ASPECTOS DA GLOBALIZAÇÃO – Um dólar diz tudo…

Publicado por João Mellão Neto Em 16 Jul 2009

O que os americanos pensam do resto do mundo.

OESP – Publicado em julho de 2002.

A imagem que ilustra este artigo, embora poucos já tenham reparado nela, nos é bastante familiar. É um dos lados do “Grande Selo dos Estados Unidos” e está impressa à esquerda, na parte de trás da nota de um dólar. Se você tiver consigo uma cédula, vale a pena dar uma espiada. Este selo foi criado por Thomas Jefferson e alguns companheiros, logo após a declaração de independência, em 1776, e possui uma clara inspiração maçon. Ficou esquecido durante muitos anos até que, na década de 1930, o presidente Franklin Roosevelt ordenou que fosse, para sempre, timbrado no dólar.

Vivia-se, à época, a Grande Depressão. E o presidente americano tomou a medida como uma forma de elevar a auto-estima do povo. Aquela imagem simbolizava os grandes ideais sobre os quais foi fundada a nação. Naquele momento de grandes dúvidas em relação ao futuro era muito importante que os americanos relembrassem as suas origens.

Ontem, dia 4 de julho, os Estados Unidos da América, comemoraram mais um aniversário de sua fundação. Os tempos são outros. Eles são, agora, não apenas a maior nação do mundo, mas também a maior potência de toda a história universal. George W. Bush, um republicano, é o seu presidente. E, para quem procura decifrar os seus desígnios, a melhor pista ainda é o “Grande Selo”. O que, afinal, ele simboliza?

Vamos tratar de decifrá-lo.

Em seu centro há uma sólida pirâmide inacabada com treze patamares. Cada patamar representa uma das treze colônias que se uniram para a fundação. A obra não está completa porque os pais da pátria reconheciam que ainda havia muito a construir. Mas em seu topo, brilhando, está nada menos do que o “olho de Deus”. ANNUIT COEPTIS – a inscrição latina não deixa dúvidas. Quer dizer algo como “Ele atendeu as nossas preces” ou “Ele abençoou a nossa obra”. Embora muitos não acreditem, os norte-americanos são um dos povos mais religiosos do planeta.

A pirâmide, propositalmente, está de costas para o mundo. E o mundo, atrás dela, está representado por um deserto. Há nuvens negras sobre ele. Elas representam a fumaça dos canhões. A América, a nova nação, quer distância das velhas civilizações e de suas enormes mazelas. O dístico, à frente da pirâmide, deixa claro este objetivo: NOVUS ORDO SECLORUM – uma nova ordem secular. Contrastando com o solo árido atrás da pirâmide, à sua frente as plantas começam a vicejar. Uma nova ordem, um novo e fecundo mundo.

Uma nova sociedade, isolada do resto, que se ergue sobre alicerces sólidos e se constrói sob a benção de Deus. Esta é a América, exatamente como foi idealizada por seus fundadores. Esta, ainda, é a América de hoje. Ao menos aos olhos da maioria dos americanos comuns. É sobre essa visão de América, que se sustentam, ideologicamente, os adeptos do Partido Republicano. E Bush, vale lembrar, é um fervoroso republicano…

No início do século XX os Estados Unidos já eram a maior potência industrial do mundo. Uma verdadeira nação-continente, os americanos eram, em quase tudo auto-suficientes. Só não tinham forças armadas, o que, aliás, nem queriam ter.

A tradição americana sempre foi a do isolacionismo. Foi extremamente difícil convencê-los a entrar na primeira guerra mundial. Uma vez que entraram, com seu gigantesco poderio industrial literalmente esmagaram os adversários.

Na segunda grande guerra, a relutância foi a mesma. Os combates, na Europa, começaram em 1939. Apesar dos dramáticos apelos, os americanos se recusaram a se engajar até o final de 1941. E, mesmo assim, depois de agredidos diretamente em Pearl Harbour. Novamente o peso da indústria americana foi o que fez a grande diferença.

O que tem tudo isso a ver com a realidade de hoje? Muito.

Nós invejamos os americanos, nós odiamos os americanos, nós os acusamos de exploradores, intervencionistas, arrogantes, e um monte de outras coisas. É o caso de se perguntar: e eles? O que os americanos sentem por nós?

Nada…

Essa é a dura verdade. A economia americana com relação ao mundo proporcionalmente é muitas vezes maior do que a do Estado de São Paulo perante o resto do Brasil. Os EUA detêm 1/3 do PIB mundial, são líderes em praticamente todos os setores da economia, o dólar é uma moeda de curso universal e o inglês é falado, ou entendido, em todos os cantos do planeta. Para que se incomodar com os outros?

Dentro dos Estados Unidos, duas visões de mundo se digladiam. Há, de um lado, os políticos democratas que entendem que a América tem uma responsabilidade moral com relação aos demais países. Cabe aos EUA promover a liberdade, a democracia e os direitos humanos junto a todos os povos.

Mas também há, de outro lado, os republicanos para os quais “o resto do mundo que se lixe”. Cada país que cuide de si, desde que não incomode ou ameace os Estados Unidos. Esta visão, aliás, é a típica do cidadão americano comum. Europa, Ásia, América Latina, para ele, é tudo a mesma coisa. Ou seja: nada.

Não pergunte a um americano o que ele pensa do Brasil. A resposta está lá. Na parte de trás de uma nota de dólar.


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1 Comentário em “ASPECTOS DA GLOBALIZAÇÃO – Um dólar diz tudo…”

  1. antonio carlos m ramos borges says:

    Muito boa materia vou tira uma copia leva para escola para professora de inglês debate com ela sobre sua materia uma visão muito boa para refretir boa trade vlw ….

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