Arquivo da categoria ‘Artigos Antigos’

Somos das elites, sim!

Publicado por João Mellão Neto Em 18 Jun 2010

Se você se formou em alguma faculdade; se você, por acaso, aprendeu mais de um idioma; se você é um profissional liberal bem-sucedido ou ocupa um cargo elevado na empresa em que trabalha, cuidado. Esconda os seus diplomas no armário, jamais torne a usar os seus ternos sob medida e trate de comprar um carro velho ou popular. Demonstrar mérito ou ostentar sinais de prosperidade, no Brasil, agora é pecado. Essas coisas significam que você faz parte das nossas pérfidas elites e, portanto, carrega consigo grande parte da culpa pela miséria em que vive razoável parcela da população. Continue Lendo..

Mitos políticos do Brasil

Publicado por João Mellão Neto Em 14 Jun 2010

Não há nada mais tedioso do que assistir a discursos políticos no Brasil. Invariavelmente, da mais revolucionária esquerda a mais reacionária direita, todos eles são calcados em princípios morais e éticos que, devidamente decodificados, em nada diferem da doutrina religiosa católica, em seus anjos e demônios, pecados e virtudes, infernos e paraísos. É compreensível que assim seja. A razão e sim o coração. Este só é atingido através dos mitos. E a mitologia disponível, de circulação livre e consensual, é justamente aquela que a Igreja nos ensinou. Continue Lendo..

No inferno de Dante

Publicado por João Mellão Neto Em 10 Jun 2010

Como choram os petistas! Os corruptos, em geral, não se debulham em lágrimas quando são flagrados. Preferem as argumentações eivadas de cinismo. Na petelândia, não. Os emotivos próceres do partido caem em prantos. Na semana passada a TV mostrou um discurso em Goiânia no qual o tesoureiro Delúbio Soares, envolvido até a alma nos escândalos, chorava copiosamente ao afirmar que nada fizera de errado, que todas as suas ações foram em prol do partido e que tudo não passava de um golpe das elites. Ao se afastar da Executiva do partido, na terça-feira, pretextou ter-se conduzido sempre “com seriedade e honestidade” e a prova disso seria o seu “reduzido patrimônio”. Continue Lendo..

Vão todos para o inferno

Publicado por João Mellão Neto Em 01 Jun 2010

De acordo com a doutrina católica, Deus perdoa os arrependidos. No PT, o Misericordioso não encontrará a quem perdoar. Ninguém se arrepende de nada. Ao contrário, ninguém admite sequer que tenha feito algo de errado. É compreensível. A santa bíblia petista tem fortes influências do catolicismo de esquerda, mas também foi redigida pelos profetas da dialética, tais como Heráclito, Hegel e Marx. A parcela cristã é dogmática. Já a dialética permite uma certa “licença poética” a seus exegetas. Trata-se de uma subversão da lógica formal. De acordo com ela, o que é pode não ser, o que não é pode vir a ser e tudo o que existe pode deixar de existir. Os petistas se proclamam cristãos, mas aprenderam a pensar pela cartilha da dialética. Enganam-se a si  próprios, acreditam enganar o próximo e pretendem enganar a Deus. O problema é que o Todo-Poderoso, segundo as escrituras, pode ser tudo menos um dialético. Ele é onisciente, esqueceram? E, se Ele sabe tudo, não se vai deixar confundir por essa enganosa lógica de botequim. No Juízo Final não há espaço para a prática do contraditório. Os petistas irão todos diretamente para o Inferno. O Demo, ele, sim, é chegado a relativismos e tertúlias de cunho filosófico… Continue Lendo..

40 milhões de paulistas

Publicado por João Mellão Neto Em 27 May 2010

Ostento, na parede de meu escritório, uma preciosidade. Um quadro, com o poema Nossa Bandeira, a mim dedicado pelo autor, Guilherme de Almeida. Éramos contraparentes. Como um padrinho, ele se dava ao trabalho de ler as minhas poesias de adolescente e me augurava um futuro de escritor. Era um apaixonado por São Paulo e sua gente. Ele se emocionava ao falar  de nossa terra. Eu ainda era menino. Somente anos mais tarde vim a compreender, à plenitude, o sentimento brioso daquele que foi o maior de nossos poetas. Continue Lendo..

Bandeirantes e Imigrantes

Publicado por João Mellão Neto Em 13 May 2010

Alguns anos atrás, ao conversar com um taxista em Roma, ele me confessou que, apesar de ter nascido na cidade, não podia dizer-se romano. “Só são consideradas romanas as famílias que estão no mínimo há sete gerações aqui”, explicou. Fiz as contas: sete gerações vezes 25 anos cada uma dá um total de 175 anos! Quando lhe disse que, para ser paulistano, basta apenas residir em São Paulo, ele não acreditou. Continue Lendo..

O dia das mães

Publicado por João Mellão Neto Em 03 May 2010

Peço desculpas ao Júlio César Mesquita, meu chefe. Minha obrigação das sexta feiras é escrever sobre economia e política. Mas hoje, rompendo parcialmente nosso trato, arriscarei desenvolver um tema diferente. Continue Lendo..

Pobres vítimas da sociedade

Publicado por João Mellão Neto Em 29 Apr 2010

 A opinião pública acompanhou, estarrecida, o desenrolar do caso. Só para recordar, um casal de estudantes, Felipe, de 19 anos, e Liana, de 16 – a idade de meus filhos -, saíram no fim de semana para acampar num sítio na região de Juquitiba. Pelo que já se sabe, ambos foram interceptados pelo “de menor” Champinha, auxiliado por mais dois ou quatro comparsas. Eles queriam dinheiro. O casal de adolescentes não tinha. Levaram as  vítimas para uma casa abandonada, onde as interrogaram. Pretendiam pedir resgate. Quando descobriram que a família de Felipe não tinha posses, levaram-no para uma ribanceira e o assassinaram friamente com um tiro na nuca. O destino de Liana seria diferente. Ela ficou mais três dias em poder dos bandidos. Acredita-se que tenha sido violentada por todos. Após desistirem do resgate, levaram-na para a beira de um riacho, onde foi barbaramente degolada e esfaqueada. Atribui-se  a Champinha, o menor de idade, a execução da jovem (16 anos!) com 14 golpes de  faca, no rosto, no peito e nas costas. Perpetrou-se, assim,  mais um crime cruel,  hediondo, revoltante e  calculadamente premeditado. Continue Lendo..

O grande e verdadeiro amor

Publicado por João Mellão Neto Em 02 Apr 2010

“… Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos têm ódio, orai por aqueles que vos perseguem…”
Sermão da Montanha – Jesus Cristo
Jesus proferiu essas palavras alguns dias antes de morrer, quase dois mil anos atrás. Muitas religiões nasceram e morreram antes e depois de sua passagem. Mesmo aqueles que não professam a fé cristã hão de admitir que ela tem algo de sagrado e divino, eis que venceu o implacável teste do tempo. Mais de 80 gerações se sucederam e a cristandade sobrevive. Ela abrange mais de um terço da humanidade. Continue Lendo..

A Estrada de Damasco

Publicado por João Mellão Neto Em 30 Mar 2010

Domingo pela manhã, eu lia os jornais quando meu filho Ricardo, de 17 anos, em silêncio, se sentou ao meu lado. Ele sempre faz isso quando quer esclarecer alguma dúvida. Fechei o “Estadão” e me prontifiquei a ouvi-lo.
_Pai, você acredita, realmente, que Cristo existiu?
O Ricardo esperava de mim respostas consistentes. Quando somos crianças nos ensinam o catecismo através de conceitos muito infantis. Quando nós crescemos e as dúvidas surgem não há mais ninguém ali para dirimi-las.
Eu não poderia me furtar ao desafio. Preparei-me mentalmente para uma conversa longa e difícil. A missão era nobre. Faria pelo meu filho algo que não fizeram por mim: falar sobre Cristo de uma forma adulta.
_ Meu filho, na sua idade, eu era quase ateu. Mas chegou o dia em que, sem perceber, eu percorri a estrada de Damasco… Cedo ou tarde, todos nós temos que percorrê-la…
_ Que estrada é essa, pai?
_ Damasco é uma cidade, hoje, capital da Síria. Foi a caminho dela, lá pelo ano 35, que Saulo, um cidadão romano, viu-se, frente a frente com Jesus. Através de uma luz que desceu do céu, Cristo o convocou para o seu serviço. Saulo, até então um perseguidor de cristãos, caiu por terra e ficou cego por dias.
_ Saulo converteu-se ao cristianismo?
_ Mais do que isso, meu filho. Ele foi incumbido de uma grande missão, algo que mudaria o curso da História.
Jesus estava morto. Seus apóstolos e seguidores haviam presenciado os fatos mais impressionantes de toda a história humana, mas atônitos, estupefatos, não ousavam interpretá-lo. Não havia ainda uma doutrina cristã e o Grande Milagre não repercutira além das fronteiras da Palestina. O cristianismo poderia se extinguir por ali. Cabia a Saulo, a missão de salvá-lo. Ele haveria de interpretá-lo, sistematizá-lo e propagá-lo por toda a Humanidade.
Saulo foi batizado como Paulo e é hoje o nosso São Paulo. Ele, então, tinha as mesmas preocupações que você. Como fazer para que todos os povos, das mais diferentes culturas, acreditassem em Cristo?
Ele tentou, de início, persuadi-los com argumentos racionais. Pregou aos atenienses, no Areópago, e tudo o que conseguiu foi ser zombado e ridicularizado.
Retirou-se de Atenas humilhado. Como era possível? Se ele tinha tanta fé em Jesus Cristo, porque não conseguia levá-la aos outros?
Fé… Era esta a resposta! Naqueles tempos havia deuses demais. Todos eles imaginários, cada qual com a sua história, e todas as histórias eram plausíveis.
Mas Cristo, não! A idéia de um Deus que se fez homem e – apesar de todo o seu poder – submeteu-se a morrer na cruz; não era uma noção racional. A idéia de um Deus que se deixou martirizar para redimir os pecados de seus algozes, tampouco era algo plausível.
A história de Cristo era absurda e, assim sendo, não podia ser fruto da imaginação. Por ser absurda só poderia ser verdadeira!
São Paulo, então, decidiu abandonar os argumentos. Não era preciso provar. Passou a pregar unicamente com base na fé. Era a fé que justificava Cristo. E somente pela fé os homens se salvariam.
Foi assim que São Paulo converteu povos, arrastou multidões e fundou uma religião universal.
Meu filho, a essa altura, já se mostrava sensibilizado. Mas algo, ainda, o incomodava.
_Pai, por mais que tenha fé em Cristo eu não consigo assimilar a sua mensagem. Como é possível amar até mesmo aos nossos inimigos?
_ Filho, há três níveis de amor: o nível inferior é a paixão. Não é uma virtude, visto que é egoísta. Queremos alguém para nós, somente para nós e não suportamos a idéia de ver esse alguém feliz nos braços de outro. O segundo nível é o amor, em si. É o amor desprendido, o amor não possessivo. É o amor que os pais têm pelos filhos; que os casais mais maduros nutrem entre si. O bem do outro é o nosso bem; a felicidade do outro é a nossa própria felicidade. Esse amor já é uma virtude, pois implica em renúncia. Mas ainda há nele algo de egoísta. A mãe, que ama o seu filho, com certeza não ama os filhos das demais. O nível superior, o mais sublime, é o amor cristão. O amor revelado na Cruz. Amamos a todos porque amamos a Deus e porque sabemos que Deus ama indistintamente a todos. Este sim é o verdadeiro amor. E somente São Paulo, sob inspiração divina, soube interpretá-lo.
Li em voz alta para o meu filho:
“Ainda que eu fale a língua dos anjos, se não tiver amor não serei mais que o sino que soa ou o címbalo que retine. Ainda que eu tenha a plenitude da fé, se não tiver amor nada serei.
O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha.
O amor não maltrata, não procura seus interesses, não se ira nem guarda rancor.
O amor tudo protege, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
As profecias desaparecerão, as línguas cessarão, o conhecimento passará.
Só o amor nunca perece.
Do que é Perfeito, agora, vemos apenas um reflexo obscuro, como em um espelho. Mas chegará o tempo em que O veremos face a face. Agora O conheço em parte; então O conhecerei plenamente, da mesma forma como sou por Ele plenamente conhecido.
Agora, pois, permanecem fé, esperança e amor, estas três coisas: porém a maior delas é o amor.”
Ao final, o silêncio. Meu filho estava comovido. Eu o pusera na estrada de Damasco.
Daqui em diante ele terá de percorrê-la sozinho. Cumpri a minha missão. Ad majorem gloriam Dei. Continue Lendo..

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