Meus filhos ainda são pequenos. O João tem cinco anos, o Ricardo três e a Anninha um. Já estão na idade de fazer perguntas indiscretas sobre assuntos inconvenientes. Enquanto as indagações giram sobre temas domésticos, ainda é possível dar-lhes respostas convincentes. Temo pelo dia em que terei de falar-lhes sobre temas políticos e econômicos, explicar-lhes as mazelas do País que lhes legaremos, o fracasso de nossas gerações na construção de um projeto nacional.
Como explicar ao Joãozinho, por exemplo, porque é que um país tão grande, com tantas riquezas minerais, centenas de milhões de hectares de terras cultiváveis, sem nevasca, furacão, guerra ou terremoto não conseguiu romper as amarras do subdesenvolvimento, tornou-se insolvente e, propositadamente, foi destruindo todo o seu patrimônio industrial, comercial e agropecuário?
O Ricardo, daqui a alguns anos, com toda a certeza me perguntará a respeito da Constituinte de que ouviu falar na escola. Afinal, se cinco centenas de iluminados passaram dois anos deliberando a respeito, porque é que a Cata Magna não deu em nada, ninguém segue, ninguém respeita.
Vai ser difícil explicar-lhe que aqueles homens todos, eleitos pelo povo para mudar as estruturas do País, perderam a maior parte de seu tempo em acirrados debates quanto à duração do mandado do então presidente. Tiveram uma chance de orientar a História do Brasil no próximo século, mas preferiram desperdiçar seu talento discutindo um assunto cuja abrangência se esgotava em um ano. O importante não eram as próximas gerações, mas sim as próximas eleições.
O Joãozinho, Ricardo e a Anninha, muito provavelmente, serão muito mais civilizados e esclarecidos do que nós. Da mesma forma como nos rimos dos preconceitos, dogmas e crendices de nossos avós, eles, também, darão boas risadas quando eu lhes contar que naquele final da década de 80 ainda havia muita gente importante que acreditava que inflação se corrige com congelamento de preços, desemprego se resolve com estabilidade e produção agrícola se aumenta com reforma agrária. Essas noções, permeadas pelo conceito de que todos os males do mundo são passíveis de soluções legislativas, lhe parecerão tão primárias quanto a pajelança, a dança da chuva e o Saci-Pererê.
Como poderei dizer ao Joãozinho, o qual, a partir dos sete anos já estará deixando de acreditar em Papai Noel, que no nosso tempo a gente cultivava o mito dos homens providenciais até a idade adulta. Charlatães sociais, oportunistas políticos, salvadores da Pátria, havia campo de trabalho para todos. Bastava que subissem ao palanque, se expressassem com eloqüência e todo mundo acreditava que eles realmente tinham o dom de acabar com a pobreza, estancar a inflação, triplicar os salários e incrementar a produção.
O Ricardo, irônico, me perguntará se nós, já adultos, ainda escrevíamos nossos pedidos de Natal e os colocávamos em uma meia, pendurada na lareira. Constrangido terei de explicar-lhe que fazíamos algo muito semelhante, tomados de ingenuidade e esperança, ao depositarmos nossos votos nas urnas eleitorais. Só que Papai Noel nunca chegou. Um deles faleceu antes de tomar posse. Outros, ao abrirem seus sacos de presente, traziam embrulhadas verdadeiras caixas de Pandora.
Mas, se o presidente Sarney, quererá saber a Anninha, por que todos os males de então eram atribuídos a ele, a ponto de procurarem, a qualquer custo, reduzir-lhe o mandato?
Terei de, envergonhado, contar-lhe a verdade. É que no nosso tempo ainda cultivávamos o romantismo da capa e espada. Acreditávamos em heróis e vilões, tínhamos o primitivo hábito de personalizar os problemas, atribuir a um único homem as glórias ou as desventuras de toda uma Nação. Enquanto houve a ilusão da fartura, Sarney foi adorado como o bezerro de ouro, quando sobreveio a crise, transformou-se no bode de Belzebu. Na verdade, nos cinco anos em que esteve na presidência ele governou de fato em apenas um, 4/5 de seu mandato foram perdidos porque sobre sua cabeça mantiveram suspensa, permanentemente, a espada de sua cassação. Ninguém pode de fato governar com um mandato protestado em cartório. Sarney, até 1988, teve de cultivar a impossível arte de agradar a todos. Não pôde tomar medidas eficazes, porque seriam antipáticas, não pôde cortar gastos porque contraria interesses. Sugaram-lhe até a última gota de sangue e, depois disso, ainda queriam dá-lo em sacrifício para aplacar a ira divina.
O governo Sarney começou de fato a partir de junho de 1988. A História deve julgá-lo a partir desse momento.
Eu espero que o Joãozinho, o Ricardo e a Anninha absolvam a minha geração. Com certeza zombarão de mim e de meus contemporâneos. O Brasil que lhes legaremos, se bom ou mal, não poderá ser atribuído a Sarney, Figueiredo, Getúlio ou Pedro Álvares Cabral. Da mesma forma como um homem, sozinho, não salva uma Nação, também não se pode atribuir a um único homem toda a desgraça de um povo.
O Brasil já perdeu quatro anos. Que a razão nos ilumine a partir de agora.
Artigo publicado em 28/05/1988, no jornal “O Estado de São Paulo” e no livro “Nu com a mão no bolso”.




Bom dia, quanto as nossas criança ter que ficar sem explicaçãoes sobre o que os politicos fizeram neste nosso rico país é dificil falar, não só para os futuros Brasileiros e por que não falar das dificuldades em que os homens cidadãos do momento e que pagam impostos e que dizem ser 44% e ficam perguntando pra onde vai este alto volume de dinheiro, tudo por que a SAUDE ESTÁ PRATICAMENTE FALIDA E COM FILAS INTERMINÁVEIS NAS PORTAS DOS PROTOS SOCORROS e por aí vai a educação os transportes que andam lotados e nunca oferecem conforto aos trabalhadores e que fazem o progresso de nossa terra.
Informações e estatíticas dos estados e cidades do Brasil
O Brasil é um país continental, com 8 514 876 599 quilômetros quadrados e uma extensa costa banhada pelo oceano Atlântico, o Brasil tem características só encontrada em continentes.
O Brasil está divido em cinco grandes regiões, que são: sul, sudeste, centro-oeste, nordeste e norte.
Na região sul há os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Juntos estes três estados têm 1.188 cidades.
A região sudeste é a mais populosa do Brasil, com 1,668 cidades espalhadas pelos quatro estados desta região: São Paulo, o mais populoso do Brasil, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo.
Na Região centro-oeste além da capital federal do Brasil, Brasília, está os estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e o Distrito Federal. Nesta região há 466 cidades.
A região Nordeste é a que tem o maior numero de estados, são 10 ao todo e é também aqui que está a maioria das cidades brasileiras, 1932 ao todo.
A região norte é maior em área e ocupa uma importância singular para o Brasil, já que é considerado uma espécie de pulmão para o Brasil. O local está quase todo tomado pela floresta amazônica, a maior do mundo. Na região norte há 7 estados e 433 cidades.
Os estados e cidades do Brasil são independentes em algumas ações administrativas e conta com o apoio do governo federal em ações de interesse nacional com saúde pública, economia e o planejamento geral do país.
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