Exemplo de países e estados explorados por multinacionais: EUA, Alemanha, Japão, Taiwan, Singapura, São Paulo. Exemplo de países e estados não explorados por multinacionais: Albânia, Tanzânia, Moçambique, Bangladesh, Piauí. No início da década de 60, o sociólogo Paulo Martins, nacionalista convicto, redigiu um livreto de grande sucesso: Um Dia na vida de Brasilino. Nele contava a história de um cidadão brasileiro que acordava pela manhã ao som de um despertador suíço, escovava os dentes com uma pasta Kolynos, fazia seu desjejum com cereais de kellogs, ligava seu automóvel Volkswagen e partia rumo ao seu emprego na Philips, não sem antes cruzar com inúmeros out-doors de produtos de consumo produzidos por empresas também estrangeiras. Continue Lendo..
Arquivo da categoria ‘Brasil’
Os patrioteiros
O atalho é um caminho mais longo
“ Tudo Pelo Social é impossível. Alguma coisa terá que ir pelo elevador de serviço” O resgate da dívida social do Brasil é urgente e imprescindível. Esse Pais que sempre soube vencer seus desafios agora tem pela frente um enigma para o qual quatro gerações de ideólogos, do vermelho sangue ao verde oliva, não encontraram resposta satisfatória. Com 2.200 dólares de renda per capita muitos dos problemas sociais que nos afligem já deveriam ter sido resolvidos. Países com renda equivalente possuem índices de escolaridade, saúde pública e nutrição muito superiores aos nossos. Na década de 50 ainda era Possível ironizar as utopias distributivistas da onírica esquerda brasileira. Afinal, o único especialista em distribuir pães sem antes tê-los produzido já falecera há dois mil anos e, depois dele, a multiplicação de pães só vem podendo ser feita através da prévia multiplicação das padarias. O incremento da produção, durante três décadas, foi uma bandeira quase que unânime da sociedade. Hoje, infelizmente, para contentar a todos necessário erguer mais alguns mastros. Continue Lendo..
Em Busca de um Regan
“Ignorante não é aquele que nada sabe, mas aquele que não sabe o que devia saber” Ronald Reagan, ator medíocre, acaba de desempenhar o melhor papel de sua vida. Sua atuação em “Mr.President”, foi um estrondoso sucesso de bilheteria; a critica lhe torce o nariz. Essa mesma inteligência que endeusa Bergan enquanto Spielberg arrebata as platéias, não consegue entender o fenômeno Ron. Como pode um sujeitinho medíocre como o marido de Nancy dar certo em um campo onde tropeçam “primeiros da classe” como o Dr James Earl Carter? Lembra o famoso caso de Vitorino freire, homem forte do governo Dutra, ao receber uma homenagem no interior do Maranhão. Escalado para falar, o promotor da cidade, desafeto do homenageado, resolveu, sutilmente, desancá-lo: Continue Lendo..
Opção preferencial pela pobreza
“Ao deparar com uma jovem chorando à beira da estrada, Confúcio aproximou-se para saber a razão de tamanha tristeza.
- É o tigre, meu Sábio. Ele já destruiu nossa colheita, nosso rebanho, matou meu avô, meu pai e, mais cedo ou mais tarde, virá devorar-me!
- E por que não te mudas para a cidade?
- Aqui nós temos apenas o tigre, lá vós tendes o governo…”
( Parábola chinesa atribuída a Confúcio) Continue Lendo..
A tragédia do Neopopulismo
O ex-deputado federal Vilmar Rocha, de Goiás, foi presidente do Instituto Tancredo Neves (ITN) na época em que eu fui diretor, em meados dos anos 90. Grande sujeito, missão ingrata a dele. Explico: por força de lei, todos os partidos devem criar um instituto de estudos e pesquisas, para melhor fundamentarem seu posicionamento no Congresso. Até aí, tudo bem. Ocorre que, no Congresso, ninguém, em sã consciência, é capaz de dispor de um minuto sequer de seu tempo para discutir ideologia. Não que esta não seja importante. O problema é que, na prática, cada um adapta o discurso da maneira que quiser. Restamos nós, os bravos mosqueteiros do ITN, para formular, de maneira simplificada, simplória até, os postulados de nosso partido. Alguns, a esta altura, vão dizer que o PFL – hoje DEM – não tem ideologia. Acontece que o mesmo problema afligia todos os partidos, inclusive o (então vestal) Partido dos Trabalhadores. Continue Lendo..
O Gênio do Mal
Depois do meu período universitário, ele era incensado por todos. Daniel Dantas era conhecido como o jovem mais inteligente do Brasil. Discípulo preferido de Mário Henrique Simonsen na Fundação Getúlio Vargas (FGV), fazia uma carreira brilhante na iniciativa privada, trabalhando como consultor para grandes empresários do Rio de Janeiro e recebendo como paga fortunas astronômicas. Sempre ouvi falar dele com respeito e admiração. Por pouco não foi ele o ministro da Fazenda de Fernando Collor, no lugar de Zélia Cardoso de Mello. Algumas intrigas palacianas o impediram de assumir o cargo. Até então, ele era do bem. O que faz um homem mudar tanto de índole e personalidade? Quem cruzou com ele em meados da década de 90, encontrou uma pessoa totalmente diferente. Continue Lendo..
Quem tem medo da reforma tributária?
“O Estado não pode dar a ninguém algo que antes não tenha tirado de alguém.”
Essa assertiva parece óbvia, mas todos se esquecem dela quando o assunto é reforma tributária. O Estado, na cabeça de muitos, é um ente imaginário graças ao qual é possível todo mundo viver à custa de alguém. Nada mais justo, pelo menos do ponto de vista de cada um. Mas o Estado não produz riquezas, a não ser pelas poucas e pessimamente administradas empresas que ainda controla. No mais, a sua função é exclusivamente redistributiva: pela cobrança de impostos, taxas e “contribuições” ele acumula recursos que, ao menos teoricamente, despende em obras e serviços voltados para o bem comum. Acontece que, ao final das contas, ambos os lados ficam insatisfeitos. Quem pagou entende que pagou demais, quem recebeu acredita ter recebido de menos.
Para um governante, a tarefa mais ingrata é a de promover uma mudança efetiva nesse complexo sistema de extração de recursos, por um lado, e alocação de verbas, pelo outro. Continue Lendo..
Réquiem para o Senado
Foi, sem sombra de dúvida, o momento mais execrável de toda a história do Senado da República. Que dizer? Invejar Ali Babá por ter enfrentado apenas 40 ladrões? Pois deste lamentável escrutínio se sobressaíram 46. Os que inocentaram o réu e mais meia dúzia que sabia de antemão que, ao optar pela abstenção, estaria, na prática, engrossando o contingente da vilania e da canalha.
A República romana se encerrou assim, melancolicamente. O povo, já totalmente desencantado com a venalidade e a falta de credenciais morais dos membros do Senado, optou por entregar seu destino a Júlio César. Um complô, articulado por senadores, acabou por assassiná-lo, mas sua eliminação física de nada adiantou. Nos corações e mentes dos cidadãos já estava enraizada a idéia de transformar Roma num império. Continue Lendo..
O Gênio de Garanhuns
Esta semana ficou marcada, em Brasília, por um fenômeno inédito: a renovação da CPMF foi derrubada (dia 13) no Senado e, com isso, Lula perdeu a sua primeira batalha naquela Casa. Algo semelhante não ocorrera durante todo o tempo em que esteve à frente do Poder Executivo. Ele, sem dúvida, é um homem predestinado. Não enfrentou, até agora, nenhuma crise séria que pudesse abreviar o seu mandato. O cenário internacional não poderia ser-lhe mais positivo. Tem ampla maioria na Câmara dos Deputados e é aprovado por uma larga margem de brasileiros. Estamos vivenciando um momento paradoxal. Nós, da elite, estamos acostumados a associar a cultura à inteligência. Pois está aí o paradoxo: nosso presidente é, ao mesmo tempo, uma pessoa inteligente e ignorante. E essa insólita combinação, até agora, só lhe trouxe benefícios. Não são poucos os que o subestimam. Todos acreditam poder influenciar as suas decisões. Trata-se de um esforço vão. Ninguém, realmente, é capaz de “fazer a sua cabeça”. Continue Lendo..
A ética agora é roubar
Quando Fernando Henrique Cardoso, do alto de sua cátedra de sociólogo emérito, declarou, meses atrás, que a ¨ética do PT é roubar¨, não foram poucos os protestos escandalizados que ouviu. Hoje em dia, não haveria mais do que murmúrios envergonhados. Quando a corrupção grassa por toda parte, quando o próprio presidente empresta o seu prestígio para defender notórios larápios, é para começar a acreditar na cruel sentença do ex-presidente. Continue Lendo..



