4 bilhões a cada ano e, ao que parece, contempla somente os militantes da esquerda. Criou-se no País uma nova profissão: a de vítima.</p>
<p>Segundo se afirmou na época em que a lei foi sancionada, essa comissão era necessária para reparar injustiças e pacificar de vez a Nação.</p>
<p>Haja injustiçados! E também, pelo visto, não houve pacificação alguma. O que se cogita, agora, é de instaurar uma nova comissão &#8211; a da &#8220;verdade&#8221;.</p>
<p>Para que serviria ela?, pergunta-se. Ora, para apurar, em detalhes, todas as violações dos direitos humanos ocorridas durante o regime de exceção.</p>
<p>Até aí, tudo bem. Só que a ideia é que apenas uma das partes interessadas seja ouvida.</p>
<p>Ninguém pretende ouvir, também, as famílias daqueles que morreram em decorrência da ação dos guerrilheiros? O número total passa de uma centena. E muitos eram meros transeuntes. Não tinham nada que ver com o embate.</p>
<p>Por que meus filhos &#8211; e mais dois terços da população brasileira &#8211; terão de arcar com os custos de tudo isso? Eles todos &#8211; no tempo da ditadura &#8211; nem sequer haviam nascido!</p>
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		<title>O que faz a diferença</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Jul 2011 17:48:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Mellão Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Prezada dona Dilma Rousseff, esta não é a primeira carta que lhe escrevo e não há de ser a última. Comecei a escrever para a senhora ainda quando era, por assim dizer, a primeira-ministra do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mais precisamente, quando ele manifestou o desejo de fazê-la sua sucessora. A senhora [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.blogdomellao.com.br/wp-content/uploads/2011/07/cartao_amarelo3.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-1198" title="cartao_amarelo" src="http://www.blogdomellao.com.br/wp-content/uploads/2011/07/cartao_amarelo3-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>Prezada dona Dilma Rousseff, esta não é a primeira carta que lhe escrevo e não há de ser a última. Comecei a escrever para a senhora ainda quando era, por assim dizer, a primeira-ministra do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mais precisamente, quando ele manifestou o desejo de fazê-la sua sucessora. A senhora acha que é coisa pessoal? De forma alguma! Eu tenho escrito a todos os presidentes da República, há décadas. Essa é uma forma de levar a eles as verdades que os seus áulicos se abstêm de lhes transmitir.</p>
<p>Eu e muitos mais temos ojeriza ao seu partido e a tudo aquilo que representa. Sinceramente, achamos que a maioria dos seus correligionários &#8211; ao menos aqueles que gozam de algum provento ou benesse pública &#8211; é hipócrita. Eles estão no poder e insistem em fazer um discurso oposicionista, condoreiro e arrebatado.</p>
<p>Quando é que eles vão acordar? Ou melhor, quando é que nós vamos acordar?</p>
<p>Para mim, sinceramente, não há nenhuma diferença entre corruptos de esquerda e corruptos de direita; entre homicidas de um lado ou de outro.</p>
<p>Por que o Cesare Battisti haveria de ser melhor do que o Jorge Rafael Videla? Ambos transgrediram as regras mais elementares de uma sociedade civilizada. Só que o primeiro, alegando ter agido em nome de uma causa justa, está livre e solto no Brasil. Já o segundo cumpre prisão perpétua na Argentina. Teria Videla tido melhor sorte se tivesse fugido para cá?</p>
<p>Não há nada de novo nisso. Juan Domingo Perón, desde meados da década de 1940, já agia assim. E até hoje o partido dele elege presidentes &#8211; e presidentas &#8211; da República platina.</p>
<p>Seja com Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia) ou Rafael Correa (Equador), o fato é que esse discurso populista de esquerda se vem alastrando como uma praga pelo nosso continente. Essa gente fala em igualdade enquanto só dá guarida aos seus. Eles tacham os seus opositores de fascistas, mas praticam o mais escancarado corporativismo. É aquela velha história: para nós, tudo; para os outros, o rigor da lei.</p>
<p>E temos de ficar precavidos. Quem fala em liberdade é visto como de direita. Os da esquerda preferem falar em libertação.</p>
<p>Estes últimos são arrogantes porque entendem que todos os seus eventuais malfeitos não passam de &#8220;acidentes de percurso&#8221;. Os fins justificam os meios. Tudo se perdoa quando a causa é a justa. Afinal, eles acreditam ser os únicos e legítimos porta-vozes dos mais humildes.</p>
<p>Quem está com a razão? Provavelmente nenhum.</p>
<p>Mas não lhe estou escrevendo por isso. Embora eu não tenha apoiado a sua candidatura a presidente da República, entendo que todos nós, brasileiros, devemos torcer para que o seu governo dê certo. Até porque o pior que pode acontecer é o seu antecessor voltar.</p>
<p>Temos notado, nestes seus primeiros seis meses de governo, a sua opção por uma menor exposição pública. Nas raras vezes em que apareceu, mostrou-se reservada e comedida.</p>
<p>Aqui, na planície, eu posso garantir-lhe que o seu comportamento recatado lhe tem assegurado o apoio de gente que a senhora nem imagina. São pessoas que lhe negaram os seus votos por entenderem que o seu governo seria uma continuação do de seu mentor. E adotaria o mesmo estilo falastrão e bravateiro de se comunicar.</p>
<p>Quantos despautérios, meu Deus! E os seus acólitos ainda pretendiam, pouco tempo atrás, criar uma nova língua portuguesa. Feita sob medida para o jeito especial de ele falar.</p>
<p>Nesse sentido, o início de sua gestão se tem revelado uma agradável surpresa.</p>
<p>O que se teme, agora, é o contrário. Naquilo em que Lula pecou por excesso, a senhora, agora, corre o risco de ser marcada pela escassez. Estou falando de decisão e atitude.</p>
<p>Já residi aí, pertinho de onde a senhora está, no Planalto Central. Entre as coisas que aprendi, uma das principais é que, diante das situações críticas, é melhor tomar uma decisão errada do que não tomar decisão nenhuma. Erro dá para corrigir; indecisão, não.</p>
<p>A senhora se lembra dos anos 1970? Pois naquela época, nos Estados Unidos, havia um presidente que ganhou a fama de ser indeciso, Jimmy Carter. Ele não conseguiu ser reconduzido ao cargo porque &#8211; na ânsia de encontrar as melhores soluções &#8211; quando se decidia já era tarde demais. Acabou sendo substituído por um ex-ator de cinema, Ronald Reagan. Os eleitores sabiam que este tinha menos cultura, mas o escolheram por demonstrar mais convicção.</p>
<p>Dona Dilma, deixe de se ocupar das miudezas da administração. Existem por aí muitos profissionais capacitados para cuidar disso.</p>
<p>Ninguém precisa de uma presidente que seja apenas eficiente. O que se espera da senhora, agora, é liderança. E para tanto é preciso empunhar uma bandeira, sair das trincheiras e mostrar o caminho.</p>
<p>A senhora há de saber que os maiores oradores da Antiguidade foram Demóstenes, em Atenas, e Cícero, em Roma. Mas, provavelmente, desconhece qual era a maior diferença entre eles.</p>
<p>Plutarco, historiador, biógrafo e ensaísta grego, comparou os dois, estudou a vida e a personalidade de ambos e não chegou a grandes conclusões. Cícero era mais culto e experiente, porque havia ocupado diversos cargos públicos. Quanto ao ateniense, o registro é de que o seu discurso era mais veemente.</p>
<p>Quem, com grande perspicácia, veio a observar o que, de fato, os distinguia foi John F. Kennedy: &#8220;Quando, no Senado romano, Cícero discursava, as pessoas comentavam: &#8220;Como ele fala bem!&#8221;".</p>
<p>Já com Demóstenes as reações eram outras. Após a sua fala, na Ágora, as multidões bradavam: &#8220;Marchemos!&#8221;.<a href="http://www.blogdomellao.com.br/wp-content/uploads/2011/07/cartao_amarelo-1.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-1172" title="por enquanto" src="http://www.blogdomellao.com.br/wp-content/uploads/2011/07/cartao_amarelo-1-150x150.jpg" alt="por enquanto" width="150" height="150" /></a></p>
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		<title>Quem tem medo da verdade?</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Jun 2011 18:22:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Mellão Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[recados]]></category>

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		<description><![CDATA[João Mellão Neto &#8211; O Estado de S.Paulo
Se as pessoas fossem obrigadas a dizer tudo o que pensam umas das outras, a convivência social se tornaria impossível. Todo mundo sabe disso. E quanto aos &#8220;segredos de Estado&#8221;? Devem ou não existir? E, caso se entenda que sim, por quanto tempo?  A grande polêmica da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><a href="http://www.blogdomellao.com.br/wp-content/uploads/2011/06/guerra_do_paraguai_-_oficial_e_soldado4.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-1169" title="guerra_do_paraguai_-_oficial_e_soldado" src="http://www.blogdomellao.com.br/wp-content/uploads/2011/06/guerra_do_paraguai_-_oficial_e_soldado4-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>João Mellão Neto &#8211; O Estado de S.Paulo</div>
<div>Se as pessoas fossem obrigadas a dizer tudo o que pensam umas das outras, a convivência social se tornaria impossível. Todo mundo sabe disso. E quanto aos &#8220;segredos de Estado&#8221;? Devem ou não existir? E, caso se entenda que sim, por quanto tempo?  A grande polêmica da semana, em Brasília, se deu, exatamente, sobre esse tema. Atualmente o Estado pode manter sigilo eterno sobre os documentos públicos classificados como ultrassecretos. O governo Lula, dois anos atrás, mandou ao Parlamento proposta para limitar a confidencialidade ao prazo máximo de 25 anos. Mas, no mesmo texto, autorizou a sua renovação em número indefinido de vezes.  O que mudaria, de fato? Praticamente nada. Trata-se de mais uma dessas suas guinada de 360 graus.  O que não estava previsto era a emenda ao projeto original que limita o prazo de sigilo a 50 anos. Ou seja, a uma única renovação.  O novo texto foi aprovado na Câmara dos Deputados e está, agora, em pauta no Senado. Surgiu, assim, um impasse. O governo quer fazer prevalecer a sua proposta original. E o partido do governo o que diz disso? Bem, os seus membros no Parlamento, desavisados, têm defendido o contrário.  Não se trata de um falso dilema. Caso a nova lei seja aprovada, isso implicaria pôr à disposição do público, imediatamente, todos os arquivos secretos produzidos pelo Estado de 1962 para trás.  O que isso significa?  Muitos mitos nacionais, que vêm sendo sistematicamente cultivados há séculos, poderiam ser derrubados. Personagens históricos e heróis incontestes poderiam ser desacreditados. Países vizinhos poderiam valer-se desses dados como pretexto para renegociar as nossas fronteiras. Vale a pena relembrar alguns deles.  A Guerra do Paraguai &#8211; que ocorreu no período 1865-1867 -, por exemplo. Existe mais de uma versão sobre o episódio.  A oficial é pontuada por gloriosas batalhas, gestos de bravura e fervor patriótico. Solano López, o ditador paraguaio, teria sido um lunático raivoso que nos levou a sacrificar vidas e recursos. Surgiram, nos campos de luta, a coesão e a identidade que caracterizam o Exército brasileiro e o sentido de brasilidade se estendeu a toda a população.  Mas há uma outra visão, muito disseminada em determinadas alas de nossa intelectualidade, que interpreta os fatos ocorridos de outra maneira: o Paraguai, sob Solano López, teria sido uma nação rica e industrializada que, por ter despertado receios na poderosa Inglaterra, foi por ela cruelmente sacrificada. Os ingleses teriam instigado o Brasil a destruir o país vizinho, acenando, em troca, com gordos empréstimos. E os brasileiros, nessa guerra inglória, teriam eliminado dois terços da população do Paraguai.  O caso da Bolívia é ainda mais polêmico.  A versão oficial é a de que a Bolívia teria vendido o Acre ao Brasil pela justa quantia de 2 milhões de libras (mais ou menos US$ 400 milhões em valores atuais). Além de o montante ser elevado, há que levar em conta que o território em questão já estava totalmente ocupado por brasileiros. Eram migrantes nordestinos que, fugindo da seca, se haviam fixado ali como seringueiros. O Tratado de Petrópolis, assinado entre os dois países, imortalizou o barão do Rio Branco e também Plácido de Castro &#8211; líder dos acrianos &#8211; como heróis nacionais. Um e outro têm o seu nome inscrito no Panteão da Pátria.  Já os bolivianos têm sido instigados a interpretar os fatos de forma diferente. De acordo com Evo Morales, o Acre foi cedido ao Brasil em troca de um único cavalo. Na verdade, não teria sido apenas um, mas dois. Eles teriam servido para subornar o então presidente da Bolívia, um homem apaixonado por equinos.  Qual é a versão mais correta?  Outro episódio polêmico &#8211; dentre muitos &#8211; é o da 2.ª Guerra Mundial.  A versão oficial é a de que a Força Expedicionária Brasileira (FEB) se teria destacado nas batalhas de que participou. O Brasil teria tido uma atuação decisiva no desfecho da guerra e teria chamado a atenção dos outros países beligerantes pela bravura e pelo patriotismo dos nossos soldados.  Há uma outra interpretação: os soldados brasileiros eram poucos e mal treinados. Grande parte das baixas teria acontecido sob &#8220;fogo amigo&#8221;: colisão de veículos, disparos acidentais, etc. A FEB, segundo essa versão, teria chegado ao front tarde demais, quando o confronto já estava decidido. Ela se teria destacado, sim, mas pelo despreparo de seus combatentes.  Qual é a verdade?  Outra questão mal explicada diz respeito ao período de poder dos generais-presidentes &#8211; de 1964 até 1985. A ideia é a de se criar, oficialmente, uma &#8220;Comissão da Verdade&#8221; destinada a restabelecer o que, de fato, teria ocorrido.  Mas quantas e quais teriam sido as vítimas do regime militar?  Do lado das esquerdas, entre mortos e desaparecidos, são contabilizadas quase 500 pessoas.  Mas há também uma lista de vítimas apresentada pelo outro lado. Seriam cerca de 120, entre militares e civis. Estes últimos seriam os cidadãos inocentes &#8211; que nada tinham que ver com a história &#8211; que perderam a vida por causa dos atentados, das bombas e dos assaltos a bancos perpetrados pelos &#8220;terroristas&#8221; da esquerda.  Conforme a visão da esquerda, nunca houve terroristas, mas simplesmente guerrilheiros: jovens idealistas que abriram mão do conforto dos seus lares e, de peito aberto, lutaram pela democracia.  Mas há também uma terceira opinião. E esta, com certeza, é a da maioria dos brasileiros: a direita e a esquerda da época podem, agora, trocar acusações à vontade. Mas não pretendam fazê-lo à custa dos contribuintes. A maioria deles nasceu depois.  JORNALISTA  E-MAIL: J.MELLAO@UOL.COM.BR  BLOG: WWW.BLOGDOMELLAO.COM.BR</div>
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		<title>Senhora presidente</title>
		<link>http://www.blogdomellao.com.br/forum/2011/06/03/senhora-presidente/</link>
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		<pubDate>Fri, 03 Jun 2011 19:40:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Mellão Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[recados]]></category>

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		<description><![CDATA[Não votei na senhora. Aliás, em São Paulo, o lulismo nunca deu muito certo. Vocês já disputaram várias eleições por aqui. Para governador não levaram nenhuma. E isso desde a fundação do PT. Já em 1982, quando foi realizada a primeira eleição direta para o cargo &#8211; eu bem me recordo -, o próprio Lula [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.blogdomellao.com.br/wp-content/uploads/2011/06/Dilma-Rousseff23.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-1160" title="Dilma-Rousseff2" src="http://www.blogdomellao.com.br/wp-content/uploads/2011/06/Dilma-Rousseff23-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>Não votei na senhora. Aliás, em São Paulo, o lulismo nunca deu muito certo. Vocês já disputaram várias eleições por aqui. Para governador não levaram nenhuma. E isso desde a fundação do PT. Já em 1982, quando foi realizada a primeira eleição direta para o cargo &#8211; eu bem me recordo -, o próprio Lula se apresentou como candidato e levou uma bela surra: acabou em quarto lugar. Eleições para presidente, de seis vocês só levaram uma, a de 2002. E já no pleito seguinte foram sovados novamente.</p>
<p>O povo daqui é ordeiro e trabalhador. Vai ver que é por isso que não gosta de vocês. Pelo menos a maior parte dele. A gente torce o nariz à forma como os petistas fazem política.</p>
<p>Vocês se deram bem no começo por se dizerem diferentes de tudo o que existia. Agora, quatro décadas passadas, continuam a se achar assim. São ripongas, ou seja, hippies fora de época: gente que não soube envelhecer com dignidade.</p>
<p>O fato é que a hora da revolução já passou. E, quando passou, vocês estavam dormindo. Paciência. Como leão desdentado também ruge, vocês, petistas, acreditam poder continuar na estrada.</p>
<p>Naquelas &#8220;pré-históricas&#8221; eleições de 1982, o slogan do partido era: &#8220;Vote em Lula, um brasileiro igualzinho a você&#8221;. Para reforçar o apelo, o candidato deixou a gravata e o paletó de lado e comparecia aos debates televisivos apenas com uma camiseta. Não funcionou. Pesquisas posteriores demonstraram que as pessoas, em geral, pensavam: &#8220;Se ele é igual à gente, por que não vem aqui pegar no pesado? Nós queremos votar em alguém que seja melhor&#8221;.</p>
<p>Bem, senhora presidente, como Vossa Excelência não é daqui e naquela época nem sequer era petista, esses assuntos devem parecer-lhe tediosos. Vamos, então, direto ao que realmente interessa.</p>
<p>Acontece que nós, paulistas, mesmo não tendo contribuído para a sua vitória eleitoral, por alguns momentos acreditamos que o seu governo, em relação ao anterior, representaria um avanço. Ainda antes de ser empossada, a senhora cuidou de descartar Celso Amorim, encerrando, assim, a política externa de &#8220;pragmatismo irresponsável&#8221; que ele representava. A gente passava vergonha lá fora com as diabruras do ex-chanceler. Ele que vá procurar emprego no Irã ou na Venezuela.</p>
<p>Essa sua atitude, presidente Dilma, contribuiu muito para incrementar o seu prestígio por aqui. Aumentou a nossa esperança no futuro. Também quando a senhora confrontou as centrais sindicais, no início do ano, a imagem que nos passou foi a de uma nova &#8220;dama de ferro&#8221;. E isso alimentou ainda mais os nossos bons augúrios.</p>
<p>Mas, vou ser sincero, é muito frustrante perceber que todas essas nossas expectativas estão se demonstrando vãs, em razão dos fatos ocorridos nos últimos tempos. O que parece é que os governantes da era lulista têm sido muito infelizes com as suas escolhas para a Casa Civil. Os que ousam sentar-se naquela cadeira quase sempre dela são ejetados. E ficam, para sempre, sob suspeita.</p>
<p>Todos nós sabemos, senhora presidente, que Antônio Palocci tem sido o seu principal auxiliar no governo. Como o foi também Erenice Guerra, na gestão anterior. E antes disso havia, ainda, José Dirceu. Pelo visto, somente a senhora, no posto, teve um comportamento irreprovável.</p>
<p>De duas, uma. Se a senhora realmente acredita que os dois primeiros sejam inocentes, saia imediatamente em defesa deles. Não se conhece nenhuma palavra sua nesse sentido. E ambos foram escolhidos pessoalmente pela senhora. Omitir-se, simplesmente, não lhe fica bem. Ou, então, se não pretende arder no inferno com eles, a senhora deve assumir que selecionar recursos humanos não é mesmo o seu forte. Cuide de bem administrar e delegue essa tarefa à alta burocracia do Estado, aos partidos que a apoiam ou &#8211; quem sabe &#8211; até mesmo a uma empresa de headhunting.</p>
<p>Mas, até agora, não se verificou nem uma coisa nem outra. Essa omissão acabou contribuindo para que a sua estrela esmaecesse e a de seu antecessor voltasse a brilhar.</p>
<p>Creio que é esse o ponto, senhora presidente. Todos nós, brasileiros &#8211; tendo ou não sufragado seu nome -, esperamos que a senhora se revele uma pessoa superior ao cidadão comum. Eu, pelo menos, tinha essa expectativa. Não a apoiei, mas entendia que, uma vez eleita, a senhora se imbuiria de sua missão. E com isso encorpasse, crescesse e ganhasse grandeza.</p>
<p>De um estadista, dona Dilma, não se requer, tão somente, que seja eficiente. É preciso, também, que seja eficaz. E que se mostre efetivo.</p>
<p>Superar-se, senhora presidente, não significa apenas pretender impor a sua vontade aos outros, mas também compreender que, na política &#8211; como na vida -, a gente não faz apenas o que quer, mas também aquilo que pode. Os parlamentares que estão no Congresso Nacional foram igualmente eleitos pelo voto popular. E, portanto, eles se sabem tão legítimos quanto a senhora. Não vale a pena confrontá-los.</p>
<p>É preciso ousadia, é certo. Como dizia Tancredo Neves, &#8220;ninguém chega ao Rubicão para pescar&#8221;. Nem para apenas molhar os pés.</p>
<p>Mas é preciso, também, saber conversar. E a senhora, pelo visto, não sabe e não quer dialogar com ninguém.</p>
<p>A História esta aí para mostrar: os governantes que fizeram a diferença foram todos excelentes negociadores. Criavam os seus consensos, compunham as suas maiorias e sabiam, enfim, como empolgar com os seus próprios enredos.</p>
<p>Por outro lado, na vigência da democracia, no último meio século, apenas três presidentes acreditaram ser possível governar sem o Parlamento: um renunciou, outro foi deposto e o terceiro acabou impedido</p>
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