Quase ninguém se encoraja a abordar esse tema, mas é preciso que seja dito: o papel que o Brasil vem exercendo na diplomacia internacional é visto pelos especialistas como tolo e ingênuo, além de macular a nossa autoimagem de país sério.
Aqui, na América do Sul, onde a nossa maior praga política, o populismo, renasce com força, não somos vistos como uma liderança, como deseja o governo. Quase todos os nossos vizinhos nos encaram como “o primo rico”. Ou seja, aquele que tem sempre a obrigação de “pagar a conta”.
O Chile – nosso atualmente único colega de subcontinente em condições de chegar ao Primeiro Mundo – nos ignora.
Já a Argentina – que foi realmente uma potência mundial até meados do século passado – vive nos chantageando para que o Mercosul não seja desmantelado. A todo momento o governo platense apresenta uma nova barreira comercial protecionista contra os produtos de exportação brasileiros, sob o enganoso pretexto de estar protegendo a sua economia nacional e seus interesses contra a “falta de simetria econômica” entre as duas nações. Ou seja, o mercado interno brasileiro está – e assim tem de permanecer – escancarado às investidas dos poucos produtos argentinos que têm preço competitivo. Já o mercado argentino está travado por barreiras contra o Brasil. “Muy hermanos” esses nossos vizinhos. Mas os problemas que eles nos criam se resumem a isso. O governo “peronista” de Christina Kirchner não precisa de uma “mãozinha” política do Brasil. Os argentinos são muito orgulhosos e não aceitam favores desse tipo provenientes dos brasileiros.
Com relação à Venezuela, é diferente. Hugo Chávez praticamente comprou a simpatia e a boa vontade dos argentinos. Para tanto se dispôs a assumir razoável parcela da dívida interna argentina. A Venezuela dispõe de recursos suficientes para tais atos de generosidade. Eles provêm do seu petróleo. Com tais divisas disponíveis, o “bolivarianismo” – o novo socialismo latino-americano – está sendo exportado para todo o continente. E, atualmente, os grandes líderes políticos da região são os venezuelanos, e não os brasileiros.
Seria natural que nós usufruíssemos tal condição. Afinal, o Brasil é o maior país do continente latino-americano – tanto em extensão territorial como em população e também em poder econômico. Mas a opção de nossos atuais governantes tem sido a de alimentar a nossa “consciência pesada” com relação aos nossos vizinhos. E eles bem sabem se aproveitar disso.
Evo Morales, na Bolívia, chegou ao poder com um discurso claramente antibrasileiro. Segundo ele, o Brasil, no passado, teria abusado da boa-fé boliviana para comprar o Acre “pelo preço de um cavalo”. Como pouca gente, por aqui, conhece bem a História, a versão pegou. E serve, agora, para alimentar nos brasileiros um insuportável sentimento de culpa.
Obviamente, não foi bem assim. E o que estamos pagando à Bolívia como uma forma de compensação tardia tem um preço muito elevado. Compramos o gás natural que eles produzem. O problema é que a nossa produção interna de gás é mais do que suficiente para atender às demandas da economia. O gás proveniente da Bolívia está literalmente sobrando. Mas jamais nos ocorreu suspender o contrato. E os líderes bolivianos vão, para sempre, continuar falando mal da gente.
No Brasil, as nossas esquerdas sempre alimentaram o discurso antiamericano. Ninguém percebe, por aqui, que, para os nossos vizinhos, os grandes imperialistas não são os norte-americanos, mas sim os brasileiros.
O atual governo do Equador, que apregoa ser nacionalista, começou a sua gestão estatizando várias empresas brasileiras. Foi uma atitude que pegou bem por lá. Ainda mais porque os nossos dirigentes aceitaram isso sem reclamar.
Agora, no Paraguai, o ex-bispo “progressista” Fernando Lugo venceu as eleições presidenciais prometendo renegociar o contrato de Itaipu, mais do que decuplicando o preço que o Brasil paga pela sua energia. Ainda não aconteceu nada, mas as nossas autoridades já deram seguidas demonstrações de que a boa vontade brasileira com relação ao pleito é imensa.
O apoio incondicional que o nosso governo tem dado a Hugo Chávez contradiz, na prática, o compromisso brasileiro com a democracia e as suas instituições. O mesmo argumento vale para Cuba. O nosso governo, para tanto, faz vista grossa a todos os atentados aos direitos humanos que por lá ocorrem.
Resultado: não logramos ser líderes de nada, na América Latina. Passamos até por alguns ridículos, como o de Honduras.
O nosso presidente foi convencido a visitar um monte de nações insignificantes da África como forma de se projetar no mundo. Em vão.
A maior cartada do nosso governo foi a suposta intermediação na questão do Irã. Para isso demos guarida institucional ao ditador de lá, quando o resto do mundo evita fazê-lo. O homem é um vira-lata internacional. E o que conseguimos com isso? Nada, além do vexame que protagonizamos nos últimos dias.
Presidente, não seria hora de repensar nossa política externa?
Os seus assessores na área, nos últimos oito anos, têm lhe garantido que tais iniciativas tortuosas serviriam para que obtivéssemos uma cadeira permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Nunca estivemos tão longe disso. As nossas insólitas e erráticas investidas diplomáticas, ao contrário, criaram uma imagem do Brasil como um parceiro pouco confiável.
Presidente, ainda é tempo de botar esses incompetentes na rua!




Prezado Professor Dr. Jo… Ver maisão Mellão,
Mais uma vez brilhante o artigo do senhor mostrando nossa patética política internacional.
Nossa diplomacia parece mesmo estar engatinhando enquanto o mundo inteiro incrementa seus mecanismos de diplomacia, inclusive os países sub-desenvolvidos.
Nossa posição no Mercosul é deprimente!Desde o início da década de 90, quando iniciu seu processo de implementação, embora com 75% da economia do grupo, somos, POR INCRÍVEL QUE PAREÇA, escravos do mesmo, e não sabemos fazer a lição de casa de jardim da infância em política externa.Negociar com países que necessitam , sendo que temos todo o arsenal político e econômico.Desde a criação do grupo NÃO CONSEGUIMOS GANHAR UMA NEGOCIAÇÃO!Somos escravos das exigências da tresloucada Argentina com sua economia e política esquizofrênica, somos reféns do Paraguai na questão de Itaipu, vendendo a preço de banana energia.E por fim, fazemos através do Planalto Central, uma blitz no Congresso para que a Venezuela entre no Mercosul, o que entravará muitas de nossas negociações comerciais, já que pelo tratado as negociações tem que ser ratificadas por todos os membros e o Sr. Brucutu Chavez não é daqueles que é dos mais amigos a cordos e negociações que lhe tragam benefício exclusivo.
Nossa posição em Honduras foi vergonhosa, e, dizem certas fontes, que a pedido de Chavez, abrimos as portas da Embaixada a Zelaya, homem que semanas antes hava rasgado a Constituiçaõ Hondurña, pretendendo impor naquele país o mesmo regime de perman~encia que o do Leão de Chácara de Caracas.
Não dá para acreditar que ainda exista o pensamento mais do que retrógrado de condenar os EUA, e todo o blá blá blá de uma esquerda que ao mínimo deveria olhar um pouco mais o que acontece no Brasil e no mundo.E se fizéssemos o que propõe a esquerda-socialista com a pitada de Chavez?
Simplesmente a maioria de nossas trocas comerciais iriam para o espaço e nosso déficit comercial iria às nuvens da noite para o dia.
Além do mercado financeiro e das reservascambiais nacionais, as quais não teríamos mais possibilidade de manter, bem como trabalhar em termos financeiros lá fora.
Semana passada com a crise da Grécia, as bolsas despencaram pois todos os investidores para onde foram.Para títulos do tesouro americano.O famoso porto seguro.E como faríamos em crise, os títulos do FED não valeriam para nós mas para o mundo todo valeriam.
Acho uma insensatez manter este pensamento anti-americano com os adjetivos de imperialista, etc… .
É imperialista? Dominador? Especulador?Pode ser o adjetivo que se quiser impingir.Mas precisamos dele.E infelizmente para os socialistas de plantão, não é privilégio nosso mas do mundo.A União Européia nos deu mostras claríssimas nas últimas semanas.
Por que o Brasil não se associou ao Chile e busca mais integração com este País e tenta trazê-lo para o Mercosul ou trabalha diretamente com ele, que tem, por mais de direita ou de esquerda o governo o mesmo adota um sistema de mercado e prefere negociar diretamente com os EUA a entrar neste “samba do criolo doido” que é o Mercosul.
A economia chilena hoje bem, obrigado!
E agora Lula, que se achava o novo salvador da humanidade brasileira com seu assistencialismo de esmola social parece que quer buscar ser O PACIFICADOR da humanidade!!!!
O acordo com o Irã foi patético.
Sobre a questão do Irã, acho que passamos por “bobos” novamente.
Negociações desta monta assemelham-se a um jogo de cartas.
Nosso papel foi unicamente o de conferir um coringa para que o Irã de posse da poderosa carta chamasse então o EUA (ONU, C.Seg.).
Fizemos um acordo que é muito mais um protocolo de intenções e de extrema abstração, passível de interpretações as mais diversas.Algo etéreo.
Nenhum ponto encostava diretamente com as exigências da ONU…. Ver mais
Para o Irã foi fácil mostrar este ato de “boa vontade”.
Com base neste acordo, tão celebrado por nosso Presidente, no dia seguinte o Irã condicionava, agora não com o Brasil e Turquia, mas com a UN a retirada de sanções caso contrário o acordo iria para a lata de lixo.
Não fizemos um acordo.
Munimos o Irã com maior poder de barganha para retirada de sanções.
Demos mais poder ao Irã com o acordo do que sem ele.
Ou alguém acha que o Irã assinaria em rápidas tartativas diplomáticas com Turquia e Brasil termos que comprometessem seus objetivos no campo nuclear?
Acreditar nisto seria acreditar que Bin Landen faria por alguns pedido um voto de conversão no qual se tornaria um monge beneditino.
Uma ingenuidade (para não dizer outra coisa) da diplomacia brasileira, que nem com seus vizinhos no Mercosul consegue se entender, acredita que pode mudar em questão de mês toda uma problemática nuclear que se arrasta desde 1979.
Sejamos sensatos!
Lula pode ter carisma, mas não é Maomé!
PARABÉNS MAIS UMA VEZ PELA AULA PROFESSOR E PELO BRILHANTISMO DO ARTIGO!
Saudações liberais do eterno aprendiz,
Rogério Gandra Martins
Parabens pelo artigo e pelo comentario.
O que acontece nas altas esferas federais se repete por aqui em na fronteira de Foz do Iguacu com Paraguai ….
As autoridades municipais,estaduais e federais fecham os olhos para tudo que os queridos vizinhos fazem por aqui, desde entupir a cidade de moto-taxis, “vendedores amolantes”, carros caindo aos pedacos, pedintes, esmolantes, prostitutas, empregadas domesticas sem registro nem nenhum tipo de direito trabalhista (se fossem brasileiras com certeza seria considerado trabalho escravo).
Essas mulheres sao trazidas do interior do Paraguai sem saber falar nem o espanhol, somente o Guarani e ficam meses sem poder visitar suas familias em troca de colchao no chao, comida e um pifio salario. E a conhecida mais valia dos tempos da escravidao.
Nao e incomum que em qualquer protesto, tendo ou nao relacao com o Brasil os paraguaios fechem a ponte da amizade por dias …..com total apatia do governo brasileiro.
Os “brasiguaios” como sao chamados os brasileiros que vivem da agricultura no Paraguai sao constantemente hostilizados e ameacados de perder suas fazendas e plantacoes. Existem cidades de maioria brasileira como Naranjal e Santa Rita onde a pressao e constante.
O controle de imigracao e uma piada, quando um estrangeiro e detido ao entrar no Brasil clandestinamente …….os policiais simplesmente pedem que o mesmo volte pela ponte caminhando, sem verificar documentos, nem registrar a tentativa de entrada ..nada. No dia seguinte ou na troca de turno eles simplesmente atravessam novamente.
E o que dizer dos menores de idade dos dois paises que atravessam a fronteira para mendigar, catar papelao ou cometer pequenos delitos e sao “invisiveis” aos olhos das autoridades?
E as constantes trocas de tiros entre policiais federais e a marinha paraguaia que da cobertura ao contrabando pelo rio Parana?
Tudo isso fica fora dos noticiarios.
Basta qualquer orgao policial ou fiscalizador efetuar uma blitz em Foz, que ato continuo comecam as retaliacoes do lado paraguaio.
As vezes da vergonha de ser brasileiro.
E pensar que já tivemos um Águia de Haia, um Barão do Rio Branco, tsc tsc
Lula e sua diplomacia terceiro mundista estão destruindo o que grandes estadistas e diplomatas, com muita transpiração e inteligência, levaram anos e anos para construir.
Olá Melão, perfeito seu texto.
O POPULISMO é a maior praga da américa latina. Peron, o populista mor, acabou com a Argentina que até hoje não se encontrou.
O Brasil segue o mesmo caminho, pois, o populismo vive do estado que não presta. O estado ineficiênte e repleto de direitos adquididos, vai ficando forte enquanto o trabalhador privado e o produtor vai enfraquecendo. Um dia a corda estoura e volta a INFLAÇÃO ou a DITADURA.
Na proxima eleição o povo terá a oportunidade de escolher entre chico buarque (serra) e o tiririca (dilma) como melhor compositor. O que será que vão fazer?
ARGENTINA NUNCA FOI UMA POTÊNCIA: É AUTOMARQUETAGEM DELES PRA IMPRESSIONAREM OS MAIS CRÉDULOS. ARGENTINOS SEMPRE VIVERAM DA APARÊNCIA E POSE.
Prezado Mellão, não acredito que você acredite nessa história de carochinha que a Argentina já foi uma “potência” ou um país “desenvolvido”.
Pelo amor de Deus… Nada mais é do que automarquetagem deles, um povo que sempre viveu na mentira, a ponto de acreditar nas próprias mentiras que inventam. São mitômanos.
Mera questão de logica: o povo argentino é hoje claramente mestiço de índio + espanhol. Isso quer dizer que antes eles eram ainda mais índios do que hoje – os povos vão se miscigenando cada vez mais à medida que passa o tempo.
Ou seja, a Argentina, muito mais índia do que é hoje, teria sido “desenvolvida”. Francamente…
O que ocorreu é que, nessa fantasia de Argentina “desenvolvida”, só levou-se em conta a parte da população mais branca e imigrante, a elite. O povão não entrava na conta, certamente porque nem era considerado gente, tal o racismo extremo naquele país. Fazia-se de conta que só existia uma elite branca. Como aliás, de certa forma, ainda se faz de conta até hoje por lá.
E se fizerem um estudo sério provavelmente vão descobrir que a agricultura daquele país não era tão fantástica como pintam hoje.
Às vezes tenho a vontade de ser Argentino por apenas 5min (temo ser demais), prá saber o real valor de ser brasileiro e o porquê de sermos maus para conosco.
Novamente parabéns, ótimo artigo cuja lucidez revela o contra-senso da “democracia” que vivemos.Nossa esperança é na total renovação de atores e coadjuvantes, honestos e capazes,isso implica em capacidade, discreção, e o fim dessa pirotecnia política inocua.
O Brasil necessita de menos exibicionismos e mais realizações.
Grande abraço João.
Para mim, argentino, brasileiro, africano, israelita, arabe, etc.., são iguais. Muda o estágio de conhecimento, a economia e o sistema, portanto a divisão é : paises prósperos e ricos contra paises atrasados e pobres. Egípsios e gregos já foram primeiro mundo.
Resumindo, se hoje um argentino descobrisse um remédio que curasse todo tipo de cancer, ele seria meu maior herói e ídolo.
A Argentina já foi sim uma grande potência, quem conhece história sabe muito bem.Pesquise!
Melão, todos os seus textos que tenho lido são muito oportunos. Parabéns!!! Entendo que para o Brasil se firmar como grande potência emergente, ele precisa dar muito mais atenção ao seu ministério das relações exteriores, de maneira como, nunca fora visto ainda na história desse país.
sr João Mellão, passei a admirar seus comentários durante o antigo jornal do meio dia da record, no qual meu saudoso pai assistia assiduamente, com referência a seu texto atual ele é brilhante e real, mas o grande mentiroso se acha intocável , e como é comum ocorrer a gente desta laia, eterno. Mas o pior é saber que muitos brasileiros que lutaram por mudanças no País, hoje se calam ao deparar com as lambanças praticadas pelo atual governo, até porque deve ser conveniente tal silêncio.
Concluo dizendo que é muito bom constatar que existem brasileiros lúcidos, parabéns pela aula .
Ótima matéria!!!
Eu tenho vergonha pelo Lula …
sem mais.
VOCES BRASILEIROS SABEM PORQUE OS “COMUNISTAS”USAM A COR VERMELHA EM TUDO? É PORQUE É A COR DO SANGUE DERRAMADO DOS INOCENTES QUE PERECERAM NAS MÃOS DE:”MAO TSE TUNG,STALIN,LENIN,HO CHI MIM,HITLER,IDI AMIM,FIDEL CASTRO,CHE GUEVARA…” E NÃO SOU EU Q/ ESTOU DIZENDO NÃO.DIGITEM “YAHOO/NOTICIAS/NACIONAIS” E VCS VERÃO UMA CARTA DA EUROPA Q/ COMPROVA O Q/ EU ESTOU DIZENDO! O MAIS INVEROSSÍMEL É QUE O SANGUE DERRAMADO É DAS PESSOAS QUE APOIARAM OS TAIS DITADORES SEMPRE ACREDITANDO EM FALSAS PROMESSAS.POIS ESTAMOS N/SÉCULO XXI E A HISTÓRIA CONTINUA SE REPETINDO.AQUI CAMINHAMOS P/ O MESMO FIM! “EH!VIDA DE GADO,POVO MARCADO POVO FELIZ!!(ZÉ RAMALHO)” LADYCAT.