Um ano antes da eleição em que, após outras três tentativas frustradas, Lula foi guindado à Presidência da República, o então novo marqueteiro do PT, Duda Mendonça, publicou um livro que merece ser ressaltado. O título é Casos e Coisas.Entre outras afirmações, Duda vaticinou que o Partido dos Trabalhadores, em função da coesão, da motivação e da uniformidade ideológica de seus membros, haveria, mais cedo ou mais tarde, de alcançar o poder nacional. Continue Lendo..
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Lula é Popular
O Resgate Moral da América
A eleição consagradora de um negro para ocupar a presidência dos Estados Unidos da América é um fenômeno que merece ser estudado. Barack Obama, de início, já tinha contra ele três obstáculos que o inviabilizavam. Ele não é um wasp (branco, anglo-saxão e protestante, na sigla em inglês) e, até hoje, o único eleito que não preencheu esses requisitos foi John Kennedy, que era católico. Obama só preenche um deles: é protestante. Outro óbice é a idade: os americanos raramente elegem alguém com menos de 50 anos. Obama, Bill Clinton e Kennedy foram os únicos a vencer esse preconceito, elegendo-se na faixa dos 40. Continue Lendo..
A tragédia do Neopopulismo
O ex-deputado federal Vilmar Rocha, de Goiás, foi presidente do Instituto Tancredo Neves (ITN) na época em que eu fui diretor, em meados dos anos 90. Grande sujeito, missão ingrata a dele. Explico: por força de lei, todos os partidos devem criar um instituto de estudos e pesquisas, para melhor fundamentarem seu posicionamento no Congresso. Até aí, tudo bem. Ocorre que, no Congresso, ninguém, em sã consciência, é capaz de dispor de um minuto sequer de seu tempo para discutir ideologia. Não que esta não seja importante. O problema é que, na prática, cada um adapta o discurso da maneira que quiser. Restamos nós, os bravos mosqueteiros do ITN, para formular, de maneira simplificada, simplória até, os postulados de nosso partido. Alguns, a esta altura, vão dizer que o PFL – hoje DEM – não tem ideologia. Acontece que o mesmo problema afligia todos os partidos, inclusive o (então vestal) Partido dos Trabalhadores. Continue Lendo..
O Gênio do Mal
Depois do meu período universitário, ele era incensado por todos. Daniel Dantas era conhecido como o jovem mais inteligente do Brasil. Discípulo preferido de Mário Henrique Simonsen na Fundação Getúlio Vargas (FGV), fazia uma carreira brilhante na iniciativa privada, trabalhando como consultor para grandes empresários do Rio de Janeiro e recebendo como paga fortunas astronômicas. Sempre ouvi falar dele com respeito e admiração. Por pouco não foi ele o ministro da Fazenda de Fernando Collor, no lugar de Zélia Cardoso de Mello. Algumas intrigas palacianas o impediram de assumir o cargo. Até então, ele era do bem. O que faz um homem mudar tanto de índole e personalidade? Quem cruzou com ele em meados da década de 90, encontrou uma pessoa totalmente diferente. Continue Lendo..
Quem tem medo da reforma tributária?
“O Estado não pode dar a ninguém algo que antes não tenha tirado de alguém.”
Essa assertiva parece óbvia, mas todos se esquecem dela quando o assunto é reforma tributária. O Estado, na cabeça de muitos, é um ente imaginário graças ao qual é possível todo mundo viver à custa de alguém. Nada mais justo, pelo menos do ponto de vista de cada um. Mas o Estado não produz riquezas, a não ser pelas poucas e pessimamente administradas empresas que ainda controla. No mais, a sua função é exclusivamente redistributiva: pela cobrança de impostos, taxas e “contribuições” ele acumula recursos que, ao menos teoricamente, despende em obras e serviços voltados para o bem comum. Acontece que, ao final das contas, ambos os lados ficam insatisfeitos. Quem pagou entende que pagou demais, quem recebeu acredita ter recebido de menos.
Para um governante, a tarefa mais ingrata é a de promover uma mudança efetiva nesse complexo sistema de extração de recursos, por um lado, e alocação de verbas, pelo outro. Continue Lendo..
Réquiem para o Senado
Foi, sem sombra de dúvida, o momento mais execrável de toda a história do Senado da República. Que dizer? Invejar Ali Babá por ter enfrentado apenas 40 ladrões? Pois deste lamentável escrutínio se sobressaíram 46. Os que inocentaram o réu e mais meia dúzia que sabia de antemão que, ao optar pela abstenção, estaria, na prática, engrossando o contingente da vilania e da canalha.
A República romana se encerrou assim, melancolicamente. O povo, já totalmente desencantado com a venalidade e a falta de credenciais morais dos membros do Senado, optou por entregar seu destino a Júlio César. Um complô, articulado por senadores, acabou por assassiná-lo, mas sua eliminação física de nada adiantou. Nos corações e mentes dos cidadãos já estava enraizada a idéia de transformar Roma num império. Continue Lendo..
O Gênio de Garanhuns
Esta semana ficou marcada, em Brasília, por um fenômeno inédito: a renovação da CPMF foi derrubada (dia 13) no Senado e, com isso, Lula perdeu a sua primeira batalha naquela Casa. Algo semelhante não ocorrera durante todo o tempo em que esteve à frente do Poder Executivo. Ele, sem dúvida, é um homem predestinado. Não enfrentou, até agora, nenhuma crise séria que pudesse abreviar o seu mandato. O cenário internacional não poderia ser-lhe mais positivo. Tem ampla maioria na Câmara dos Deputados e é aprovado por uma larga margem de brasileiros. Estamos vivenciando um momento paradoxal. Nós, da elite, estamos acostumados a associar a cultura à inteligência. Pois está aí o paradoxo: nosso presidente é, ao mesmo tempo, uma pessoa inteligente e ignorante. E essa insólita combinação, até agora, só lhe trouxe benefícios. Não são poucos os que o subestimam. Todos acreditam poder influenciar as suas decisões. Trata-se de um esforço vão. Ninguém, realmente, é capaz de “fazer a sua cabeça”. Continue Lendo..
A força moral de um rei
O que Hugo Chávez, o ditador da Venezuela, mais adora é participar de controvérsias em eventos internacionais. Isso lhe traz publicidade e, quase sempre, lhe permite roubar o espetáculo. Pois não foi assim que as coisas ocorreram duas semanas atrás, no encontro de cúpula ibero-americano? Quem lhe ordenou que se calasse foi Juan Carlos de Borbón y Borbón. Chávez não só silenciou como, o que é raro, ficou desconcertado. Explica-se: o que o intimidou, na verdade, foi o fato de ter sido repreendido por ninguém menos que Sua Majestade o rei de Espanha e este possui uma autoridade moral que ninguém ousa desafiar. Continue Lendo..
A ética agora é roubar
Quando Fernando Henrique Cardoso, do alto de sua cátedra de sociólogo emérito, declarou, meses atrás, que a ¨ética do PT é roubar¨, não foram poucos os protestos escandalizados que ouviu. Hoje em dia, não haveria mais do que murmúrios envergonhados. Quando a corrupção grassa por toda parte, quando o próprio presidente empresta o seu prestígio para defender notórios larápios, é para começar a acreditar na cruel sentença do ex-presidente. Continue Lendo..
Índio não quer mais só apito
Já sou velho o suficiente para não me deixar encantar pelas ilusões românticas com que pretendem nos envolver exaustivamente, por intermédio da mídia. Agora mesmo, por exemplo, sou obrigado a tomar conhecimento, pelos jornais, de que a eterna pendenga relativa à reserva indígena Raposa Serra do Sol permanece inconclusa. É isso mesmo: há um novo conflito à vista entre índios e arrozeiros nos confins do Estado de Roraima. Não há nada mais tedioso do que esses recorrentes confrontos. Continue Lendo..



