Arquivo da categoria ‘Espaço Aberto do Estadão’

FHC ou Lula?

Publicado por João Mellão Neto Em 09 Apr 2011

João Melão Neto – O Estado de S.Paulo
Tendo concluído os primeiros cem dias de governo – período em que não é de bom tom louvar ou criticar qualquer gestão -, Dilma Rousseff já está começando a mostrar a que veio. Governar o Brasil não é fácil. Fernando Henrique Cardoso teria dito – no início de seu primeiro mandato, em 1995 – que estava tirando o trabalho de letra. Se falou realmente, não se sabe. Mas teve oito anos para se arrepender de tal bravata. Passou sua gestão inteira sendo duramente castigado pela “malvada da realidade”. Governar o Brasil não é fácil, não. O curioso é que todos os governantes da nossa História republicana – de Deodoro a Lula, passando por Getúlio Vargas, JK e os generais – iniciaram suas gestões com a convicção de que iriam se sair muito bem. Boas ideias e ótimas intenções nunca faltaram. E áulicos para exaltá-las, também não. Continue Lendo..

Quem está certo?

Publicado por João Mellão Neto Em 11 Mar 2011

A principal foto de propaganda do governo de Juscelino Kubitschek (JK) era uma em que ele, o presidente, aparecia, impávido, sobre diversas toras cerradas. O local, se não me engano, era o canteiro de obras da Rodovia Belém-Brasília. Simbolizava o triunfo do homem sobre a natureza. Um novo país que nascia, desbravando as matas, lutando contra a inércia e o fatalismo, dois estigmas desde sempre presentes em nossa cultura ibérica. Não existem determinismos, JK parecia dizer. Não desanimem! Tudo é possível aos homens que creem… Continue Lendo..

O ocaso das certezas

Publicado por João Mellão Neto Em 25 Feb 2011

“Democracia liberal”, “direitos humanos”, “economia de mercado”, esses são os nossos três principais valores. São eles que compõem o ethos da nossa civilização. Estamos de tal forma imbuídos deles que acreditamos não poder haver nenhum outro modelo político-econômico melhor do que esse. É a sociedade aberta, tão almejada e proclamada por todas as nações ocidentais. Continue Lendo..

Lula x FHC

Publicado por João Mellão Neto Em 31 Jan 2011

Quem foi melhor para o Brasil, FHC ou Lula? Creio que agora, com Dilma eleita e empossada, já se pode fazer uma avaliação isenta de paixões. Isso é importante porque as novas gerações só se recordam do governo Lula. O de FHC desenvolveu-se quando boa parte dos jovens atuais era criança. Eles não têm opinião formada sobre o que foi a gestão de Fernando Henrique Cardoso. Continue Lendo..

A lei e a ordem

Publicado por João Mellão Neto Em 14 Jan 2011

Meu filho do meio se formou em Direito no ano passado. Ele gosta de discutir comigo desde criança. Hoje em dia, eu debato com ele também por uma razão funcional. Para que venha a se tornar um bom advogado ele tem de dominar a arte de argumentar. E faço questão de levantar temas polêmicos. Assim ele já vai treinando e eu também. Continue Lendo..

Enquanto a revolução não vem

Publicado por João Mellão Neto Em 05 Jan 2011

Dilma Rousseff, durante a campanha eleitoral, não se cansou de afirmar: “A gente nunca pode apostar nas virtudes dos homens, porque todos os homens e mulheres são falhos. Precisamos apostar na virtude das instituições.” Ela diz ter ouvido esse pensamento do ex-ministro Márcio Thomaz Bastos. Continue Lendo..

Majestade perdida

Publicado por João Mellão Neto Em 08 Nov 2010

Em 1990, quando fui eleito deputado federal pela primeira vez, eu me recordo de que um profundo sentimento de orgulho se apossou de mim. Fato inédito em minha vida, pela primeira vez eu não era mais eu sozinho. A respaldar a minha individualidade, havia a delegação consciente e espontânea de milhares de cidadãos que escreveram o meu nome na cédula eleitoral (ainda não havia urnas eletrônicas). Esta maravilhosa sensação não pode ser descrita com palavras. Somente quem a vivenciou pode aquilatar o que ela significa. Essas centenas de milhares de pessoas não podem ser vistas como uma massa disforme. Cada indivíduo, ao menos para si, representa um universo completo, com sua história de vida, seus anseios, suas crenças, suas convicções. No ato de votar, cada um deles deposita toda a sua confiança em alguém. Alguém em quem acredita que carrega os mesmos valores que os seus. Alguém em quem aposta as suas esperanças. Alguém a quem delega a sua soberana vontade. Se esse alguém é você, creiam-me, há razões de sobra para sentir-se envaidecido. Continue Lendo..

O espetáculo do crescimento

Publicado por João Mellão Neto Em 28 Oct 2010

O espetáculo do crescimento David Landes e Peter Jay, ambos súditos da rainha Elisabeth, são os autores de dois dos melhores livros que li, nos últimos anos, sobre economia. A ciência econômica é uma matéria para lá de chata. Principalmente quando é escrita por economistas. Em todos os tempos, as obras mais significativas, nesse campo, foram redigidas por especialistas de outras áreas. Adam Smith, por exemplo, tido como o “pai da economia”, era um professor de filosofia moral. Marx, por sua vez, dedicou-se a estudar História. A economia, enquanto ciência isolada, não faz grande sentido. A não ser para os próprios professores de economia. Já no caso de Landes e Jay, eu não só os leio com os recomendo. Continue Lendo..

O Resgate Moral da América

Publicado por João Mellão Neto Em 26 Jul 2010

A eleição consagradora de um negro para ocupar a presidência dos Estados Unidos da América é um fenômeno que merece ser estudado. Barack Obama, de início, já tinha contra ele três obstáculos que o inviabilizavam. Ele não é um wasp (branco, anglo-saxão e protestante, na sigla em inglês) e, até hoje, o único eleito que não preencheu esses requisitos foi John Kennedy, que era católico. Obama só preenche um deles: é protestante. Outro óbice é a idade: os americanos raramente elegem alguém com menos de 50 anos. Obama, Bill Clinton e Kennedy foram os únicos a vencer esse preconceito, elegendo-se na faixa dos 40. Continue Lendo..

A força moral de um rei

Publicado por João Mellão Neto Em 05 Jul 2010

O que Hugo Chávez, o ditador da Venezuela, mais adora é participar de controvérsias em eventos internacionais. Isso lhe traz publicidade e, quase sempre, lhe permite roubar o espetáculo. Pois não foi assim que as coisas ocorreram duas semanas atrás, no encontro de cúpula ibero-americano? Quem lhe ordenou que se calasse foi Juan Carlos de Borbón y Borbón. Chávez não só silenciou como, o que é raro, ficou desconcertado. Explica-se: o que o intimidou, na verdade, foi o fato de ter sido repreendido por ninguém menos que Sua Majestade o rei de Espanha e este possui uma autoridade moral que ninguém ousa desafiar. Continue Lendo..

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