Já sou velho o suficiente para não me deixar encantar pelas ilusões românticas com que pretendem nos envolver exaustivamente, por intermédio da mídia. Agora mesmo, por exemplo, sou obrigado a tomar conhecimento, pelos jornais, de que a eterna pendenga relativa à reserva indígena Raposa Serra do Sol permanece inconclusa. É isso mesmo: há um novo conflito à vista entre índios e arrozeiros nos confins do Estado de Roraima. Não há nada mais tedioso do que esses recorrentes confrontos. Continue Lendo..
Arquivo da categoria ‘Artigos Antigos’
Índio não quer mais só apito
Um bravateiro incorrigível
Para quem assistiu à sua lastimável pregação na sua primeira campanha presidencial, em 1989, verdade seja dita, Lula não tem sido um mandatário tão inconseqüente e irresponsável como se esperava. Continue Lendo..
Somos das elites, sim!
Se você se formou em alguma faculdade; se você, por acaso, aprendeu mais de um idioma; se você é um profissional liberal bem-sucedido ou ocupa um cargo elevado na empresa em que trabalha, cuidado. Esconda os seus diplomas no armário, jamais torne a usar os seus ternos sob medida e trate de comprar um carro velho ou popular. Demonstrar mérito ou ostentar sinais de prosperidade, no Brasil, agora é pecado. Essas coisas significam que você faz parte das nossas pérfidas elites e, portanto, carrega consigo grande parte da culpa pela miséria em que vive razoável parcela da população. Continue Lendo..
Mitos políticos do Brasil
Não há nada mais tedioso do que assistir a discursos políticos no Brasil. Invariavelmente, da mais revolucionária esquerda a mais reacionária direita, todos eles são calcados em princípios morais e éticos que, devidamente decodificados, em nada diferem da doutrina religiosa católica, em seus anjos e demônios, pecados e virtudes, infernos e paraísos. É compreensível que assim seja. A razão e sim o coração. Este só é atingido através dos mitos. E a mitologia disponível, de circulação livre e consensual, é justamente aquela que a Igreja nos ensinou. Continue Lendo..
No inferno de Dante
Como choram os petistas! Os corruptos, em geral, não se debulham em lágrimas quando são flagrados. Preferem as argumentações eivadas de cinismo. Na petelândia, não. Os emotivos próceres do partido caem em prantos. Na semana passada a TV mostrou um discurso em Goiânia no qual o tesoureiro Delúbio Soares, envolvido até a alma nos escândalos, chorava copiosamente ao afirmar que nada fizera de errado, que todas as suas ações foram em prol do partido e que tudo não passava de um golpe das elites. Ao se afastar da Executiva do partido, na terça-feira, pretextou ter-se conduzido sempre “com seriedade e honestidade” e a prova disso seria o seu “reduzido patrimônio”. Continue Lendo..
Vão todos para o inferno
De acordo com a doutrina católica, Deus perdoa os arrependidos. No PT, o Misericordioso não encontrará a quem perdoar. Ninguém se arrepende de nada. Ao contrário, ninguém admite sequer que tenha feito algo de errado. É compreensível. A santa bíblia petista tem fortes influências do catolicismo de esquerda, mas também foi redigida pelos profetas da dialética, tais como Heráclito, Hegel e Marx. A parcela cristã é dogmática. Já a dialética permite uma certa “licença poética” a seus exegetas. Trata-se de uma subversão da lógica formal. De acordo com ela, o que é pode não ser, o que não é pode vir a ser e tudo o que existe pode deixar de existir. Os petistas se proclamam cristãos, mas aprenderam a pensar pela cartilha da dialética. Enganam-se a si próprios, acreditam enganar o próximo e pretendem enganar a Deus. O problema é que o Todo-Poderoso, segundo as escrituras, pode ser tudo menos um dialético. Ele é onisciente, esqueceram? E, se Ele sabe tudo, não se vai deixar confundir por essa enganosa lógica de botequim. No Juízo Final não há espaço para a prática do contraditório. Os petistas irão todos diretamente para o Inferno. O Demo, ele, sim, é chegado a relativismos e tertúlias de cunho filosófico… Continue Lendo..
40 milhões de paulistas
Ostento, na parede de meu escritório, uma preciosidade. Um quadro, com o poema Nossa Bandeira, a mim dedicado pelo autor, Guilherme de Almeida. Éramos contraparentes. Como um padrinho, ele se dava ao trabalho de ler as minhas poesias de adolescente e me augurava um futuro de escritor. Era um apaixonado por São Paulo e sua gente. Ele se emocionava ao falar de nossa terra. Eu ainda era menino. Somente anos mais tarde vim a compreender, à plenitude, o sentimento brioso daquele que foi o maior de nossos poetas. Continue Lendo..
Bandeirantes e Imigrantes
Alguns anos atrás, ao conversar com um taxista em Roma, ele me confessou que, apesar de ter nascido na cidade, não podia dizer-se romano. “Só são consideradas romanas as famílias que estão no mínimo há sete gerações aqui”, explicou. Fiz as contas: sete gerações vezes 25 anos cada uma dá um total de 175 anos! Quando lhe disse que, para ser paulistano, basta apenas residir em São Paulo, ele não acreditou. Continue Lendo..
O dia das mães
Peço desculpas ao Júlio César Mesquita, meu chefe. Minha obrigação das sexta feiras é escrever sobre economia e política. Mas hoje, rompendo parcialmente nosso trato, arriscarei desenvolver um tema diferente. Continue Lendo..
Pobres vítimas da sociedade
A opinião pública acompanhou, estarrecida, o desenrolar do caso. Só para recordar, um casal de estudantes, Felipe, de 19 anos, e Liana, de 16 – a idade de meus filhos -, saíram no fim de semana para acampar num sítio na região de Juquitiba. Pelo que já se sabe, ambos foram interceptados pelo “de menor” Champinha, auxiliado por mais dois ou quatro comparsas. Eles queriam dinheiro. O casal de adolescentes não tinha. Levaram as vítimas para uma casa abandonada, onde as interrogaram. Pretendiam pedir resgate. Quando descobriram que a família de Felipe não tinha posses, levaram-no para uma ribanceira e o assassinaram friamente com um tiro na nuca. O destino de Liana seria diferente. Ela ficou mais três dias em poder dos bandidos. Acredita-se que tenha sido violentada por todos. Após desistirem do resgate, levaram-na para a beira de um riacho, onde foi barbaramente degolada e esfaqueada. Atribui-se a Champinha, o menor de idade, a execução da jovem (16 anos!) com 14 golpes de faca, no rosto, no peito e nas costas. Perpetrou-se, assim, mais um crime cruel, hediondo, revoltante e calculadamente premeditado. Continue Lendo..



