POLÍTICA BRASILEIRA – Carta aberta a Jader Barbalho

Publicado por João Mellão Neto Em 16 Jul 2009

Se é por falta de adeus, até logo.

OESP – Publicado em julho de 2001.

Caro Senador

Pouco nos conhecemos, pessoalmente. Mal passamos de alguns apertos de mão. Foram oito anos sob o mesmo teto, é verdade. Mas nenhum sobre o mesmo piso. Eu me confinava aos tapetes verdes da Câmara; o senhor jamais saiu dos azuis, do Senado. O senhor é do Norte, amazônico; eu do Sul, industrial. Dois mundos tão diferentes…Por que ouso eu escrever-lhe? O que teríamos nós dois em comum?

Eu diria que muito: a Pátria, o idioma e, principalmente, o mandato parlamentar. É sobre este que eu desejo lhe falar.

O senhor já se deu conta do que ele, de fato, representa? Para o senhor – que já exerceu vários – talvez lhe pareça uma recorrência natural. Para mim, não. Nos anos em que aí estive, eu tremia só de pensar no assunto.

Um certo dia, uma certa pessoa, escolheu você para confiar. A palavra é esta mesma: confiança. E só Deus sabe as obrigações que decorrem dela. Nossos pais, por imperativos biológicos, naturalmente têm confiança em nós. E nós, coitados, passamos a vida buscando demonstrar-lhes que a merecemos. Nossos filhos, também, confiam em nós. E nós nos desdobramos para nunca, jamais, ocorrer de decepcioná-los.

Nós somos eternamente responsáveis por aqueles que cativamos, dizia, com razão, Saint-Exupery. Confiança é coisa séria. Acarreta ônus gigantescos. E o que dizer, então, quando – fora de nossa família – dezenas, centenas de milhares de pessoas decidem confiar em nós?

Ainda bem que esta confiança tem prazo de validade. Nossa vida, ao menos durante o nosso mandato, passa a não mais nos pertencer. Aqueles que em nós confiaram esperam que empenhemos o melhor de nós – à exaustão – naquilo a que nos propusemos realizar. Se estiver além de nossa capacidade, paciência. O mínimo que exigem é que tenhamos uma conduta proba, honrada, ao menos enquanto formos os seus representantes. Não nos basta ser igual a eles. Se nos escolhem, dentre tantos outros, é porque confiam que sejamos melhores. Nossa autoridade nasce do voto, é verdade, mas só se mantém através do exemplo.

Senador Jader

O senhor há de achar que tudo isto é pieguice. Muitos, como o senhor, pensam assim. “Afinal um mandato é apenas um mandato, ora bolas!”. Se, por acaso, nunca lhe ocorreu que os eleitos têm um contrato a cumprir com os seus eleitores, sinto muito lhe dizer, mas o senhor sequer merecia ter chegado aí.

Existem votos compráveis, é verdade. Custam caro, mas, como são quitados à vista, têm a vantagem de desobrigar o eleito. Desconheço o perfil dos seus eleitores. Talvez seja este o seu caso. E – se assim for – ninguém teria o direito de cobrar-lhe nada.

Ocorre que o senhor não se contentou em ser apenas um senador pelo seu estado. Foi além. Elegeu-se presidente do Senado e, por conseqüência, do Congresso Nacional.

Ora, nem eu, nem os outros cento e setenta milhões de cidadãos desta República, lhe vendemos os nossos votos. Como presidente do Poder Legislativo o senhor tem, sim, sérias obrigações para com todos nós.

E que belo exemplo o senhor nos dá! Um dia é TDA, no outro é SUDAM, no seguinte é BANPARÁ. Não sei o que seus eleitores pensam disto. Mas sei, com certeza, o que eu, minha família, meus vizinhos – quiçá todos os demais brasileiros – estamos pensando.

Ocorreu uma irreparável quebra de confiança entre o senhor e a sociedade. O Contrato Social – aquele que legitima as relações entre governantes e governados – foi rompido E a História nos ensina que, quando isto acontece, nada mais há a se fazer.

Sr. Jader Barbalho, licenciar-se não basta. Nós o instamos a renunciar, de forma irrevogável, à presidência do Congresso Nacional. Será apenas um gesto formal. Até porque, moralmente, de há muito o senhor já a perdeu.

Não queira enfrentar a opinião pública. Ela é assim como um grande elefante. E quando um elefante decide partir… o melhor a fazer é tão-somente deixá-lo ir…

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1 Comentário em “POLÍTICA BRASILEIRA – Carta aberta a Jader Barbalho”

  1. marcio vasconcelos says:

    O jader não e senador, e È um dos maiores politicos que o ParÀ jÁ teve.

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