O Brasil, após um ano do início da crise internacional marcado pela quebra do banco de investimentos Lehman Brothres, comemora a alta de 1,9% do Produto Interno Bruto no segundo trimestre em relação ao primeiro.
Na última reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social o Presidente Lula disse que a crise está “vencida” no Brasil. De fato o país recuperou os postos de trabalho formais que haviam sido perdidos com o agravamento da crise global e o conselho é de que os empresários se antecipem à recuperação da economia e comecem a fazer novos investimentos ainda neste ano.
Tudo leva a crer que o Brasil passou por essa crise praticamente ileso. Mas não foi bem assim. Muitas empresas tradicionais do ramo industrial sofreram com os impactos da elevada exposição cambial e perderam alguns bilhões logo no início da crise, como foi o caso da Sadia, Aracruz e Grupo Votorantim.
A crise demonstrou que nem todas as empresas dispunham de mecanismos eficientes para gerenciar os riscos a que estavam expostas ou, se tinham, não os utilizaram adequadamente.
O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, por sua vez, têm demonstrado sua preocupação em relação ao novo comportamento do mercado americano e os remédios econômicos que pretende utilizar para enfrentar a crise.
Ele declarou recentemente que a intervenção emergencial do governo em instituições financeiras está começando a surtir efeito e disse que Wall Street não deve se esquecer das lições que a grave crise econômica deixou. Defendeu a criação de uma agência especial para proteção dos consumidores de produtos financeiros e a criação de exigências mais rígidas de capital e de liquidez para os bancos.
E o Brasil? Quais são as lições que se pode tirar da crise?
Não acredito que exista uma fórmula para se prevenir das crises. Elas são inevitáveis.
É fato que nenhum segmento econômico, industrial, comercial de serviços, agropecuário ou mesmo financeiro escapa às intempéries do mercado. Mas é preciso estar preparado para as eventuais turbulências do mercado financeiro nacional e internacional. As companhias precisam aperfeiçoar seus instrumentos internos e externos de controle e prevenção para não ficarem tão expostas a riscos desnecessários.
Nas décadas recentes acreditava-se que os mercados, deixados por si sós, acabariam sempre por encontrar o equilíbrio. A recente crise econômica demonstrou que não é bem assim. Os mercados nem sempre se auto-regulam. Existem euforias e “bolhas” na economia. E estas bolhas não se esvaziam suavemente: ao contrário, elas “estouram”.
Na atual crise, havia uma bolha financeira e também uma imobiliária. E uma ajudava a inflar a outra. Os rendimentos do mercado financeiro bem como a valorização dos imóveis chegaram a níveis inéditos: era a “exuberância irracional”, como já foi definida. Curiosamente, não houve uma única voz que se elevasse para alertar sobre os rumos despropositados que estavam tomando os acontecimentos.
O mercado- antes tido como infalível – errou. E errou com resultados desastrosos.
Quando isso aconteceu, quem teve que entrar em cena foi o Estado. Ao injetar maciçamente recursos na economia, coube ao Estado evitar que a crise se mostrasse ainda mais catastrófica.
Além disso, mesmo os liberais mais empedernidos acreditam, agora, que caberá ao Estado o papel fundamental de regular e regulamentar os mercados para evitar que crises destas proporções se repitam.
Isso é o lado bom do Capitalismo: ele aprende com os seus próprios erros.
Quiçá cada um de nós também fosse assim.




Caro Deputado,
Seu artigo, como sempre, é de uma objetividade impar,esclarecedora.
Mas gostaria de uma sua opinião sobre o uma crise particular, aqui no Brasil, com a gastança desenfreada do governo do molusco.Não estaremos sujeitos a uma bolha exclusiva?
Os tentáculos do molusco estão cada vez mais ativos ,tirando do bolso do contribuinte e enxendo as burras dos políticos ,cumpanheiros , parentes , MST e afins .
Pelo andar da carruagem certamente teremos uma bolha tupiniquim .
digo -enchendo
Uma das diferenças fundamentais entre uma sociedade de modelo político aberto e uma outra de modelo fechado é a flexibilidade com que a primeira resolve suas crises. Tenho a convicção de que a liberdade de mercado permite correções aos tropeços eventuais em que este sofre. Fruto da ação humana, ele incorre em crises, mas, diferentemente do modelo estatizante, ele mesmo busca soluções dentro de si. Até hoje Cuba sofre diante da inflexibilidade de seu modelo onde o estado não pode recorrer à liberdade e consequente criatividade de seus cidadãos, pois isso significaria o fim do controle estatal. A presença do Estado se justifica como fiscalizadora e observadora do acordo social ditado pela Constiuição. E somente intervém quando se extrapola limites de harmonia e justiça. Observo sempre com atenção como é tratado pelo povo aquilo que se convencionou chamar de bem público. Se é de todos, não é de ninguém. Uma clara demonstração do que deve pertencer ao estado e do que deve pertencer ao cidadão.