“Ignorante não é aquele que nada sabe, mas aquele que não sabe o que devia saber” Ronald Reagan, ator medíocre, acaba de desempenhar o melhor papel de sua vida. Sua atuação em “Mr.President”, foi um estrondoso sucesso de bilheteria; a critica lhe torce o nariz. Essa mesma inteligência que endeusa Bergan enquanto Spielberg arrebata as platéias, não consegue entender o fenômeno Ron. Como pode um sujeitinho medíocre como o marido de Nancy dar certo em um campo onde tropeçam “primeiros da classe” como o Dr James Earl Carter? Lembra o famoso caso de Vitorino freire, homem forte do governo Dutra, ao receber uma homenagem no interior do Maranhão. Escalado para falar, o promotor da cidade, desafeto do homenageado, resolveu, sutilmente, desancá-lo:
- Eis aqui Vitorino, senador da República, glória do Nordeste! Esse homem ignorante, que mal terminou o ginásio, chegou onde chegou! O que seria se ele tivesse estudado?
- Com certeza promotor, aqui no Maranhão – respondeu o Vitorino.
O velho senador, apesar da pouca cultura, sabia o que devia saber, quatro ou cinco obviedades que a vida ensina, mas os livros desconhecem. O sucesso de Reagan não nasce das letras mas sim do bom senso. Quando tantos arquitetavam, através do Estado, soluções sofisticadas para os problemas da sociedade, Reagan, com a ousadia própria dos ignorantes, levantou a dúvida crucial: não seria o problema o próprio Estado? Era. Tanto que trabalhando por TRÊS horas por dia, errando nomes e datas, cometendo gafes através do mundo, Ronald Reagan aposenta-se como um dos maiores e mais populares presidentes dos EUA. Como Alexandre Magno, ao invés de quebrar a cabeça estudando formas de desatar o nó Gordio, optou pela solução mais simples: cortá-lo com a espada.
O Brasil sente falta de um Reagan. Vamos todos às urnas, no fim do ano, para escolher o presidente do Brasil. Há candidatos de direita e candidatos de esquerda. Os primeiros acenam com a moralização e a recuperação da autoridade do Estado. Os segundo sonham utilizá-lo para suprimir as desigualdades sociais. Ninguém ousa afirmar que o Estado é a ferramenta mas o principal empecilho para a moralização dos costumes, a recuperação da autoridade dos governantes e o resgate da miséria social do Brasil. Vamos por partes. Em primeiro a questão da moralidade. Apesar de todos indignarem-se contra a corrupção, a ninguém ocorre o fato de ela não ser uma causa mas sim um efeito. Prendam-se todos os corruptos do Brasil e, instantaneamente , uma nova leva os substituirá. Nosso Estado, grandioso, onisciente, onipresente, teima em criar leis, normas e regulamentos para controlar e dirigir tudo o que existe em nossa sociedade. Há uma imensa brecha entre o que a legislação exige e o que a realidade impõe.
O mercado odeia o vácuo. Daí a surgirem burocratas “compreensivos” e “maleáveis” é apenas um passo. São os verdadeiros salvadores da pátria. Profissionais competentes, espertos, os quais, mediante um justo “pro labore” se dispõem a apressar um processo, aprovar uma planta, ou fazer vistas grossas em uma vistoria.
O Estado compra, contrata, empreita, mas tem o péssimo hábito de não pagar em dia. Seus “clientes” sabem disso e vêem-se obrigados a embutir no preço os juros de mora e o risco de inadimplência. Como fazê-lo ? Ora, sempre haverá um amigo “de dentro” para ajeitar a licitação, garantir os reajustes e, mediante um pequeno deságio, salvar o débito na data aprazada. Assume o poder uma equipe honesta. O primeiro escalão não faz concessões. Alguém do segundo tratará de fazê-las. O segundo também é honesto; a tarefa fica para o terceiro. E assim por diante até Office-boy. São todos incorruptíveis? Tanto pior. A economia simplesmente quebra pela clara impossibilidade de se cumprir as leis.
Em segundo lugar, vem a questão da autoridade. Diz o bom senso que, quando mais de uma pessoa é responsável por uma tarefa, nenhuma na verdade o é. O Estado é uma casa sem dono. Os inquilinos passam, mas a criadagem permanece. Na maioria dos casos é indemissível. Comprometê-la com as metas do governante de plantão é tarefa praticamente impossível. O governante esbraveja, dá socos na mesa, exige contenção de gastos. O encarregado da máquina Xerox não está nem ai com o discurso. Seu universo de valores é outro. Mais cedo ou mais tarde o “chefe acaba caindo na real”. Autoridade é uma via de duas mãos. De nada adianta um chefe que goste de mandar se há subordinados que não gostam de obedecer.
Por último a questão da justiça social. O Estado, como se sabe, não cria riquezas. Apenas as repassa. Como administrador e repassador de recursos é um desastre. Em um fenômeno de “subcondutividade”, dispersa em meio ao caminho nove décimos da energia que recebe. A esquerda, ao propor-se e usá-lo para acabar com a miséria, talvez desconheça recente relatório do Banco Mundial que da conta de que, no Brasil, 17% do PIB são dispendidos na “área social”. São mais de 50 bilhões de dólares ao ano. Se não houvesse a “eficiente” intermediação do Estado, tal quantia resultaria em uma “mesada” suficiente para cada um dos 140 milhões de brasileiros tirar sua barriga da miséria.Precisamos, urgentemente, de um Ronald Reagan. Abençoada seja a sua ignorância.
Artigo escrito em 10 de fevereiro de 1989 extraído do Livro: Nu com a mão no bolso.




TEXTO DE UMA CLAREZA INIGUALÁVEL.
PARABENS E REPASSANDO
Caro João Mellão, concordo com sua posição que o Estado deve agir tão somente em Saúde, Educação e Segurança Pública, e quando muito em algumas atividades onde a iniciativa privada não quer investir e há necessidade efetiva. Se todos nossos políticos e jornalistas tivessem uma visão moderna e arrojada nosso País já estaria anos a frente
Muito claro isso. Atualmente o estado está criando mais uma. A lei de classificação dos hotéis. Já teve isso e morreu de inanição. Mas lá vem de novo e no “vacuo”, virão os fiscais, as assessorias, os despachantes etc…. Não aprendemos nunca.
Meu voto, e certamente do meu pai são seus. Precisamos de luz, no caminho.Contamos com gente séria, profissional e esclarecida.