Peço desculpas ao Júlio César Mesquita, meu chefe. Minha obrigação das sexta feiras é escrever sobre economia e política. Mas hoje, rompendo parcialmente nosso trato, arriscarei desenvolver um tema diferente.
Domingo é o Dia das Mães. Há quem torça o nariz a essa data, alegando ser ela uma jogada de marketing. Tanto faz. A data pode ser uma invenção do comércio, mas a minha mãe seguramente não é. Sinto-me no dever de homenageá-la e, através dela, a todas as mulheres, razão maior de nossa existência, sentido único de nossas vidas.
Depois de Deus, o único ser onipresente em nossas vidas é a mulher. Nascemos do útero de uma, morreremos nos braços de outra. Entre um evento e outro, em nome delas construímos a civilização. Seus desígnios, como o do Senhor, são imponderáveis. Nunca chegamos a compreendê-las. A natureza, para nosso alívio, nos poupou dessa missão impossível: cabe-nos apenas amá-las e respeitá-las.
Fui criado dentro da mística machista. Mas, confesso que através da vida, nunca presenciei nenhum fato que me provasse ser o homem realmente o sexo forte. Na escola, do primário à universidade, os primeiros dez lugares da classe, em notas, invariavelmente pertenciam às mulheres. O primeiro marmanjo vinha em décimo – primeiro, e, diziam as más línguas, ele não era tão marmanjo assim.
Pertenço à geração que, profundamente incomodada, assistiu à ascensão da mulher no mercado de trabalho. Dói-nos reconhecer, mas o fato é que elas são mais eficientes, esforçadas e determinadas do que nós.
Pobre do executivo que, em uma reunião de negócios, topa pela frente com um interlocutor do sexo feminino. A luta é desigual. Quando não nos fulminam com uma argumentação mais bem fundamentada (elas sempre estudam o ponto antes…), tratam de derreter nossa intransigência com um simples sorriso. Isso para não citar o extremo e desleal recurso da lágrima, sem dúvida, a mais poderosa força hidráulica jamais criada pela humanidade.
Apesar de sua inegável superioridade, ainda lhes reservamos, nas organizações, funções quase exclusivamente subalternas. Elas alegam que isso é chauvinismo. Talvez tenha sido, no passado. Hoje, infelizmente, é puro instinto de sobrevivência.
Se, aos poucos, vão nos superando no campo profissional, desde sempre nos suplantaram na política da vida. São biológica e afetivamente mais resistentes do que o homem: vivem mais tempo que nós e, o que é pior, são plenamente capazes de viver sem nós. Quem nos dera poder afirmar o mesmo!
A arena onde os dois sexos medem esforços é o matrimônio. O homem o procura em busca de carinho e sentido para a sua vida. A mulher, em geral mais prática, procura nessa aliança o ninho seguro para criar os filhos. Obviamente o poder de barganha do homem é muito menor. Acabam restando, nos dias atuais, apenas três tipos de casamento: aqueles que não dão certo; aqueles em que a mulher manda e aqueles em que o homem pensa que manda…
A mulher concebe, o homem não. E aí está, fundamentalmente, a diferença. Deus delegou a elas, e não á nós, o dom de reproduzir a vida. E nós nunca as perdoamos por isso.
Através dos séculos, as flagelamos, as dominamos, as submetemos justamente para que, dessa forma, pudéssemos camuflar a nossa revolta, a nossa frustração, o nosso inconsciente sentimento de inferioridade.
Impusemos a sua virgindade, exigimos a sua exclusividade, trancamo-las, a sete chaves, em nossos castelos. Elas, mais seguras, nunca nos reivindicaram nada disso. As mulheres multiplicam a vida, os homens só possuem a sua. A mulher, espiritualmente, é o maior e único tesouro do homem. Assim sendo, ela a guarda, esconde e trancafia. Abençoada ela que, mesmo na clausura, possui a luz para gerar, de seu próprio ventre, os objetos de seu amor.
A mulher, acima de tudo, é mãe. E não há palavra mais bela, mais suave e mais plena de conteúdo que lábios humanos sejam capazes de pronunciar. No pensamento de Khalil Gibran, o vocábulo “mãe” é tudo nessa vida.
Essa palavra, ao mesmo tempo pequena e imensa, significa o consolo na aflição, a luz na desesperança, a força na derrota; é o peito onde reclinamos nossa cabeça, a mão que nos abençoa, o olho que nos protege.
Quer o destino que nossas mães cruzem os portões do infinito antes que nós o façamos. E assim, por sabedoria de Deus, aprendemos a transferir todo o seu significado para nossas mulheres, que são mães de nossos filhos, que serão mães de nossos netos. Este é o sublime milagre da vida. Este é o sentido de nossa existência.
Meu caro Júlio Mesquita, perdoe-me por ter fugido aos temas usuais desta página. Não podia me furtar a fazê-lo. Acima da política, da economia e da nossa carreira, paira um símbolo maior que tudo. E todos nós, intimamente, esperamos poder repetir as palavras de Maurice Chevalier, já idoso, na última página de seu livro de memórias: “…Quando a Dama de Negro vier, poderei sempre embelezar o momento, imaginando que é minha mãe que me estende os braços dizendo: – Trabalhaste bastante…vem, meu filho…que agora eu cuido um pouco de ti”.
Artigo publicado no jornal “O Estado de São Paulo” em Maio de 1989.




Lindo texto! Parabens… Por mais que o tema se repita, vc conseguiu, com simplicidade, ser pontual. ME emocionei. Ser mae e tudo na vida de uma mulher.
Parabens para nos mulheres,
Bela homenagem…
Ana Paula Moraes
Lula e a revista Times
Com certeza, o documentarista Michael Moore e os editores da revista TIMES não conhecem o Brasil. Ou, fingem desconhecer, para enaltecer o presidente Lula.
Michael Moore afirma que “o que Lula quer para o Brasil é o que os americanos chamavam de sonho americano”. Na verdade, Sr Moore, o que Lula quer para o Brasil seria um pesadelo para os americanos. Imagine o Sr. Moore, se alguém nos Estados Unidos tentasse criar um “Conselho Federal de Jornalismo”, com o objetivo de “controlar a imprensa”. Ou, um presidente dos EUA concedesse asilo político a um terrorista como Césare Batisti, condenado a prisão perpétua pela Justiça Italiana; o que pensariam os americanos, de um presidente que deu total apoio aos mensaleiros, aos aloprados, a Sarney, a Renan Calheiros e muitos outros casos de corrupção? Será que os americanos sonharam com um presidente, que indo na contramão do mundo, desse apoio a alguém que nega o holocausto, prega a destruição do estado de Israel, condena à morte homossexuais e opositores do seu regime tirano e quer construir armas nucleares ameaçando a paz mundial, como o presidente do Irã? Duvido! O que diriam os americanos se o seu presidente constantemente zombasse da justiça, como faz Lula desde que assumiu o poder?
O documentarista completa toda a sua ignorância em relação ao Brasil, quando afirma que “Lula quer conduzir o Brasil ao primeiro mundo com programas sociais como o fome zero.” Ora, nem o PT fala mais em fome zero, devido ao seu fracasso total.
Concluindo, eu tenho uma proposta a fazer ao sr. Michael Moore e aos editores da revista TIMES: Que eles venham morar no Brasil, sob a presidência de Lula, sendo tratados pelo SUS, pagando a carga tributária do Brasil, vivendo dos salários brasileiros (exceto os de políticos e magistrados) e eu vou para os EUA, mesmo discordando em muitas coisas de Barac Obama, submeto-me ao seu governo, aceito o sistema de saúde de lá, o salário e as condições de vida de “terceiro mundo” na visão de Michael Moore. Faríamos um teste de pelo menos seis meses e eu tenho certeza que os editores da TIMES mudariam de opinião, principalmente se ousassem criticar o governo Lula, como eu faço.
Prezado Prof. e mestre João Mellão,
Se é de praxe em seus artigos nos ensinar claríssimas e profundas lições de política, história, ética entre outras ciências, beste artigo o senhor deu uma aula a nossos corações.
A maternidade talvez seja o maior milagre que Deus concedeu ao ser poder vivenciar, seja através do belo sentí-la propriamente, seja através da veneração por parte de nós homens, que assistimos.Bem disse o senhor acerca desta diferença, deste “não perdoá-lo por isto.”.Poder assistir a um dom divino em sua mais pura essência, o dom da criação.Ato supremo de exclusividade divina, que por infinita generosidade ofertou-nos a possibilidade de co-partiipar como instrumentos é fato que jamais qualquer ciência ou mente humana entenderá em sua plenitude.Resta-nos o celebrar, o agradecer, o admirar.
A mulher, em minha opinião, tem um universo psicológico do qual o homem tenta ser um aprendiz para conhecê-lo e dificilmente o entenderá, tamanha sua beleza, profunda mas bonita complexidade, caleidoscópica união de razão, sentimento, emoção, determinação, capacidade de ver os fatos como um todo, entre milhares de outros dons.
Temos nós homens nossas qualidades também e também temos nossa psicologia.Mas como ela se torna paupérrima ao analisarmos o universo feminino.
E a maternidade vem.Este ato que começa já na gestação , este conversar com o filho quando podemos amá-lo ao máximo, mas quem o sente e acolhe é a mãe.
Comoveram-me suas palavras Dr. João Mellão, principalmente nestes dias onde se aproxima o dia das mães assim como para mim se aproxima a chegada de meu primeiro filho.Uma turbilhão de emoções, sentimentos, carinho, doação,tudo encoberto pelo manto sagrado de meu amor meu e de minha esposa e pela graça de Deus, que nos instrumentos de sua Criação.
Ser mãe é algo divino, e não poderia deixar de ser.Quando Deus oferta ao ser humano um dom exclusivamente humano, como o mesmo pode mudar sua essência?A mãe será nosso eterno referencial de amor, carinho e doação nesta vida.
Há um belo conto do escritor português Julio Dantas onde ele retrata a chegada aos céus de grandes personagens da História da humanidade, mas que em sua passagem terrena provocaram imensas atrocidades.O conto corre com São Pedro, portador das chaves do Reino, argumentando aos mesmos o por quê lá não era o lugar apropriado e merecido para eles pelo que fizeram em sua vida na terra.Os homens não conseguem entender e admitir, e o diálogo prossegue o conto.Ao final, São Pedro consegue convencê-los que estavam inaptos a adentrar ao Céu e os importantes homens de nossa história, cabisbaixos, viram-se e vão começar a dar seus primeiros passos em direção ao destino que lhes reserva.Neste instante uma voz é escutada por todos e pede para que parem.
Ao virarem defrontam-se com a Virgem Maria, que olhando para São Pedro,diz:
- Pedro, deixa-os todos entrar.
Atônito pedro ensaia uma frase que conteste, mas não dá tempo pois a Virgem diz:
- Nenhum destes homens possui a culpa que tu os impinge.NENHUM DESTES HOMENS TEVE UMA MÃE!
Li o conto em minha adolescência e confesso que me gravou muito e até hoje me lembro nesta época.E agora em especial vem constantemente a minha mente pela chegada próxima de meu filho.
O agradecimento de todos aqueles que tiveram ou ainda tem uma mãe que os oferta o carinho, o amor, e dentro dele a sua essência, o doar sem fronteiras e limites, é ao mesmo tempo um enigma que o homem não decifrará nunca mas sempre terá a possibilidade e o dever de agradecer!
As palavras do senhor realmente comoveram, Dr. João Mellão.
E agradeço a oportunidade de lê-las.
Enobrecem e engrandecem o coração e a alma.
Cordiais saudações do eterno discípulo,
Rogério Gandra Martins
Meu Caro J.Mellão:
Adorei seu texto.Vc tem um olhar humano sobre a Mulher que nos encanta como Mulheres.Sua sensibilidade em descrever uma Mãe é emocionante.PARABENS!
Um abraço com carinho Martha
Caro Dr.Mellão, mais uma vez superando com seus maravilhosos textos! Homenagear as Mães, é nos deixar emocionadas e o momento para podermos refletir sobre o verdadeiro sentido de ser Mâe! Obrigada pela homenagem e aproveito pra desejar a sua Mãe ( mulher de sorte!!) por ter nos dado este presente: VOCÊ!!!
Grande abraço
Cassinha
Desculpe-me… faltou completar a frase acima: “…aproveito para desejar a sua Mãe (mulher de sorte!!) , ‘um abençoado e maravilhoso Dia das Mães’, e por ter nos dado este presente: VOCÊ!!”
Abraços
Cassinha
Hoje tornou-se muito raro, ver uma matéria escrita não através de um teclado e uma tela, muito menos com o uso do cérebro, mas sim com o coração. Uma de nossas maiores qualidade como humanos (ou seria defeito), é sempre colocarmos a emoção à frente da razão.
Parabens João, Você se superou.
Sou seu eleitor, embora não resida em São Paulo, acompanho-o desde os tempos imemoriais do famoso jornal do hã-hã na Record, e sempre me surpreendi com suas colocações. Sou assinante do Estadão, e às sextas feiras a primeira coisa que vou buscar é a sua coluna.
Você sempre me manda correspodência, e eu agradeço por isso.
Na verdade mesmo, entrei no Google para procurar um outro texto de sua autoria também sobre o dia das mães, publicado há muito tempo. Encotrei seu blog, e para minha surpresa este belíssimo texto.
Mais uma vez, parabens, ganhei meu dia
Roberto Andraus
Boa noite, Sr. Mellão. Mesmo com a correria da semana, a parada aqui é obrigatória, pois a cada lida que aqui faço, sobre qualquer assunto, avanço no meu esclarecimento em relação a tudo, ao meu dia a dia. O Sr. sabe por que tantos homens tentaram, tentam e ainda tentarão rebaixar e agredir as mulheres? Porque no fundo sabem que a luta é desigual. Nós perdemos no intelecto, na sabedoria, na tenacidade e na razão. E o que resta aos covardes? O braço. A mulher é quem educa a humanidade, e quanto mais elas permanecem merecidamente fora de casa a trabalho e na construção de conhecimento, mais a humanidade fica desnorteada, violenta, mal-educada e inconsequente.
Excelente texto, como de costume. Um grande abraço para ti e um ótimo feliz dia das mães a todas as mães que fazem parte de sua família.
Francisco
esse foi um dos artigos mais lindos que ja vi na minha vida,principalmente hoje que sou mãe, e sei que não é facil, e nossoamor é bem maior que o infinito e nos amamos tanto os filhos ,como as filhas não tem diferenca.e que DEUS abencoe todos os filhos do mundo , principalmente vc.