Se bem me recordo, meu pai adquiriu uma perua DKW zerinho por volta de 1962. Ele gostava de carros e entendia um pouco do assunto. Lembro-me da raiva que ele tinha do veículo – que só aumentava à medida que ele o ia conhecendo melhor – e de seu calvário por ter de levá-lo semanalmente ao mecânico. O motor era de dois tempos, o que significa que era barulhento e fumegante. A vedação era péssima: quando chovia lá fora, também chovia dentro. A maçaneta do vidro saía na mão sempre que se tentava acioná-la. Os ruídos internos davam a impressão de que a carroceria estava com todos os parafusos soltos. O câmbio “na direção” era de três marchas que teimavam em não se deixar engatar. A qualidade do carro, enfim, era sofrível. Principalmente quando comparado aos norte-americanos que predominavam em nossas ruas à época.
Mas nem por isso se deve condená-lo. Ele representou um papel importante nos primórdios da indústria automotiva brasileira. O ceticismo quanto à viabilidade de uma fábrica nacional de veículos era muito grande. Para se ter uma ideia basta relembrar um argumento muito ventilado então: era tecnicamente impossível fundir blocos de motores em climas tropicais. O DKW, e também o Fusca, desafiaram todos os tipos de dúvida e descrença ao serem integralmente fabricados aqui.
Pois bem, a vida nos ensina que não é porque pranteamos um morto que desejamos, na prática, ressuscitá-lo.
Qual seria a reação dos consumidores se o saudoso DKW Vemag fosse relançado agora? Pior: se, além de reiniciar a sua produção, o governo proibisse qualquer outra marca de construir veículos em território brasileiro, sob o argumento de que é necessário prestigiar a indústria nacional?
Pois a respeitável matrona que atende pelo nome de dona Dilma já provou ser capaz de entabular raciocínios semelhantes. Em sua mais recente entrevista – publicada na Folha de S.Paulo no domingo -, ela afirma, explicitamente:
- Que a presença do Estado na economia tem de aumentar;
- e que patriotismo e nacionalismo são exatamente a mesma coisa.
São teses que remontam à época do DKW. E dona Dilma, ao que parece, deseja mesmo relançá-lo. Ou promover algum disparate semelhante. Se ela chegar à Presidência, mais que de imediato a indústria de vestuário tratará de recuperar o maiô de duas peças. E não é impossível que ela mesma venha a usá-lo para divulgar a nova moda.
Dona Dilma é realmente um achado único. Um precioso fóssil encontrado pelo presidente Lula. Parabéns a ele.
Ela é plenamente capaz de afirmar publicamente, sem ruborizar-se, que jamais se encontrou com as pessoas com quem de fato se encontrou. Na recíproca, a ninguém surpreenderia caso reiterasse que participou de eventos em que nunca esteve. Como a Santa Ceia ou a 3ª Internacional Comunista, por exemplo.
Consta que ela surgiu nas hostes do PDT, de Leonel Brizola. Este deve ter sido o seu grande guru em matéria de discurso político. Para quem não se recorda, Brizola caracterizava-se por pregar, na década de 90, tudo aquilo de que se falava na década de 50. Era algo que nos reportava às preleções de nossos avôs.
Para restaurar os fatos, vale a pena lembrar que a surpreendente dona Dilma estreou no cenário político muito antes do retorno de Brizola ao Brasil. Ela militou na VAR-Palmares, uma organização terrorista, e, com merecimento, passou alguns anos no calabouço.
Curiosamente, foi no período em que a indomável dona Dilma esteve a ferros que o governo militar de Geisel, sem que ninguém das esquerdas se desse conta, tomou-lhes algumas de suas mais caras bandeiras. A proliferação de empresas estatais, na época, foi avassaladora. O Estado, por sua vez, nunca antes fora maior, tampouco mais abrangente. Ele tudo previa. E também tudo provia.
O raciocínio da elite pensante da área militar seria facilmente subscrito por gente como a empertigada dona Dilma. Pregavam eles que havia na economia numerosas áreas estratégicas que, se não estivessem sob controle estatal, facilmente cairiam nas mãos dos odiosos estrangeiros. Estatizar, portanto, era um gesto de soberania. E esse raciocínio valia tanto para empresas siderúrgicas como para redes de restaurantes e – pasme-se – hotéis de alta rotatividade.
E quanto à iniciativa privada? Era vista com maus olhos e tratada com má vontade. Segundo eles, os então poucos empresários brasileiros, em sua ânsia por capitais, não teriam o menor escrúpulo em se associar às perigosas e malquistas empresas multinacionais. E isso era o fim!
A verdade é que o Estado de então apenas tolerava a existência de empresas privadas nacionais. Concedia-lhes crédito subsidiado, mas em troca exigia vassalagem. Cabia ao Estado determinar o que e quanto devia ser produzido por cada uma. No mais, sempre que surgia uma nova oportunidade na economia, antes que algum “aventureiro” dela se apossasse, logo vinha o Estado criando uma nova estatal.
Ora, esse, na prática, era o discurso das esquerdas brasileiras, desde a década de 1950. E a persistente dona Dilma, com o seu discurso “retrô”, caso se consagre nas urnas, certamente o adotará. Não seria mais a volta do DKW, mas a do Maverick GT.
Confesso que tenho medo de gente como a circunspecta dona Dilma. Ela parece ser fria, determinada, alguém que de tudo faria se fosse em prol da “causa” que defende. E o pior é que tem chances reais de chegar à Presidência da República. Se isso vier a ocorrer, será que ela nos vai permitir tratá-la como “tia Dilma”?
Não é por nada, não. É que ela não tem jeito de governante. Tem, isso sim, de governanta.




Desde que a senhora Dilma nos foi servida nos pratos dos restaurantes noticiosos e com a biografia de uma revolucionária fiquei com os poucos cabelos que me restam em pé. Consegui, é bem verdade com algum esforço, assistir a algumas de suas entrevistas e explanações enquanto estava voltada à área de energia e sua fala de professora arrogante e didática me produzia calafrios. Li que ela não se caracteriza pela conduta educada diante de seus comandados. Não sei se é verdade ou não, mas percebo que Lula faz um enorme esforço para deslocar de sua figura pessoal para a administradora competente e eficiente. Mas temo que, além de sua figura autoritária e arrogante, ela esteja ainda depositando sua fé em Marx. E não tenho dúvida de que ela daria continuidade ao projeto petista socialista com muito mais vigor de que o seu escudeiro mór.
Eu sendo um defensor do socialismo no capitalismo, ou seja recolhimento de taxas sem desvio e a aplicação da Lei de Responsabilidade Fiscal, não posso aceitar a proposta de uma esquerda mentirosas ( como toda esquerda do mundo), de socialismo.
Este nosso mentirosas governo atual deve sofrer o ataque com o combate a mentira, que até utilizam o nome de trabalhadores.
Tenho uma vivência de 37 anos dentro de fábricas e posso afirmar que preocupação com os trabalhadores não faz parte desta MENTIROSA sigla politica, que inclusive de democrático tem como referência O Grande Guru FIDEL.
Gostaria de acompanhar uma campanha de revelação das mentiras deste grupo, iniciando pela revelação real do destino das verbas, supostamente de cunho social, ou de sociedade dos mentirosos.
Repudio a mentira, que é a origem da corrupção e câncer da sociedade, veneno do HOMO SAPIENS PEÇONHETOS.
Deus nos livre de tal praga, Mellão.
A própria biografia da Dilma a condena….pena que a maioria do povo não leia.
Vamos de Serra para que não haja possibilidade de tanto retrocesso.
Não dá pra ir de Dilma, mas de Serra também não dá … rs
“Fernando says:
September 29, 2009 at 10:31 am
Não dá pra ir de Dilma, mas de Serra também não dá … rs”
- Temos que ir é de Mellão!! Que tal?
Lembra que o famigerado DKW Vemag interferia nas TV’s quando passava em frente das casas? Seu artigo está, na linguagem retrô, SUPIMPA.
Quanto à tia Dilma, faz até milagres. Pois não é que os doutores que a trataram afirmam que está curada? Sem desejar que não o esteja, mas todo mundo que já enfrentou problema semelhante sabe que antes de cinco anos “limpos” não é possível afirmar a cura. Não creio que estejam cooptados pelo aloprado mór.
Até de DKW, mas de Dilma não dá!!
De Dilma, Deus que
me perdoe, já estou até a guela
desta gentinha do pt, minusculo mesmo.
Ótimo , será a candidata DKW -Dilma Keep aWay-
(depois alguém traduz para ela)
QUANDO SE APONTAM FATOS, COMO OS DEMONSTRADOS POR JOÃO MELLÃO,TEM-SE A REAL DIMENSÃO DO QUE NOS AGUARDA CASO DONA DILMA CONSIGA ATINGIR A PRESIDENCIA DA REPUBLICA DE NOSSO PAIS : ESTATIZAÇÕES EM PENCAS, ARROGANCIA NO TRATO COM EMPRESARIOS, PREPOTENCIA COM QUEM NÃO COMUNGAR DE SUAS IDÉIAS, E DEFESA DOS “DELUBIOS E CIA.”, POIS FAZEM PARTE DA “TRIBO”
RETROCESSO INCRIVEL E HUMILHANTE QUE NÃO PODEMOS, EFETIVAMENTE, NEM PENSAR EM ACONTECER.
Achei a nomenclatura dada à Dilma de uma precisão cirúrgica: “precioso fóssil com cara de governanta”. Só acrescentaria a nacionalidade da governanta: uma “fraulein” viúva de um general da SS.Realmente a vida da Dila a condena…Só que uma mínima parcela da população sabe disso. Aí corremos o enorme risco de eleger uma mente anacrônica, emburrecida e mentirosa para Presidente! Mellão, me diz temos alternativa, além do voto nulo ou branco? Ou então temos que fazer um exercício de moralidade: entre dois loucos obtusos, qual é o que tem melhores intenções? Continuamos a escolher o menos pior. Tudo como antes…
É, alguns brasileiros esclarecidos correm o risco de serem dirigidos por pessoas eleitas por outros milhões de brasileiros, que não se importam com o futuro do País, e assim vivemos, não sobrevivemos.
Espero que o Sr.Mellão esteja muito enganado, o que acho difícil, já imaginou essa senhora na presidência?
Lembro-me dos comentários sobre o Lula, na época de sua primeira vitória nas urnas, e deu no que deu, ou melhor, está dando ainda.
Queridos PiG,
Não sejam tão severos com a dona Dilma, se ela vê o fantasma do chaver Karl M. deve ser por causa dos choques elétricos que ela tomou na Inquisição Militar, enquanto vossa classe mérdia via o rico dinheirinho rendendo mais na poupança, hehe…Vocês reacionários! Ah, não votem nulo…isso é coisa de anarquista, Misericordia!
NÃO CULPO LEONEL BRIZOLA POR SEU DISCURSO ULTRAPASSADO, NÃO ENTRO NESTE MÉRITO ATÉ PORQUE NÃO PUDER PRESENCIAR O ALGE DE SUA VIDA POLITICA, A NÃO SER POR AQUILO QUE LEIO, ATRAVÉS DA IMPRENSA, QUE COM EXCESSÕES É CLARO, EXERCE UM PAPEL “PROTECIONISTA”, QUANDO ESTÁ LIGADO SEUS INTERESSES.
TALVES LEONEL BRIZOLA NÃO TENHA UMA MENTE CURTA, E NÃO SE ESQUECEU QUE OS PROBLEMAS QUE ASSOLAM ESTE PAIS HOJE, SÃO OS MESMOS DE 50 ANOS ATRÁS.
O GRANDE PROBLEMA DO BRASIL É JUSTAMENTE ESSE, O DISCURSO MUDA MUITO RÁPIDO E O POVO SE ESQUECE, E SOFRE COM OS MESMOS PROBLEMAS.
HOJE COM CERTEZA NÃO DIRIGIMOS MAIS OS CARROS DKW, MAS AO SAIRMOS, PARA UM PASSEIO OU TRABALHAR, LÁ ESTA O PEDÁGIO A NOSSA ESPERA, CACHINHA DO SR. JOSÉ SERRA.
SIMPLESMENTE PARA EXERCER NOSSO DIREITO CONSTITUCIONAL DE IR E VIR.
PARABENS PELO SITE…
LIBERDADE DE EXPRESSÃO AI VAMOS NÓS !
João Mellão, boa noite.
Primeiro obrigado por você nos proporcionar leituras e análises sobre os mais diversos assuntos(acompanho seus comentários, há anos). Parabéns.
Quanto à possibilidade de a governanta Dilma ser eleita, temos o maior perigo que é o Sr. Lula ser presidente da Petrobrás(ele confessou publicamente quando de umas das visitas do trêfego Chaves ao Brasil. Agora imagine se isso realmente acontecer,teremos ainda os aloprados e dirigentes do MST e familia Saney continuando aos desmandos já conhecidos.
Abraço,
Xiko Monteiro