POLÍTICA BRASILEIRA – Aos baianos

Publicado por João Mellão Neto Em 16 Jul 2009

Convençam o ACM a tomar o rumo de casa.

OESP – Publicado em maio de 2001.

Odoyá, Iemanjá! Ogunhê, Ogum! Epa Babá, Oxalá! Salve os babalorixás e ialorixás! Salve o Nosso Senhor do Bonfim!

Baianos de todos os santos! Em nome de Oxum, e de Xangô -orixás do Amor e da Justiça – o nosso mais sincero saravá!

Nós, brasileiros dos outros 25 Estados, vimos, através desta carta, expor-lhes as nossas preocupações. A “baianidade” – tão cantada em verso e prosa – implica, entre outras coisas, em tolerância, benevolência e boa vontade. Temos certeza de que vocês haverão de nos compreender.

O Brasil, sem dúvida, deve muito à Bahia.

Vocês nos presentearam com Ruy Barbosa. E nós lhes somos gratos por isto.

Vocês nos deram Caymmi, Caetano e Gil. E a nação lhes agradece por isto.

Vocês, agora, nos mandaram o ACM…

A gente, é claro, agradece…Pensamos até em retribuir, enviando-lhes o Arruda. O problema é que ele é muito emotivo. Inundaria o terreiro de lágrimas e, com certeza, as mães-de-santo não gostariam. Temos, também, o Jader. Dizem que este é do ramo: um legítimo filho-de-Exu! O que vocês acham?

Deixemos isso para lá. A nossa idéia não é a de promover um intercâmbio de talentos.

Nós escrevemos a vocês porque estamos realmente preocupados com o Antonio Carlos.

Parece que ele não se adaptou muito bem fora da Bahia. O pessoal daqui, vocês sabem, é meio preconceituoso. Os colegas têm reclamado do seu temperamento possessivo e dos seus hábitos – digamos – exóticos. Mas, verdade seja dita, ele é um homem que se preocupa realmente com as pessoas. Tanto que, ao invés de selos ou borboletas, ele prefere colecionar dossiês! E a maldade das pessoas não pára aí. Tem gente que o acusa de fofoqueiro, intrometido, bisbilhoteiro e até de intrigante!

Ora, nós sabemos que não é por mal. O que ele deseja, provavelmente, é se enturmar. O seu approach é que é um tanto desastrado.

Há pouco tempo, por exemplo, ele tentou ficar amigo do pessoal do Ministério Público. Com aquele seu jeitão, aberto e sincero, abriu o coração com os procuradores. E estes, maldosamente, usaram suas palavras para indispô-lo com meio mundo.O resultado é que ele está, a cada dia, mais isolado. Nem mesmo o Cardoso, sempre tão afável, o convida mais para almoçar…

Ora, nós queremos um Brasil unido. Entendemos que o tempo das desavenças e rivalidades regionais já passou. Se estamos lhes escrevendo é porque não desejamos que, por conta de eventuais mal-tratos que o Antonio Carlos venha a sofrer em Brasília vocês, baianos, fiquem magoados conosco.

Ora, nós sabemos o quão grande é o apreço que vocês têm por ele. Outro dia mesmo, em visita ao lar, soubemos das inúmeras manifestações de carinho e solidariedade que recebeu de vocês.

Assim sendo, o que nós gostaríamos de lhes sugerir é o seguinte:

Demonstrem ao Toninho, coitado, que é aí o seu verdadeiro lar.

Mostrem a ele que é somente na Bahia que ele encontrará, finalmente, todo o carinho, o amor e a compreensão que vem procurando.

Façam qualquer coisa, mas – por todos os santos e orixás! – levem o ACM de volta pra casa!

Odoyá, saravá, saudações!

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