<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Blog do Jornalista João Mellão Neto</title>
	<atom:link href="http://www.blogdomellao.com.br/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.blogdomellao.com.br/forum</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Fri, 26 Feb 2010 16:57:48 +0000</lastBuildDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.9.2</generator>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
			<item>
		<title>Quem tem medo dos populistas?</title>
		<link>http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/26/quem-tem-medo-dos-populistas/</link>
		<comments>http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/26/quem-tem-medo-dos-populistas/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 26 Feb 2010 16:57:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Mellão Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[A Visão Liberal]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Espaço Aberto do Estadão]]></category>
		<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.blogdomellao.com.br/?p=686</guid>
		<description><![CDATA[Os populistas voltaram. Sim. Eles mesmos. Já andaram por aqui na década de 1940, ressurgiram na década de 1950 e início da de 1960 e andaram caçando bois em pastos na de 1980. Eles são sempre iguais: adoráveis em curto prazo, perigosos em médio prazo e desastrosos em longo prazo. E não se corrigem. Até [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-688" title="multidão" src="http://www.blogdomellao.com.br/wp-content/uploads/2010/02/multidão-150x150.jpg" alt="multidão" width="150" height="150" />Os populistas voltaram. Sim. Eles mesmos. Já andaram por aqui na década de 1940, ressurgiram na década de 1950 e início da de 1960 e andaram caçando bois em pastos na de 1980. Eles são sempre iguais: adoráveis em curto prazo, perigosos em médio prazo e desastrosos em longo prazo. E não se corrigem. Até porque seus métodos voltam sempre a fazer sucesso desde que o povo se esqueça das catástrofes que causaram em suas últimas atuações. O populismo é uma doença infantil da democracia. Um mal tão perigoso quanto a catapora e o sarampo. E, como eles, parece inofensivo em seus primeiros sintomas.<br />
Populismo, na prática, é como fazem determinados jogadores de futebol que descobrem que fazer gols é muito difícil. Mais cômodo e com melhores efeitos imediatos é &#8220;jogar para a plateia&#8221;. Uma embaixadinha aqui, uma ameaça de drible acolá e pronto, os torcedores já se dão por satisfeitos. Para que lutar por resultados efetivos? De que vale suar a camisa se com muito menor esforço já se consegue agradar ao público?<br />
Medidas e atitudes populistas não costumam agradar à opinião pública em nações onde as instituições já estão maduras e consolidadas. Também não servem para nações onde essas nem sequer existem. Funcionam bem onde já há alguns arremedos de instituições mas elas ainda são fracas, incipientes. É o caso da maior parte das nações da América Latina.<br />
Populismo não tem fórmula pronta e acabada. Tampouco é passível de improvisação. É, na prática, um espetáculo de ilusionismo, mágicas e efeitos especiais. O governante populista não se arrisca jamais a tomar medidas que possam parecer antipáticas. Mesmo que a experiência de seu país, e também dos outros, indique que estas são as únicas que podem surtir algum efeito. Os populistas preferem arroubos retóricos a atitudes eficazes. Num momento de alto desemprego, inflação e estagnação econômica, o que vem à mente de um governante populista? Adotar um receituário econômico de austeridade e severidade? Ou fazer pronunciamientos públicos irados contra a suposta exploração de que seu pobre país seria vítima por parte das nações mais ricas? Não há dúvida de que os populistas optam pela segunda fórmula.<br />
Agir assim é mais fácil, mais cômodo e ainda leva a vantagem de que todos os opositores podem ser tachados de inimigos do bem-estar do povo, ou entreguistas, ou mesmo agentes dos interesses estrangeiros. Ai daqueles que se manifestarem contrários às medidas populistas! Serão tachados, no mínimo, de covardes ou derrotistas. El pueblo, nos momentos críticos, não pode contar com os tíbios e os fracotes. Faz-se necessário, nessas ocasiões, que haja líderes destemidos e impetuosos. Gente &#8220;corajosa&#8221; a ponto de não temer denunciar as injustiças. E quem seriam eles? Ora, os populistas, é claro!<br />
Infelizmente, as anomalias políticas de cunho populista não são facilmente extirpáveis do corpo social. Afinal, o populismo sempre apresenta alternativas simpáticas, impetuosas e de fácil adoção. É como se no rótulo de todo elixir populista viesse a advertência: agite antes de usar.<br />
Pobres dos que, em oposição aos desmandos populistas, apresentam alternativas antipáticas ou dolorosas ao corpo social. As massas serão instadas a repudiá-los veementemente por se posicionarem contra os interesses maiores del pueblo e de la nación.<br />
Você é daqueles que entendem que os populistas só podem ser bem-sucedidos em países atrasados como a Venezuela de Hugo Chávez, a Bolívia de Evo Morales, o Equador de Rafael Correa ou a ilha da fantasia dos irmãos Castro? Acredita que em povos maduros e mais bem instruídos esse tipo de discurso não pega? Você está sendo otimista demais. Como é que você explicaria o fato de o casal Kirchner permanecer no poder há tantos anos numa nação civilizada e com uma população bem-educada como a Argentina?<br />
Pois Néstor e Cristina Kirchner dominam a cena política por lá há sete anos e seu arsenal de expedientes populistas ainda parece ser inesgotável. Desde tentarem passar ao povo a imagem de que são como que a reencarnação de outro casal de políticos do passado, Juan e Eva Perón (também populistas), até o fato de recorrerem a &#8220;atitudes corajosas&#8221; como mandar prender comerciantes por eventuais elevações de preços e, mais recentemente, medidas de aparência patriótica como reivindicar a posse das Ilhas Falkland (&#8220;Malvinas&#8221;), desde sempre propriedade do Reino Unido. Sobre essa disputa, é bom lembrar, já houve uma guerra, vencida pelos ingleses, em 1982. O governo militar argentino de então, como forma de reconquistar o apoio popular, reivindicou as ilhas e as invadiu. Os súditos de Sua Majestade as retomaram em menos de seis meses, com pesados reveses e baixas do lado dos nossos vizinhos. Como agora, o Brasil, de imediato, se posicionou do lado de los hermanos. Desta vez, ninguém sabe dizer no que vai dar. É possível que haja uma saída diplomática. Pode, também, acabar novamente em guerra. Uma coisa, no entanto, parece previsível: a sobrevivência política do casal estará, por um bom tempo, assegurada.<br />
Para aqueles otimistas que acreditam que os brasileiros já amadureceram o bastante para não caírem mais na lábia dos populistas, vale uma advertência. A conjuntura política na América Latina sempre evolui por ondas. Quando eram os militares que ditavam as regras, quase todas as nações de nosso subcontinente adotaram regimes militares. Quando as democracias liberais do suposto Consenso de Washington apareceram, elas proliferaram rapidamente. Por outro lado, nas vezes em que regimes autoritários de cunho populista surgiram, eles contagiaram toda a região. O &#8220;regime da moda&#8221;, agora, aparenta ser esse.<br />
Que a dona Dilma me desminta se eu não estou dizendo a verdade.</p>
<p> </p>
<p>Artigo publicado em 26/02/2010 no jornal “O Estado de São Paulo”.</p>
<div class="sexy-bookmarks sexy-bookmarks-expand sexy-bookmarks-center sexy-bookmarks-bg-enjoy"><ul class="socials"><li class="sexy-delicious"><a href="http://del.icio.us/post?url=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/26/quem-tem-medo-dos-populistas/&amp;title=Quem+tem+medo+dos+populistas%3F" rel="nofollow" class="external" title="Share this on del.icio.us">Share this on del.icio.us</a></li><li class="sexy-stumbleupon"><a href="http://www.stumbleupon.com/submit?url=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/26/quem-tem-medo-dos-populistas/&amp;title=Quem+tem+medo+dos+populistas%3F" rel="nofollow" class="external" title="Stumble upon something good? Share it on StumbleUpon">Stumble upon something good? Share it on StumbleUpon</a></li><li class="sexy-myspace"><a href="http://www.myspace.com/Modules/PostTo/Pages/?u=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/26/quem-tem-medo-dos-populistas/&amp;t=Quem+tem+medo+dos+populistas%3F" rel="nofollow" class="external" title="Post this to MySpace">Post this to MySpace</a></li><li class="sexy-facebook"><a href="http://www.facebook.com/share.php?u=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/26/quem-tem-medo-dos-populistas/&amp;t=Quem+tem+medo+dos+populistas%3F" rel="nofollow" class="external" title="Share this on Facebook">Share this on Facebook</a></li><li class="sexy-twitter"><a href="http://twitter.com/home?status=RT+@joaomellao:+Quem+tem+medo+dos+populistas%3F+-+http://tinyurl.com/ygsnvrl" rel="nofollow" class="external" title="Tweet This!">Tweet This!</a></li><li class="sexy-comfeed"><a href="http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/26/quem-tem-medo-dos-populistas/feed" rel="nofollow" class="external" title="Subscribe to the comments for this post?">Subscribe to the comments for this post?</a></li><li class="sexy-google"><a href="http://www.google.com/bookmarks/mark?op=add&amp;bkmk=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/26/quem-tem-medo-dos-populistas/&amp;title=Quem+tem+medo+dos+populistas%3F" rel="nofollow" class="external" title="Add this to Google Bookmarks">Add this to Google Bookmarks</a></li></ul><div style="clear:both;"></div></div><img src="http://www.blogdomellao.com.br/?ak_action=api_record_view&id=686&type=feed" alt="" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/26/quem-tem-medo-dos-populistas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>17</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Egoísmo esclarecido</title>
		<link>http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/22/egoismo-esclarecido/</link>
		<comments>http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/22/egoismo-esclarecido/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 22 Feb 2010 18:46:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Mellão Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos Antigos]]></category>
		<category><![CDATA[Espaço Aberto do Estadão]]></category>
		<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.blogdomellao.com.br/?p=680</guid>
		<description><![CDATA[Quase dois séculos atrás, o francês Alexis de Tocqueville, em visita aos EUA, reparou que os americanos tinham algumas características que os diferenciavam de todos os outros povos. Segundo ele, todos os cidadãos seguiam dois valores aparentemente contraditórios. De um lado, cultivavam um individualismo exacerbado e explícito e, de outro, praticavam o comunitarismo em níveis [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-681" title="bandeira-dos-eua" src="http://www.blogdomellao.com.br/wp-content/uploads/2010/02/bandeira-dos-eua-150x150.jpg" alt="bandeira-dos-eua" width="150" height="150" />Quase dois séculos atrás, o francês Alexis de Tocqueville, em visita aos EUA, reparou que os americanos tinham algumas características que os diferenciavam de todos os outros povos. Segundo ele, todos os cidadãos seguiam dois valores aparentemente contraditórios. De um lado, cultivavam um individualismo exacerbado e explícito e, de outro, praticavam o comunitarismo em níveis também inéditos.</p>
<p>Como pode uma pessoa ser, ao mesmo tempo, individualista e comunitarista? Na época, anos 30 do século 19, ninguém arriscava uma explicação. O fato é que funcionava. Apesar de manifestamente egoístas, na hora da necessidade coletiva todos contribuíam com o necessário para afastar o problema. Cada um cedia o suficiente e ninguém fazia alarde disso.</p>
<p>Como é possível?</p>
<p>A expressão que engloba tudo isso é &#8220;egoísmo esclarecido&#8221; e só surgiu há poucos anos. Nos EUA, talvez em função das peculiaridades de sua formação &#8211; desde seu passado colonial -, todos os indivíduos aprenderam, desde sempre, a se virar por si próprios e a não contar com o Estado, ou qualquer outra autoridade maior, para ajudá-los nas suas necessidades. Mesmo quando envolvem a comunidade.</p>
<p>Egoísmo esclarecido é o seguinte: todos se assumem explicitamente como individualistas e egoístas e ninguém se envergonha disso; por outro lado, são conscientes e esclarecidos. Quando os problemas são gerais, todos participam e jamais se gabam ou se vangloriam.</p>
<p>Isso é estranho e incompreensível para nós. A cultura latina pauta-se por valores muito diferentes. As pessoas, por aqui, não se assumem como individualistas ou egoístas &#8211; ao contrário, são todas altruístas &#8211; e, em contrapartida, nada se faz visando exclusivamente a comunidade. Qualquer atitude nesse sentido é sempre muito alardeada e repercutida.</p>
<p>A rigidez da cultura norte-americana vem adquirindo novas nuances. John Rockefeller, já no século 20, foi o primeiro grande empresário a praticar a filantropia. Financiou a educação em todos os aspectos &#8211; desde o custo de instalação de salas de aula até pesquisas aplicadas. Sua atitude virou regra: praticamente todos os grandes empresários praticam filantropia. Mas ninguém o faz enquanto sua fortuna ainda está na fase de criação. Não é correto valer-se de uma boa reputação para obter vantagens nos negócios. Também não é costume praticar caridade. Tudo o que se faz é no sentido de ajudar as pessoas a se ajudarem. Essas atitudes são coerentes com o espírito da América. Trata-se de mais uma manifestação da prática do egoísmo esclarecido. Isso não faz sentido dentro da ótica latina. Os valores são outros.</p>
<p>E a fundação de Bill Gates que tem como foco as populações mais pobres do mundo? Trata-se de uma exceção?</p>
<p>Não. A fundação dos Gates se abstém de práticas de cunho paternalista ou assistencialista. Ela investe na criação de novas técnicas &#8211; mais em conta e baratas &#8211; para proporcionar a todas as nações as condições mínimas para iniciarem o seu processo de desenvolvimento. Seus focos principais são a saúde e a educação.</p>
<p>Nada de esmolas, portanto. Muitos recursos já foram despendidos pelos países ricos com o sentido de ajudar os países pobres. O saldo final é que os povos pobres permanecem na miséria.</p>
<p>Houve pouca honestidade ou transparência por parte das nações desenvolvidas? Ao contrário. O fato é que o dinheiro simplesmente sumiu. E isso ocorreu depois de ter sido transferido para os governos dos povos não-desenvolvidos. Não se dá o peixe, diz o ditado, mas se ensina a pescar.</p>
<p>Voltando aos valores que geram o egoísmo esclarecido, há quem afirme, de fora dos EUA, que os norte-americanos são comportados porque a legislação lá é muito severa. Ora, o Código de Trânsito Brasileiro é duro, o número de policiais é considerado suficiente e nem por isso os motoristas respeitam as regras mais elementares.</p>
<p>Nas autoestradas, por exemplo, nos dias e horários de tráfego intenso, os congestionamentos são agravados porque muitos motoristas optam por &#8220;costurar&#8221;: mudam de faixa constantemente, ultrapassam pela direita e pelo acostamento. No tempo de percurso não levam vantagem alguma. Acabam chegando ao destino junto com aqueles que não adotaram tais práticas. Mas eles ficam satisfeitos. O negócio é levar vantagem em tudo, certo?</p>
<p>As noções éticas de grande parte dos latinos são essas. Furar fila, &#8220;costurar&#8221; e inúmeras outras atitudes colidem frontalmente com o conceito de egoísmo esclarecido. São evidências, ao contrário, da prática de um egoísmo cego e ignorante. Quando todos querem levar vantagem em tudo, ninguém acaba levando vantagem em nada. É uma conclusão óbvia. Mas, como tudo o que é óbvio, é muito difícil se chegar a ela.</p>
<p>Os latino-americanos, em grande parte, ressentem-se com o sucesso dos norte-americanos. O fato de os EUA &#8211; em especial &#8211; terem dado certo, enquanto os demais países do continente, com raras exceções, não se desenvolveram, é motivo de ódio. Os EUA desenvolveram-se, entre outras razões, porque seu povo &#8211; sua sociedade &#8211; vem adotando, desde sempre, os valores que mais facilitam a afluência e o progresso. Não entender isso é tentar, como se diz, encobrir o Sol com a peneira.</p>
<p>Como constataram os autores do livro O Perfeito Idiota Latino-Americano, faz parte da cultura responsabilizar os outros pelos nossos fracassos. Tudo o que aconteceu de errado por aqui foi causado pela &#8220;exploração impiedosa&#8221; dos EUA ou pelo &#8220;sistema colonial ibérico&#8221;. O livro foi escrito por três homens. Todos originários da América Latina.</p>
<p>É extremamente difícil, para qualquer um, compreender e, sobretudo, assimilar os valores que pautam o egoísmo esclarecido. Mas, ao não fazê-lo, adia-se ainda mais o desenvolvimento. Paciência.</p>
<p> </p>
<p>Artigo publicado no jornal “O Estado de São Paulo” em 16 de Janeiro de 2009.</p>
<div class="sexy-bookmarks sexy-bookmarks-expand sexy-bookmarks-center sexy-bookmarks-bg-enjoy"><ul class="socials"><li class="sexy-delicious"><a href="http://del.icio.us/post?url=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/22/egoismo-esclarecido/&amp;title=Ego%C3%ADsmo+esclarecido" rel="nofollow" class="external" title="Share this on del.icio.us">Share this on del.icio.us</a></li><li class="sexy-stumbleupon"><a href="http://www.stumbleupon.com/submit?url=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/22/egoismo-esclarecido/&amp;title=Ego%C3%ADsmo+esclarecido" rel="nofollow" class="external" title="Stumble upon something good? Share it on StumbleUpon">Stumble upon something good? Share it on StumbleUpon</a></li><li class="sexy-myspace"><a href="http://www.myspace.com/Modules/PostTo/Pages/?u=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/22/egoismo-esclarecido/&amp;t=Ego%C3%ADsmo+esclarecido" rel="nofollow" class="external" title="Post this to MySpace">Post this to MySpace</a></li><li class="sexy-facebook"><a href="http://www.facebook.com/share.php?u=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/22/egoismo-esclarecido/&amp;t=Ego%C3%ADsmo+esclarecido" rel="nofollow" class="external" title="Share this on Facebook">Share this on Facebook</a></li><li class="sexy-twitter"><a href="http://twitter.com/home?status=RT+@joaomellao:+Ego%C3%ADsmo+esclarecido+-+http://tinyurl.com/ylqdon7" rel="nofollow" class="external" title="Tweet This!">Tweet This!</a></li><li class="sexy-comfeed"><a href="http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/22/egoismo-esclarecido/feed" rel="nofollow" class="external" title="Subscribe to the comments for this post?">Subscribe to the comments for this post?</a></li><li class="sexy-google"><a href="http://www.google.com/bookmarks/mark?op=add&amp;bkmk=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/22/egoismo-esclarecido/&amp;title=Ego%C3%ADsmo+esclarecido" rel="nofollow" class="external" title="Add this to Google Bookmarks">Add this to Google Bookmarks</a></li></ul><div style="clear:both;"></div></div><img src="http://www.blogdomellao.com.br/?ak_action=api_record_view&id=680&type=feed" alt="" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/22/egoismo-esclarecido/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Prezada dona Dilma</title>
		<link>http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/12/prezada-dona-dilma/</link>
		<comments>http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/12/prezada-dona-dilma/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 12 Feb 2010 16:34:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Mellão Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[A Visão Liberal]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Política Brasileira]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.blogdomellao.com.br/?p=677</guid>
		<description><![CDATA[Tempos atrás, aqui mesmo, neste Espaço Aberto, comparei a senhora, com as ideias antiquadas que defende, a um DKW &#8211; aquele automóvel que foi fabricado no Brasil no início da década de 1960. Recebi numerosos e-mails reclamando que eu estava sendo injusto. Injusto com o DKW. Pois é. O carro deixou uma boa impressão, o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-678" title="dilma" src="http://www.blogdomellao.com.br/wp-content/uploads/2010/02/dilma-150x150.jpg" alt="dilma" width="150" height="150" />Tempos atrás, aqui mesmo, neste Espaço Aberto, comparei a senhora, com as ideias antiquadas que defende, a um DKW &#8211; aquele automóvel que foi fabricado no Brasil no início da década de 1960. Recebi numerosos e-mails reclamando que eu estava sendo injusto. Injusto com o DKW. Pois é. O carro deixou uma boa impressão, o que &#8211; perdoe-me o mau jeito &#8211; parece muito não ser o seu caso. Estive vasculhando as minhas memórias e constatei que o DKW é muito moderno para a senhora. A comparação adequada seria com um Ford 1929. E, ao afirmar isso, espero que ninguém reclame do fato de eu estar cometendo outra injustiça.<br />
É Ford 1929, mesmo. Foi naquela época em que ele estava sendo fabricado que um sujeito chamado Benito Mussolini fazia sucesso com o lema: &#8220;Tudo no Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado.&#8221; Joseph Stalin e outros contemporâneos também não pensavam muito diferente disso. Poderíamos agraciar cada um deles com um Ford da época. Ou com uma Mercedes-Benz 770. A senhora sabia que esses personagens históricos já defendiam a ideia de um &#8220;Estado forte&#8221; &#8211; que é o cerne de sua plataforma política &#8211; naqueles tempos?<br />
Li, se não me, engano, na revista Veja, que o bordão que o Duda Mendonça apresentou para a sua campanha eleitoral é baseado naquela música do Zeca Pagodinho: &#8220;Deixa a Dilma me levar; Dilma leva eu&#8230;&#8221; Com todo o respeito, dona Dilma, levar para onde? Dá calafrios só de pensar.<br />
Por falar em Duda Mendonça, cabe a pergunta: vocês o reabilitaram? Vão pagar a campanha com dólares depositados nas Bahamas, como ele gosta? Isso é proibido, dona Dilma. A senhora sabia?<br />
Li, creio que na mesma revista, que quem está articulando a sua campanha nos diversos Estados é ninguém menos que José Dirceu. É, ele mesmo. Ele já foi ministro-chefe da Casa Civil, o mesmo cargo que a senhora ocupa. Também foi reabilitado? E aquela história do &#8220;mensalão&#8221; como é que fica? Segundo a malvada da imprensa, ele era o grande articulador do esquema. Deixa pra lá. Isso também deve ser &#8220;intriga da oposição&#8221;, não é verdade?</p>
<p>Por falar nisso, por que será que a &#8220;mídia&#8221; implica tanto com a senhora? Está em seus planos criar um &#8220;órgão controlador do conteúdo da imprensa&#8221;? A federação dos jornalistas &#8211; à qual não sou filiado &#8211; já apresentou uma proposta nesse sentido. A senhora concorda?</p>
<p>A pergunta é pertinente. Um dia destes &#8211; quando o Hugo Chávez, da Venezuela, cassou a concessão de seis emissoras de televisão a cabo &#8211; questionaram se a senhora concordava com tal medida. E, dona Dilma, a senhora respondeu de forma evasiva. Disse algo como: &#8220;Quem sou eu para julgar&#8230;&#8221; A senhora não tem opinião formada sobre o assunto? Assim vai mal&#8230;<br />
Mudando de assunto, esse negócio de &#8220;Estado forte&#8221; que a senhora defende me lembra os tempos do general Ernesto Geisel. Se a senhora não se lembra, foi aquele presidente do Brasil, na década de 1970, que tão somente fechou o Congresso por alguns dias e baixou várias medidas políticas arbitrárias que ficaram conhecidas como &#8220;pacote de abril&#8221;. Entre elas, vale destacar, foi criada a triste figura do &#8220;senador biônico&#8221;.<br />
Pois bem, o presidente Geisel vivia dizendo que a economia brasileira estava apoiada em três pés: o Estado, o capital estrangeiro e a iniciativa privada nacional. Não era bem assim, na prática. Durante o governo do dito cujo foram criadas quase 400 empresas estatais. E a maioria esmagadora dava prejuízo, sangrando o Tesouro Nacional. Paciência. Segundo ele, o Estado deveria suprir, na economia, todas as lacunas deixadas pela iniciativa privada. Era melhor para a Nação que o estatismo prevalecesse do que entregar a área ao capital estrangeiro.</p>
<p>Quase tudo nos tempos de Geisel era propriedade do Estado. Surgiu até um neologismo para designar a nova elite que tomara o poder: tecnocracia, mistura de burocracia com conhecimento técnico. E os tecnocratas bem que abusavam. Conheci um sujeito, na época, que trabalhava na companhia telefônica estatal de São Paulo. Ele me contou, orgulhoso, que fora transferido para o &#8220;Departamento de Esportes&#8221; da empresa. Na prática, ele não precisava fazer mais nada&#8230; E o salário, que não era baixo, pingava, com certeza, todos os meses. É esse tipo de &#8220;Estado forte&#8221; que a senhora prega? Não é isso? O Estado musculoso que a senhora deseja seria, por acaso, de uma modalidade &#8220;diferente&#8221;?</p>
<p>Deu um trabalho enorme desmontar toda a estrutura estatal criada no País. E foi muito bom. Como lembra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em artigo publicado nesta página do Estadão no último domingo, a Companhia Vale do Rio Doce, depois de privatizada, contribui com impostos muito mais do que rendia em dividendos quando era estatal. Não é o único caso. E tampouco há de ser o último&#8230;<br />
Pois o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, desde que assumiu o poder, não mais privatizou nenhuma empresa. Ao contrário, ele prega um Estado maior e para tanto tratou de capitalizar o Banco do Brasil, o BNDES e tudo mais que é estatal.<br />
Segundo ele, a crise internacional aqui, no Brasil, só se configurou como uma &#8220;marolinha&#8221; porque o seu governo salvou o sistema financeiro nacional da quebradeira geral. Não é bem verdade. As finanças nacionais não se envolveram na especulação geral porque aqui, depois das quebras monumentais de bancos brasileiros na década de 1990, o sistema se tornou bastante regulamentado e os bancos, capitalizados. Isso se deve, em boa parte, ao seu antecessor, Fernando Henrique&#8230;<br />
Tenha santa paciência, dona Dilma, Estado agigantado existe um só: é do tipo que reinou por aqui na década de 1970. A senhora sonha com um Estado sarado. Pois o máximo que conseguirá será um Estado obeso.</p>
<p> </p>
<p>Artigo publicado no jornal “O Estado de São Paulo” em 12 de fevereiro de 2010.</p>
<div class="sexy-bookmarks sexy-bookmarks-expand sexy-bookmarks-center sexy-bookmarks-bg-enjoy"><ul class="socials"><li class="sexy-delicious"><a href="http://del.icio.us/post?url=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/12/prezada-dona-dilma/&amp;title=Prezada+dona+Dilma" rel="nofollow" class="external" title="Share this on del.icio.us">Share this on del.icio.us</a></li><li class="sexy-stumbleupon"><a href="http://www.stumbleupon.com/submit?url=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/12/prezada-dona-dilma/&amp;title=Prezada+dona+Dilma" rel="nofollow" class="external" title="Stumble upon something good? Share it on StumbleUpon">Stumble upon something good? Share it on StumbleUpon</a></li><li class="sexy-myspace"><a href="http://www.myspace.com/Modules/PostTo/Pages/?u=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/12/prezada-dona-dilma/&amp;t=Prezada+dona+Dilma" rel="nofollow" class="external" title="Post this to MySpace">Post this to MySpace</a></li><li class="sexy-facebook"><a href="http://www.facebook.com/share.php?u=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/12/prezada-dona-dilma/&amp;t=Prezada+dona+Dilma" rel="nofollow" class="external" title="Share this on Facebook">Share this on Facebook</a></li><li class="sexy-twitter"><a href="http://twitter.com/home?status=RT+@joaomellao:+Prezada+dona+Dilma+-+http://tinyurl.com/ykm98ov" rel="nofollow" class="external" title="Tweet This!">Tweet This!</a></li><li class="sexy-comfeed"><a href="http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/12/prezada-dona-dilma/feed" rel="nofollow" class="external" title="Subscribe to the comments for this post?">Subscribe to the comments for this post?</a></li><li class="sexy-google"><a href="http://www.google.com/bookmarks/mark?op=add&amp;bkmk=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/12/prezada-dona-dilma/&amp;title=Prezada+dona+Dilma" rel="nofollow" class="external" title="Add this to Google Bookmarks">Add this to Google Bookmarks</a></li></ul><div style="clear:both;"></div></div><img src="http://www.blogdomellao.com.br/?ak_action=api_record_view&id=677&type=feed" alt="" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/12/prezada-dona-dilma/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>23</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Conselhos úteis ao meu filho</title>
		<link>http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/08/conselhos-uteis-ao-meu-filho/</link>
		<comments>http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/08/conselhos-uteis-ao-meu-filho/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 08 Feb 2010 17:20:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Mellão Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos Antigos]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Política Brasileira]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.blogdomellao.com.br/?p=674</guid>
		<description><![CDATA[Meu filho do meio, o Ricardo, hoje com 22 anos e prestes a se formar em Direito, me manifestou o seu desejo de seguir a carreira política. Quanto ao País, tudo bem. Ele tem uma sólida formação moral, ideais e princípios bem definidos e uma cultura humanística bem superior à média, para a sua idade. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-675" title="pai-e-filho" src="http://www.blogdomellao.com.br/wp-content/uploads/2010/02/pai-e-filho-150x150.jpg" alt="pai-e-filho" width="150" height="150" />Meu filho do meio, o Ricardo, hoje com 22 anos e prestes a se formar em Direito, me manifestou o seu desejo de seguir a carreira política. Quanto ao País, tudo bem. Ele tem uma sólida formação moral, ideais e princípios bem definidos e uma cultura humanística bem superior à média, para a sua idade. Mas, perguntei-lhe, desde quando política pode ser definida como uma carreira?<br />
Há maneiras diversas de se chegar a ela. Muitos logram galgar cargos eletivos porque, por algum motivo, conquistaram respeito e prestígio em suas comunidades. Começam como vereadores, têm desempenho destacado, e logo são levados a disputar a prefeitura de sua cidade ou um mandato de deputado estadual ou federal. Outros se elegem em função da mídia, por nela, graças ao seu talento comunicativo, se tornarem conhecidos e admirados o suficiente para amealhar um número de votos suficiente para aspirar a uma candidatura. Há aqueles que se elegem por serem parentes ou afilhados de algum político famoso, que lhes transfere parte de seus votos. E há, também, aqueles que, sendo abastados, se dispõem a despender fortunas em busca de um mandato que, uma vez obtido, lhes trará prestígio e consideração por parte da sociedade. Quais deles saberão se comportar da forma mais digna, de modo a honrar o mandato que os eleitores lhe outorgaram? É difícil dizer.<br />
Carlos Lacerda, num de seus livros, distinguiu os políticos mesquinhos, tacanhos, daqueles realmente dotados de grandeza. Os pequenos, observava ele, são os que vêem no poder &#8211; e na pompa de que ele é revestido &#8211; apenas uma forma de exaltar o seu amor-próprio. Deixam-se levar pelos áulicos, extasiam-se com as reverências que lhes são dedicadas, aproveitam-se do posto para ajudar os amigos e espicaçar os desafetos e jamais vêm a entender o quanto poderiam ter-se valido do cargo para promover mudanças realmente proveitosas para a sociedade. Os miúdos simplesmente são varridos pelos ventos da História. São merecidamente esquecidos porque, na verdade, nada fizeram de monta para que viessem a ser lembrados. Ao contrário do que parece, o exercício do poder, tão sonhado e almejado, não os satisfaz. Em pouco tempo as tropas perfiladas e o rufar dos tambores acabam por se tornar rotineiros, não mais entusiasmam, e o que resta ao governante são os problemas e as dificuldades, que parecem multiplicar-se à medida que o tempo passa.<br />
Já no caso dos autênticos estadistas, daqueles raros homens de fato dotados da virtude da grandeza, o poder não é desejado apenas como um fim em si, mas sim como uma preciosa e indispensável ferramenta para aperfeiçoar a sociedade. Com ou sem conotações místicas, todos eles se sentem predestinados (e já li centenas de biografias). Julgam-se dotados de uma missão cuja importância é maior que a deles próprios. As honrarias que lhes são dirigidas não os comovem, só amplificam o seu senso de responsabilidade. A que vieram, por que vieram são questões existenciais que os atormentam diuturnamente. E, uma vez escolhidos, dedicam ao posto o melhor de si e de seus sentimentos.<br />
Ricardo, meu filho, que tipo de político você pretende ser? Pequenos e menores já existem de sobra. A sociedade não carece deles. Mesmo que lhe faltem as virtudes necessárias para ser um Churchill ou um De Gaulle, procure pensar e se comportar como se fosse um deles. Mais do que tudo, as pessoas carecem de referências, de exemplos. A grandeza contagia. Não só os que lhe estão próximos, mas também o próprio intérprete que se dispõe a praticá-la. Pense como os grandes e, em breve, você será um deles.<br />
Não tema jamais, meu filho, o veredicto das urnas. A vitória, quando conseguida, fala por si. Já as derrotas, por mais amargas que sejam, trazem consigo importantes e imprescindíveis lições. Elas nos impõem, sobretudo, a humildade. Nunca fuja do bom combate. Ele sempre engrandece a todos, vencedores e vencidos.<br />
Tenha sempre em mente, Ricardo, que política não é profissão. Dedique-se aos estudos com afinco. Não se contente, apenas, em ser um bom advogado. Busque ser o melhor, dentro das suas circunstâncias, aptidões e limitações. Somente assim você conquistará o apreço e o respeito de seus pares. E isso, por si só, já representa meio caminho andado. A fortuna abençoa e protege os bravos. Seja um deles e o universo, com certeza, conspirará a seu favor. Ninguém, é certo, confiará em você e em suas idéias, se você mesmo não demonstrar, de forma cabal, que também acredita.<br />
Mais do que dinheiro, renome ou simpatizantes, o meu legado a você é a minha sagrada e sincera bênção e a virtude, duramente conquistada em mais de duas décadas de vida pública, de nunca, jamais, ter o meu nome conspurcado por qualquer suspeita de envolvimento em negócios escusos. Escrevi isto num artigo em honra a meu pai, falecido há quase 20 anos: &#8220;Ele era justo e bom; digno e honrado. Abençoado é aquele a quem Deus permite apor esses quatro adjetivos ao seu epitáfio.&#8221;<br />
Seja assim, meu filho. Seu caráter, na vida pública, será, sem dúvida, o seu maior patrimônio. Será o único bem que, em qualquer circunstância, ninguém logrará tirar de você. Seja correto, meu filho, e, ganhando ou perdendo, eu sempre terei orgulho de você.<br />
Quando, em palestra numa Faculdade de Direito, perguntaram a Abraham Lincoln se era possível, como advogados, serem políticos honestos, ele, sem pensar, respondeu: &#8220;Se vocês acham que não, tratem de ser honestos sem se atreverem a ser políticos&#8230;&#8221;<br />
O que tenho a lhe dizer, meu filho, no fundo, é isso.<br />
Seus ideais, Ricardo, serão para você como as estrelas. Você nunca poderá alcançá-las. Mas é orientando-se por elas que você, mais cedo ou mais tarde, haverá de chegar ao seu destino.</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p>Artigo publicado no jornal “O Estado de São Paulo” em 26 de Outubro de 2007.</p>
<div class="sexy-bookmarks sexy-bookmarks-expand sexy-bookmarks-center sexy-bookmarks-bg-enjoy"><ul class="socials"><li class="sexy-delicious"><a href="http://del.icio.us/post?url=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/08/conselhos-uteis-ao-meu-filho/&amp;title=Conselhos+%C3%BAteis+ao+meu+filho" rel="nofollow" class="external" title="Share this on del.icio.us">Share this on del.icio.us</a></li><li class="sexy-stumbleupon"><a href="http://www.stumbleupon.com/submit?url=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/08/conselhos-uteis-ao-meu-filho/&amp;title=Conselhos+%C3%BAteis+ao+meu+filho" rel="nofollow" class="external" title="Stumble upon something good? Share it on StumbleUpon">Stumble upon something good? Share it on StumbleUpon</a></li><li class="sexy-myspace"><a href="http://www.myspace.com/Modules/PostTo/Pages/?u=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/08/conselhos-uteis-ao-meu-filho/&amp;t=Conselhos+%C3%BAteis+ao+meu+filho" rel="nofollow" class="external" title="Post this to MySpace">Post this to MySpace</a></li><li class="sexy-facebook"><a href="http://www.facebook.com/share.php?u=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/08/conselhos-uteis-ao-meu-filho/&amp;t=Conselhos+%C3%BAteis+ao+meu+filho" rel="nofollow" class="external" title="Share this on Facebook">Share this on Facebook</a></li><li class="sexy-twitter"><a href="http://twitter.com/home?status=RT+@joaomellao:+Conselhos+%C3%BAteis+ao+meu+filho+-+http://tinyurl.com/ylaghsm" rel="nofollow" class="external" title="Tweet This!">Tweet This!</a></li><li class="sexy-comfeed"><a href="http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/08/conselhos-uteis-ao-meu-filho/feed" rel="nofollow" class="external" title="Subscribe to the comments for this post?">Subscribe to the comments for this post?</a></li><li class="sexy-google"><a href="http://www.google.com/bookmarks/mark?op=add&amp;bkmk=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/08/conselhos-uteis-ao-meu-filho/&amp;title=Conselhos+%C3%BAteis+ao+meu+filho" rel="nofollow" class="external" title="Add this to Google Bookmarks">Add this to Google Bookmarks</a></li></ul><div style="clear:both;"></div></div><img src="http://www.blogdomellao.com.br/?ak_action=api_record_view&id=674&type=feed" alt="" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/08/conselhos-uteis-ao-meu-filho/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>6</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A revanche</title>
		<link>http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/02/a-revanche/</link>
		<comments>http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/02/a-revanche/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 02 Feb 2010 15:28:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Mellão Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Política Brasileira]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.blogdomellao.com.br/?p=669</guid>
		<description><![CDATA[Lá por meados da década de 1970 eu era universitário e nós, estudantes, tínhamos certeza que o governo militar estava caindo, de modo que nossos debates se davam a respeito de que governo viria a suceder àquele. Havia várias correntes de pensamento, todas elas marxistas, que pregavam desde o socialismo light até o comunismo da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-672" title="ditadura 1" src="http://www.blogdomellao.com.br/wp-content/uploads/2010/02/ditadura-1-150x150.jpg" alt="ditadura 1" width="150" height="150" />Lá por meados da década de 1970 eu era universitário e nós, estudantes, tínhamos certeza que o governo militar estava caindo, de modo que nossos debates se davam a respeito de que governo viria a suceder àquele. Havia várias correntes de pensamento, todas elas marxistas, que pregavam desde o socialismo light até o comunismo da linha dura maoista. Por que não a social-democracia? Porque, segundo se dizia, esse tipo de sistema de governo era um embuste criado como forma de adiar o advento da Grande Revolução. A burguesia era culpada de tudo. E não nos dávamos conta é de que nós éramos todos burgueses também. Pequenos burgueses, o que era pior.<br />
Ernesto Geisel, no colégio eleitoral, havia vencido Ulysses Guimarães, que se declarara &#8220;anticandidato&#8221;.<br />
O que nós achávamos de tudo isso? Nada. Tratava-se de algo que não nos dizia respeito. Geisel ou Ulysses, ambos nos pareciam ser farinha do mesmo saco. O jogo político, no nosso pensamento, era outro. Ele não se travava nas urnas, mas sim nas ruas, onde se digladiavam, ferozmente, as diversas facções do pensamento de esquerda. Extrema esquerda, diga-se.<br />
É de conveniência relembrar tudo isso para destacar que, curiosamente, não existia nenhuma corrente de pensamento, ao menos nos meios acadêmicos, que tivesse como bandeira a redemocratização.<br />
Cada uma das alas do movimento estudantil, por sua vez, estava conectada a uma congênere, no mundo lá fora. Todos sabiam que o grupo x respondia ao MR-8, que o grupo y tinha laços estreitos com o PC do B, e assim por diante. No frigir dos ovos, diga-se a verdade, a situação era intelectualmente cômoda para os dois lados. Nos quartéis tinha-se como verdade o fato de que a sociedade brasileira era como um imenso caldeirão fervente: se fosse destampado, explodiria. As esquerdas, por sua vez, acreditavam no mesmo: a caldeira estava prestes a explodir. E, convictos todos disso, nada, na verdade, acontecia.<br />
Na área sindical, sempre tomada pelos pelegos, começava a surgir algo de novo e inédito. O Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, tido como a elite do proletariado brasileiro, elegeu uma nova diretoria e a impressão que dava era de que essa era autêntica: não faria, como sempre, o jogo dos patrões. O novo presidente do sindicato era um nordestino agitado e falante. O Brasil ainda ouviria muito falar dele: seu nome era Luiz Inácio da Silva, mais conhecido como Lula.<br />
Uma de suas primeiras providências, para desapontamento geral, foi comunicar aos ideólogos que a presença deles não era bem-vinda. Segundo afirmou, intelectual e estudante &#8220;só serviam para atrapalhar&#8221;. Alguns poucos anos depois, quando foi fundado o Partido dos Trabalhadores, ele viria a descobrir uma utilidade para &#8220;aquele tipo esquisito de gente&#8221;: eles eram excelentes para organizar protestos e manifestações públicas e estavam sempre dispostos a tomar a frente dos movimentos. Eram os primeiros a tomar cacetada da polícia.<br />
Alguns anos antes, todos nós sabíamos, os intelectuais e estudantes haviam tomado outro rumo, bem mais perigoso: organizaram-se em células e partiram para o confronto armado com as forças da situação.<br />
Muitos dos que adotaram essa opção viriam mais tarde, recentemente, a posar de mártires da luta pela volta da democracia no Brasil. Eis um dado controverso: até onde se sabe, eles não lutavam pela redemocratização. Essa hipótese nem lhes passava pela cabeça. O que pregavam, de fato, era a troca de uma &#8220;ditadura de direita&#8221; por uma &#8220;ditadura de esquerda&#8221;, que se prenunciava tão ou mais feroz do que a então existente.<br />
Tenho reparado que essa brava gente está de volta, cerrando fileiras em torno de um canhestro &#8220;Programa Nacional de Direitos Humanos &#8211; versão 3&#8243;. Estão brincando com pólvora: entre numerosas outras propostas, eles defendem a revogação unilateral da Lei da Anistia.</p>
<p>Para quem não sabe, foi pela promulgação dessa lei, em 1979, que se tornou possível a transição do regime fechado para um regime aberto. Anistia não significa perdão, e sim superação. Os fatos que ocorreram na fase de chumbo do antigo regime são dolorosos para ambos os lados. Sob a bênção dos generais, muito se matou e se torturou no Brasil, em nome do expurgo geral dos &#8220;comunistas&#8221;. Entre mortos e desaparecidos, calcula-se que as baixas teriam sido mais numerosas do que quatro centenas. Por outro lado, as esquerdas também não foram mártires inocentes desse processo. Os diversos movimentos clandestinos que exerceram a guerrilha e o terrorismo mataram mais de uma centena de pessoas, comprovadamente. Com uma agravante: a grande maioria das baixas causadas pelas guerrilhas não envolveu &#8220;soldados da causa&#8221;, mas sim gente inocente: pobres coitados transeuntes que tiveram o azar de estar na hora errada no lugar errado.<br />
Por mais que se negue, agora, que aqueles movimentos foram terroristas, não se sabe que nome se há de dar para práticas que envolvem a detonação de bombas e o morticínio de gente inocente.<br />
Todos, agora, exigem respeito e indenização pelo fato de terem &#8220;lutado pela volta da democracia&#8221;. Aos parentes de suas desavisadas vítimas esse tipo de argumento consola?<br />
De mais a mais, é sempre bom relembrar: daqueles que pegaram em armas, nenhum o fez com a intenção de promover a democracia. O que eles desejavam era substituir um governo autoritário de direita por um governo totalitário de esquerda.<br />
Que se cuidem a ministra Dilma Rousseff (VAR-Palmares) e o secretário Franklin Martins (MR-8). Se a &#8220;Comissão da Verdade&#8221;, para apurar violações dos direitos humanos durante os governos militares, for para valer, mais cedo ou mais tarde ela haverá de encontrá-los.<br />
Deixemos que os mortos, de ambos os lados, descansem em paz.</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p>Artigo publicado no jornal “O Estado de São Paulo” em 30 de Janeiro de 2010.</p>
<div class="sexy-bookmarks sexy-bookmarks-expand sexy-bookmarks-center sexy-bookmarks-bg-enjoy"><ul class="socials"><li class="sexy-delicious"><a href="http://del.icio.us/post?url=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/02/a-revanche/&amp;title=A+revanche" rel="nofollow" class="external" title="Share this on del.icio.us">Share this on del.icio.us</a></li><li class="sexy-stumbleupon"><a href="http://www.stumbleupon.com/submit?url=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/02/a-revanche/&amp;title=A+revanche" rel="nofollow" class="external" title="Stumble upon something good? Share it on StumbleUpon">Stumble upon something good? Share it on StumbleUpon</a></li><li class="sexy-myspace"><a href="http://www.myspace.com/Modules/PostTo/Pages/?u=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/02/a-revanche/&amp;t=A+revanche" rel="nofollow" class="external" title="Post this to MySpace">Post this to MySpace</a></li><li class="sexy-facebook"><a href="http://www.facebook.com/share.php?u=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/02/a-revanche/&amp;t=A+revanche" rel="nofollow" class="external" title="Share this on Facebook">Share this on Facebook</a></li><li class="sexy-twitter"><a href="http://twitter.com/home?status=RT+@joaomellao:+A+revanche+-+http://tinyurl.com/yjgceyk" rel="nofollow" class="external" title="Tweet This!">Tweet This!</a></li><li class="sexy-comfeed"><a href="http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/02/a-revanche/feed" rel="nofollow" class="external" title="Subscribe to the comments for this post?">Subscribe to the comments for this post?</a></li><li class="sexy-google"><a href="http://www.google.com/bookmarks/mark?op=add&amp;bkmk=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/02/a-revanche/&amp;title=A+revanche" rel="nofollow" class="external" title="Add this to Google Bookmarks">Add this to Google Bookmarks</a></li></ul><div style="clear:both;"></div></div><img src="http://www.blogdomellao.com.br/?ak_action=api_record_view&id=669&type=feed" alt="" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/02/02/a-revanche/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>19</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Decifrando Lula</title>
		<link>http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/22/decifrando-lula/</link>
		<comments>http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/22/decifrando-lula/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 22 Jan 2010 11:57:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Mellão Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos Antigos]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Lula e o PT]]></category>
		<category><![CDATA[Política Brasileira]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.blogdomellao.com.br/?p=666</guid>
		<description><![CDATA[O presidente Lula, segundo as últimas pesquisas, conta com a aprovação de mais de 60% do eleitorado brasileiro. Esse extraordinário apoio popular, somado à folgada maioria que o governo tem no Congresso, faz muitos alcoviteiros, no Palácio do Planalto, começarem a cogitar da hipótese de sua reeleição. Para tanto basta enviar uma proposta de emenda [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-667" title="LulaPiscaAMar_jpg" src="http://www.blogdomellao.com.br/wp-content/uploads/2010/01/LulaPiscaAMar_jpg-150x150.png" alt="LulaPiscaAMar_jpg" width="150" height="150" />O presidente Lula, segundo as últimas pesquisas, conta com a aprovação de mais de 60% do eleitorado brasileiro. Esse extraordinário apoio popular, somado à folgada maioria que o governo tem no Congresso, faz muitos alcoviteiros, no Palácio do Planalto, começarem a cogitar da hipótese de sua reeleição. Para tanto basta enviar uma proposta de emenda constitucional ao Parlamento &#8211; que não tenho dúvidas de que seria aprovada &#8211; e deixar que as urnas façam o resto. Isso é péssimo para a democracia. Até mesmo no período autoritário, os militares cuidaram religiosamente de manter o rodízio no poder.<br />
Por ocasião do 1º de Maio, quando as duas maiores centrais sindicais promoveram atos de apoio ao governo, eu escrevi aqui que, entre outras coisas, o fenômeno representava o início do fim da democracia liberal em nosso país. Democracias fortes não podem prescindir de oposições fortes. Quando estas deixam de existir, está aberto o caminho para governos autoritários.</p>
<p>Logo após a tragédia de Congonhas, depois de mais de dez meses de caos aéreo, eis que as pesquisas de opinião demonstram que a popularidade do presidente Lula permanece inabalável. Pudera! Uma ínfima parcela da população (8%) faz uso de aviões e, mesmo assim, esporadicamente. A imensa maioria não relacionou a queda do Airbus às disfunções do governo e, entre os que o fizeram, praticamente todos estão dentro do perfil daqueles cuja opinião sempre foi de reprovação ao governo.<br />
Lula é um fenômeno e antes de atacá-lo convém compreendê-lo. Os segmentos de maior renda e escolaridade não o apóiam. O mesmo acontece, em grande parte, com os eleitores da Região Sul e com os habitantes de São Paulo, Estados onde Geraldo Alckmin o bateu nas últimas eleições. Não por coincidência, são locais onde vive a parcela mais esclarecida da opinião pública brasileira. O restante da Nação é lulista, o que lhe garante, na média geral, altíssimos índices de aprovação e popularidade.<br />
Lula pode ser inculto, mas não é ingênuo. Ao contrário, é dotado de intuição privilegiada, que foi profundamente lapidada em seus muitos anos de militância sindical e política. Tão forte e patente é seu tino político que a ala intelectual do PT &#8211; formada por pernósticos e soberbos professores universitários &#8211; não sente nenhum pejo em reverenciá-lo. Para eles, Lula é uma força da natureza. Uma professora-titular da USP, recentemente, chegou a descer de sua respeitável cátedra para afirmar, deslumbradamente: &#8220;Quando Lula fala, o mundo inteiro se ilumina!&#8221;</p>
<p>Lula chegou à Presidência, após três eleições malogradas, graças à sua oratória inflamada e à disciplinada, competente e entusiasmada militância de seu partido, o PT. Não houve, na História do Brasil, um partido de massas cujos membros fossem tão convictos e idealistas como o PT o foi até chegar ao poder. Mas, se sobrava entusiasmo, faltavam experiência e projetos minimamente viáveis. Lula não demorou a perceber essas deficiências. Ainda antes de tomar posse, contrariou inúmeros setores do partido ao anunciar que sua política econômica seria uma continuidade da de seu antecessor, fundada no quadripé juros altos até quando for necessário, câmbio e preços livres, superávit primário nas contas públicas e respeito incondicional aos contratos. Ora, são estes os pilares básicos da economia de mercado, tachada por seus detratores como &#8220;neoliberal&#8221;.<br />
Ao mesmo tempo, o presidente constatou que as políticas sociais idealizadas pelos intelectuais do PT, na prática, eram inviáveis. O Fome Zero, por exemplo, até hoje não passou de mero slogan. Novamente Lula, sempre pragmático, tratou de se valer das experiências do governo anterior. Havia, então, três programas de transferência de renda às camadas mais carentes da população: o Bolsa-Escola, que garantia uma remuneração mínima às mães que mantivessem seus filhos na escola; o Bolsa-Alimentação, que fazia o mesmo com as mães que levassem seus filhos regularmente aos postos de saúde; e o Vale-Gás, que subsidiava gás de cozinha para as famílias reconhecidamente desvalidas.<br />
Lula fundiu os três programas em um só, deu-lhe o nome de Bolsa-Família, multiplicou a sua abrangência e o resultado está aí. O programa é o principal &#8211; se não o único &#8211; pilar de sustentação dos altíssimos índices de aprovação do governo.<br />
O governo Lula não é de esquerda. A sua política econômica é austera, Programas de transferência de renda eram defendidos até por Milton Friedman, o papa do pensamento neoliberal, o comando das pastas da Saúde e da Educação está nas mãos de ministros técnicos e Lula só faz concessões às alas esquerdistas que o apóiam nas áreas de Relações Exteriores e Reforma Agrária.<br />
Lula, definitivamente, não é a quimera que tanto nos assombrou em 2002, ano em que, pela primeira vez, venceu as eleições. Ele merece ser celebrado muito menos pelo que fez do que por aquilo que se absteve de fazer. O simples fato de não ter mexido na política econômica legada por FHC é um feito que merece rojões. Em grande parte auxiliado pela conjuntura externa altamente favorável, ele pode agora colher os frutos de sua decisão, com os bons indicadores que a economia apresenta.<br />
Por outro lado, no restante, a sua gestão deixa muito a desejar. O Estado foi totalmente loteado entre os companheiros do PT e dos partidos aliados, sem que fosse levada em conta a qualificação dos indicados. Nenhuma das urgentes reformas de que a Nação necessita foi ou será empreendida neste governo. A infra-estrutura física do País, por abandono, está totalmente sucateada.<br />
A Lula, decididamente, falta vocação para estadista. Não tem a determinação dos predestinados e é incapaz de promover revoluções porque, por temperamento, tem na inércia a sua principal aliada. Seu nome não ficará na História, porque esta não dá guarida aos pusilânimes. Resta-lhe um único consolo: ele sempre será lembrado como um exemplo a não ser seguido.</p>
<p>Artigo publicado no jornal “O Estado de São Paulo” em  17 de Agosto de 2007.</p>
<div class="sexy-bookmarks sexy-bookmarks-expand sexy-bookmarks-center sexy-bookmarks-bg-enjoy"><ul class="socials"><li class="sexy-delicious"><a href="http://del.icio.us/post?url=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/22/decifrando-lula/&amp;title=Decifrando+Lula" rel="nofollow" class="external" title="Share this on del.icio.us">Share this on del.icio.us</a></li><li class="sexy-stumbleupon"><a href="http://www.stumbleupon.com/submit?url=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/22/decifrando-lula/&amp;title=Decifrando+Lula" rel="nofollow" class="external" title="Stumble upon something good? Share it on StumbleUpon">Stumble upon something good? Share it on StumbleUpon</a></li><li class="sexy-myspace"><a href="http://www.myspace.com/Modules/PostTo/Pages/?u=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/22/decifrando-lula/&amp;t=Decifrando+Lula" rel="nofollow" class="external" title="Post this to MySpace">Post this to MySpace</a></li><li class="sexy-facebook"><a href="http://www.facebook.com/share.php?u=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/22/decifrando-lula/&amp;t=Decifrando+Lula" rel="nofollow" class="external" title="Share this on Facebook">Share this on Facebook</a></li><li class="sexy-twitter"><a href="http://twitter.com/home?status=RT+@joaomellao:+Decifrando+Lula+-+http://tinyurl.com/ykpqw92" rel="nofollow" class="external" title="Tweet This!">Tweet This!</a></li><li class="sexy-comfeed"><a href="http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/22/decifrando-lula/feed" rel="nofollow" class="external" title="Subscribe to the comments for this post?">Subscribe to the comments for this post?</a></li><li class="sexy-google"><a href="http://www.google.com/bookmarks/mark?op=add&amp;bkmk=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/22/decifrando-lula/&amp;title=Decifrando+Lula" rel="nofollow" class="external" title="Add this to Google Bookmarks">Add this to Google Bookmarks</a></li></ul><div style="clear:both;"></div></div><img src="http://www.blogdomellao.com.br/?ak_action=api_record_view&id=666&type=feed" alt="" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/22/decifrando-lula/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>13</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Viva o lucro!</title>
		<link>http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/15/viva-o-lucro/</link>
		<comments>http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/15/viva-o-lucro/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 15 Jan 2010 18:02:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Mellão Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Política Brasileira]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.blogdomellao.com.br/?p=663</guid>
		<description><![CDATA[Com a realização do leilão para a concessão de exploração das rodovias federais à iniciativa privada, o governo Lula finalmente se rende à tese &#8211; tão contrária ao pensamento esquerdista &#8211; de que o Estado não pode tudo e, por conseqüência, de que ao Estado não cabe tudo.
Os intelectuais petistas sempre fizeram questão de retratar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-664" title="moneybag1" src="http://www.blogdomellao.com.br/wp-content/uploads/2010/01/moneybag1-150x150.gif" alt="moneybag1" width="150" height="150" />Com a realização do leilão para a concessão de exploração das rodovias federais à iniciativa privada, o governo Lula finalmente se rende à tese &#8211; tão contrária ao pensamento esquerdista &#8211; de que o Estado não pode tudo e, por conseqüência, de que ao Estado não cabe tudo.<br />
Os intelectuais petistas sempre fizeram questão de retratar os liberais (ou neoliberais) como autênticos vendilhões da Pátria. Na condição de liberal convicto, posso afiançar que essa nunca foi a nossa bandeira. Nós não pugnamos pelo fim do Estado (essa é a tese do anarquismo), tampouco queremos um Estado mínimo (há papéis na sociedade que somente o Estado pode exercer) e muito menos desejamos um Estado fraco. Para que o capitalismo funcione eficientemente é necessário um Estado enérgico, que faça cumprir as regras do jogo. Quando isso não ocorre, o mercado se deixa tomar pela autofagia, a livre concorrência deixa de existir e, com isso, o próprio segredo do sucesso do sistema vira uma farsa. Um capitalismo forte não pode abrir mão de um Estado forte, que, tal como um árbitro esportivo, zela para que o jogo transcorra dentro das normas estabelecidas.</p>
<p>O Estado mínimo, ou mesmo inapetente, para os liberais esclarecidos, também é uma utopia irresponsável. O Estado, pela sua natureza impessoal, é o único ente da sociedade em condições de exercer, exclusivamente, serviços fundamentais como justiça e segurança e, em grande parte, educação e saúde.<br />
Um Estado forte, que cumpra, com desvelo e eficiência, essas funções básicas, é, a nosso ver, o Estado ideal. Todo o resto pode e deve ser feito pelos indivíduos, que são livres e soberanos, e, no campo econômico, pela iniciativa privada.<br />
O pensamento esquerdista tem por vício descredenciar a iniciativa privada porque ela, à diferença do Estado, visa o lucro. Eu responderia: ainda bem que é assim. Quem procura ter lucro usa de todo o seu empenho e engenhosidade para cada vez produzir mais, a um custo sempre menor. Não pode explorar os seus clientes nem descuidar da qualidade dos produtos ou serviços que fornece, porque sabe que, se assim for, será devorada pelos seus concorrentes. O Estado, que não enfrenta concorrência, não tem preocupações desse naipe. Assim sendo, fatalmente acabará por ser menos eficiente, ofertando produtos e serviços mais caros e de menor qualidade.<br />
No caso presente &#8211; o da privatização da administração das rodovias federais -, todas as empresas e os consórcios que se apresentaram para o leilão, obviamente, não o fizeram por mero civismo ou desprendimento. Todos esperam ter grandes lucros. Fica no ar a pergunta: que importância tem isso? O Estado não tem recursos para manter essas rodovias e, mesmo que tivesse, deveria aplicar esses recursos em áreas mais carentes e fundamentais. Mesmo que o Estado opte por manter tais rodovias sob administração pública, ele jamais lograria fazê-lo com o mesmos custos, padrão de qualidade e excelência de serviços alcançados pela iniciativa privada. Além disso, há um contrato minucioso, assinado entre o poder público e as empresas, estabelecendo, em detalhes, quais os padrões mínimos de serviços exigidos e que grau de qualidade deverão apresentar as rodovias, uma vez nas mãos de particulares. Com toda a certeza, com lucro e tudo, o custo da manutenção dessas rodovias será substancialmente menor do que aquele em que incorreria o Estado se as administrasse diretamente.<br />
Nossa herança ibérica e católica faz o lucro ser algo moralmente condenável. Boa parte dos nossos intelectuais ainda sofre influência desse preconceito. Os anglo-saxônicos, em sua maioria protestantes, não sofrem com dilemas éticos quanto a isso. Essa é uma das razões principais por que o capitalismo se pôde desenvolver com muito mais exuberância na Europa e, em particular, nos Estados Unidos. Max Weber, no livro A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo &#8211; considerado pelos especialistas a obra mais importante do século 20 -, descreve de forma sucinta e brilhante essa condição.<br />
Em que me incomoda o fato de saber que o empresário fulano está lucrando rios de dinheiro com a concessão de uma rodovia, ou qualquer outro patrimônio pertencente ao Estado? O que importa, de fato, é que o bem público está sendo bem administrado, apresenta excelentes condições de uso e o preço de sua utilização está saindo mais em conta do que se ele fosse gerido diretamente pelo Estado. O empresário pode enriquecer à vontade. Isso não provoca em mim inveja, revolta ou qualquer outro sentimento de ordem negativa. O que me interessa, isso sim, é se o contrato entre ele e o poder público foi elaborado de forma imparcial e se ele, empresário, o está cumprindo à risca. Assim fica bom para todos: para os usuários, para o Estado e para o empreendedor.</p>
<p>Urge que nós abandonemos de vez os nossos conceitos negativos quanto ao lucro. O lucro, em si, não é uma coisa ruim. Ao contrário, é a mola propulsora que faz a economia se desenvolver. Sem a perspectiva de obtê-lo, ninguém empenharia o melhor de si em nenhum empreendimento; ninguém aplicaria esforço em seu trabalho; ninguém se valeria de seus talentos, aptidões e engenho na busca de nada.<br />
Muitas outras áreas da administração pública poderiam ser privatizadas e todos ganhariam com isso. Mas se faz necessário, antes de tudo, abolir os enormes equívocos e preconceitos que ainda existem, neste governo, com relação à livre iniciativa.<br />
Viva, portanto, o lucro! Desde que obtido por meios honestos, sem lesar ou prejudicar ninguém, nem à custa de privilégios espúrios concedidos pelo Estado, é ele, enfim, a causa maior do progresso e da riqueza das nações.</p>
<p>Artigo publicado no jornal “O Estado de São Paulo” em 12 de Outubro de 2007.</p>
<div class="sexy-bookmarks sexy-bookmarks-expand sexy-bookmarks-center sexy-bookmarks-bg-enjoy"><ul class="socials"><li class="sexy-delicious"><a href="http://del.icio.us/post?url=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/15/viva-o-lucro/&amp;title=Viva+o+lucro%21" rel="nofollow" class="external" title="Share this on del.icio.us">Share this on del.icio.us</a></li><li class="sexy-stumbleupon"><a href="http://www.stumbleupon.com/submit?url=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/15/viva-o-lucro/&amp;title=Viva+o+lucro%21" rel="nofollow" class="external" title="Stumble upon something good? Share it on StumbleUpon">Stumble upon something good? Share it on StumbleUpon</a></li><li class="sexy-myspace"><a href="http://www.myspace.com/Modules/PostTo/Pages/?u=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/15/viva-o-lucro/&amp;t=Viva+o+lucro%21" rel="nofollow" class="external" title="Post this to MySpace">Post this to MySpace</a></li><li class="sexy-facebook"><a href="http://www.facebook.com/share.php?u=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/15/viva-o-lucro/&amp;t=Viva+o+lucro%21" rel="nofollow" class="external" title="Share this on Facebook">Share this on Facebook</a></li><li class="sexy-twitter"><a href="http://twitter.com/home?status=RT+@joaomellao:+Viva+o+lucro%21+-+http://tinyurl.com/ygooltx" rel="nofollow" class="external" title="Tweet This!">Tweet This!</a></li><li class="sexy-comfeed"><a href="http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/15/viva-o-lucro/feed" rel="nofollow" class="external" title="Subscribe to the comments for this post?">Subscribe to the comments for this post?</a></li><li class="sexy-google"><a href="http://www.google.com/bookmarks/mark?op=add&amp;bkmk=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/15/viva-o-lucro/&amp;title=Viva+o+lucro%21" rel="nofollow" class="external" title="Add this to Google Bookmarks">Add this to Google Bookmarks</a></li></ul><div style="clear:both;"></div></div><img src="http://www.blogdomellao.com.br/?ak_action=api_record_view&id=663&type=feed" alt="" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/15/viva-o-lucro/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Os alicerces da democracia</title>
		<link>http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/13/os-alicerces-da-democracia/</link>
		<comments>http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/13/os-alicerces-da-democracia/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 13 Jan 2010 15:43:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Mellão Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[A Visão Liberal]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos Antigos]]></category>
		<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.blogdomellao.com.br/?p=658</guid>
		<description><![CDATA[Até 1951, o presidente dos Estados Unidos da América, legalmente, podia reeleger-se quantas vezes quisesse. George Washington, o primeiro norte-americano a ocupar a cadeira, fixou uma tradição, religiosamente seguida por seus sucessores, de só se recandidatar uma única vez. Acontece que esta obrigação nunca fora fixada em lei. Franklin Roosevelt, presidente de 1933 a 1945, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-661" title="lobo" src="http://www.blogdomellao.com.br/wp-content/uploads/2010/01/lobo-150x150.jpg" alt="lobo" width="150" height="150" />Até 1951, o presidente dos Estados Unidos da América, legalmente, podia reeleger-se quantas vezes quisesse. George Washington, o primeiro norte-americano a ocupar a cadeira, fixou uma tradição, religiosamente seguida por seus sucessores, de só se recandidatar uma única vez. Acontece que esta obrigação nunca fora fixada em lei. Franklin Roosevelt, presidente de 1933 a 1945, decidiu desafiá-la e foi eleito para quatro mandatos. Extremamente popular, só não foi além porque, logo no início de sua quarta investidura, veio a falecer, abrindo um amplo e apaixonado debate na nação sobre a conveniência de se permitirem reeleições indefinidas para o cargo presidencial. Não que Roosevelt tivesse sido um mau governante. Ao contrário. Ele foi, sem dúvida, o supremo mandatário que mais qualidades possuiu durante todo o século 20. O problema era de outra natureza. O instituto das reeleições indefinidas atentava contra a própria democracia, cujo sistema de freios e contrapesos a fazia garantir-se por si só, aprender com seus próprios erros e manter-se em constante evolução. Esse sistema de &#8220;check and balances&#8221; &#8211; toda criança americana aprende desde que entra na escola &#8211; é a melhor criação institucional dos EUA e, por isso mesmo, a razão pela qual o povo da grande nação se julga moralmente superior aos demais e, com certa presunção, procura exportá-lo para todos os países.<br />
O conceito norte-americano de democracia é bastante complexo e não se lastreia unicamente no ato de fazer valer a vontade da maioria. Hitler, num extremo exemplo, contava com o respaldo da maioria dos alemães e nem por isso se pode dizer que tenha governado de forma democrática. Os próprios norte-americanos quase caíram nessa terrível falácia em 1787, ao aprovarem a sua Constituição, a primeira dos tempos modernos, sem dela fazer constar os fundamentais direitos individuais. Alguns poucos anos depois, em 1791, foram aprovadas de uma vez só as dez primeiras Emendas à Constituição, que nada mais eram do que a explicitação dos direitos e prerrogativas das minorias e dos indivíduos.</p>
<p>Em 1951, seis anos após a morte de Roosevelt, o Congresso dos EUA aprovou a 22ª Emenda à Constituição, pela qual não apenas os presidentes só se podem reeleger uma única vez, como também jamais se podem re-recandidatar ao cargo, em toda a sua vida, mesmo que o fizessem em mandatos não-sucessivos. Bill Clinton foi uma das mais notórias vítimas dessa draconiana lei, visto que terminou seu segundo mandato aos 54 anos de idade e, potencialmente, tinha excelentes condições de voltar ao cargo quatro ou oito anos depois, não fosse a expressa vedação constitucional. Até os dias de hoje a Constituição dos EUA, passados mais de dois séculos, só foi reformada por 27 Emendas &#8211; dez delas constituindo a Carta de Direitos, promulgada logo nos primórdios, e outras duas, a 18ª e a 21ª, versando sobre o mesmo assunto: a primeira, proibindo o consumo, a fabricação e a venda de bebidas alcoólicas em todo o território nacional e a segunda, de menos de 20 anos depois, revogando esta proibição. O Texto Constitucional, no mais, compõe-se de apenas sete artigos, dispondo, principalmente, sobre a organização do Estado e suas prerrogativas.</p>
<p>Apenas sete artigos, que ocupavam não mais que 14 folhas de papel ofício, mas quanta sabedoria eles concentram. Os melhores e mais brilhantes textos jamais escritos sobre a democracia e seu complexo funcionamento se encontram condensados num livro, Os Artigos Federalistas, publicados nos jornais de Nova York às vésperas do plebiscito que marcou o ingresso do Estado na Federação. Eles foram redigidos sob pseudônimos &#8211; como era praxe então &#8211; e seus autores foram James Madison, John Jay e Alexander Hamilton, três homens que explanavam as suas idéias com propriedade porque participaram pessoalmente da Convenção da Filadélfia, na qual foi redigida a Constituição.<br />
Há quem afirme que não existe no mundo um tratado tão eloqüente e sábio, como Os Artigos, versando sobre política. Pode-se comprovar hoje, já passados mais de dois séculos, que tudo o que os três estadistas escreveram acabaria por ser cabalmente confirmado pela História. Trata-se de leitura obrigatória em todas as escolas norte-americanas. Os cidadãos dos EUA defendem com tanta veemência as instituições nacionais não apenas por patriotismo. Eles sabem, no seu íntimo, que aquele sistema funciona. E funciona bem&#8230;</p>
<p>Não, a democracia não se assenta exclusivamente no prevalecer da vontade da maioria. Longe disso. A democracia é também o respeito aos direitos das minorias, o livre-arbítrio e a liberdade de expressão, o império da lei e a impessoalidade do Estado. Tudo isso soa um pouco estranho aos ouvidos latino-americanos. As recorrentes pesquisas que se fazem nestas plagas trazem à luz uma tendência preocupante: é o baixo apreço que nossos povos nutrem pela democracia e suas instituições. O Poder Legislativo, em praticamente todas as nações ao sul do Rio Grande, é invariavelmente reprovado. O Poder Judiciário, também. Quase todo mundo afirma ter aversão à política. Estranha noção&#8230; A política, gostemos ou não, está presente até mesmo nas piores ditaduras. Aqueles que alegam ter nojo dela estão, para sempre, condenados a obedecer àqueles que não têm.<br />
Todas estas advertências são oportunas, mormente nos dias atuais, em que recaídas autoritárias tão freqüentemente se fazem notar.<br />
Alguém já disse, séculos atrás, que os povos que perdem a liberdade pela força, pela força haverão de recuperá-la. Mas aqueles que a perdem por descaso, estes povos nunca mais voltarão a ser livres. Que tais presságios nunca venham a se confirmar por aqui. Em terra de cordeiros, serão sempre os lobos que governarão.</p>
<p> </p>
<p>Artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo, em 07 de Dezembro de 2007.</p>
<div class="sexy-bookmarks sexy-bookmarks-expand sexy-bookmarks-center sexy-bookmarks-bg-enjoy"><ul class="socials"><li class="sexy-delicious"><a href="http://del.icio.us/post?url=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/13/os-alicerces-da-democracia/&amp;title=Os+alicerces+da+democracia" rel="nofollow" class="external" title="Share this on del.icio.us">Share this on del.icio.us</a></li><li class="sexy-stumbleupon"><a href="http://www.stumbleupon.com/submit?url=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/13/os-alicerces-da-democracia/&amp;title=Os+alicerces+da+democracia" rel="nofollow" class="external" title="Stumble upon something good? Share it on StumbleUpon">Stumble upon something good? Share it on StumbleUpon</a></li><li class="sexy-myspace"><a href="http://www.myspace.com/Modules/PostTo/Pages/?u=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/13/os-alicerces-da-democracia/&amp;t=Os+alicerces+da+democracia" rel="nofollow" class="external" title="Post this to MySpace">Post this to MySpace</a></li><li class="sexy-facebook"><a href="http://www.facebook.com/share.php?u=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/13/os-alicerces-da-democracia/&amp;t=Os+alicerces+da+democracia" rel="nofollow" class="external" title="Share this on Facebook">Share this on Facebook</a></li><li class="sexy-twitter"><a href="http://twitter.com/home?status=RT+@joaomellao:+Os+alicerces+da+democracia+-+http://tinyurl.com/ygvr2u8" rel="nofollow" class="external" title="Tweet This!">Tweet This!</a></li><li class="sexy-comfeed"><a href="http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/13/os-alicerces-da-democracia/feed" rel="nofollow" class="external" title="Subscribe to the comments for this post?">Subscribe to the comments for this post?</a></li><li class="sexy-google"><a href="http://www.google.com/bookmarks/mark?op=add&amp;bkmk=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/13/os-alicerces-da-democracia/&amp;title=Os+alicerces+da+democracia" rel="nofollow" class="external" title="Add this to Google Bookmarks">Add this to Google Bookmarks</a></li></ul><div style="clear:both;"></div></div><img src="http://www.blogdomellao.com.br/?ak_action=api_record_view&id=658&type=feed" alt="" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/13/os-alicerces-da-democracia/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Lula x Fernando Henrique Cardoso</title>
		<link>http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/11/lula-x-fernando-henrique-cardoso/</link>
		<comments>http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/11/lula-x-fernando-henrique-cardoso/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 11 Jan 2010 15:25:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Mellão Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos Antigos]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Política Brasileira]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.blogdomellao.com.br/?p=655</guid>
		<description><![CDATA[A humanidade viveu épocas mais ou menos interessantes, em geral muito bem delimitadas, através dos séculos. Um estudo recente, feito por uma associação internacional de revistas, perguntou a duas centenas de renomados historiadores quais teriam sido a época e o local mais interessantes para se viver no segundo milênio, que se encerrava. A opção que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-656" title="lula-fhc" src="http://www.blogdomellao.com.br/wp-content/uploads/2010/01/lula-fhc-150x150.jpg" alt="lula-fhc" width="150" height="150" />A humanidade viveu épocas mais ou menos interessantes, em geral muito bem delimitadas, através dos séculos. Um estudo recente, feito por uma associação internacional de revistas, perguntou a duas centenas de renomados historiadores quais teriam sido a época e o local mais interessantes para se viver no segundo milênio, que se encerrava. A opção que obteve maior número de indicações foi o século 15, em Veneza. A Belle Époque &#8211; período que abrange desde o fim da Guerra Franco-Prussiana até o início da Grande Guerra, em quase toda a Europa &#8211; também foi citada. (Não faz sentido falar em Primeira Guerra Mundial porque, na época, ninguém imaginava que haveria uma segunda.)<br />
&#8220;Deus me poupou de viver numa época desinteressante.&#8221; Tais palavras resumiam a obra e a vida de um grande historiador universal. Ele tinha razão. Não há nada mais frustrante para nós, jornalistas &#8211; que não passamos de aprendizes de historiadores &#8211; do que cobrir um cotidiano ameno, tedioso, em que nada que possa vir a interessar aos leitores acontece. Nós, aqui, do Espaço Aberto, nesta página A2 do Estado, somos encarregados de cobrir a grande política, emitir juízos minimamente ancorados no bom senso, fazer diagnósticos e arriscar alguns prognósticos sobre para onde caminha a Nação.<br />
Já 2010, daqui a dois anos, será, sem dúvida, um período política e socialmente interessante. Haverá eleições gerais no âmbito federal e estadual e parciais, no municipal. Há a suposição de que o Brasil saia extremamente modificado dessas eleições.<br />
O quadro intricado que se apresenta é o seguinte:<br />
O presidente Lula, extremamente popular, não se pode apresentar como candidato à reeleição, uma vez que já cumpriu dois mandatos no cargo.<br />
Não há nenhuma figura popular, ou mesmo de expressão, em seu partido (PT)com mínimas chances de disputar e ganhar a eleição.<br />
Qualquer hipótese extraconstitucional, dado o clima político de extraordinária normalidade em que o País vive, já está previamente descartada.<br />
O Partido dos Trabalhadores, em grau maior que os demais partidos, depende crucialmente do domínio da máquina administrativa para sobreviver. É nela que acomoda os seus quadros, é do dízimo pago ao partido por eles que se equilibram as finanças partidárias. Não é de se acreditar que a zangada militância petista assista passiva, de braços cruzados, sem nada fazer, à derrocada do poder.<br />
O que, então, ocorrerá? É humanamente impossível prever. Mas, com certeza, não será uma acomodação ortodoxa nem sequer arranjada bem aos moldes da índole conciliatória nacional. Talvez a militância petista arrefeça os seus ânimos com a perspectiva de, dali a quatro anos, com Lula candidato novamente, gozar mais oito anos no comando do Executivo. Mas que a transição que se vislumbra será traumática para o Partido dos Trabalhadores, disso não resta a menor dúvida.<br />
A outra incógnita que se coloca &#8211; infelizmente, só para daqui a dois longos anos &#8211; diz respeito a que papel ideológico desempenhará a oposição PSDB-DEM tão logo chegue ao poder.<br />
Uma obra intocável e perene dos petistas foi a criação do programa Bolsa-Família. A esta altura, pouco interesse existe em ficar discutindo se o programa é legítimo ou ilegítimo, se auxilia efetivamente os pobres ou não. O fato é que o famigerado programa está aí, atinge cerca de 11 milhões de famílias e qualquer tentativa de desmobilizá-lo seria o suicídio político do governante que ousasse fazê-lo.<br />
A Nova Direita que assumirá o poder com a aliança de tucanos e democratas (e não há razão para chamá-la por outro nome) há que assumir-se como tal e exercer políticas voltadas para o fortalecimento do capitalismo (ou do &#8220;capitalismo social de mercado&#8221;, que se conceda&#8230;).<br />
Não espere, também, a Nova Direita encontrar condições tão favoráveis, no campo financeiro internacional, como as que o afortunado Lula encontrou. A era que se está encerrando, segundo os analistas, foi a de maior liquidez nas finanças internacionais em várias décadas. É por isso que continuo insistindo que é impossível comparar as performances de Lula e Fernando Henrique. Que FHC promoveu reformas institucionais de monta em seu governo, isso é patente. Que Lula não se encorajou a se empenhar em reforma alguma, isso também é evidente. Mas se Lula foi beneficiado por um quadro das finanças internacionais privilegiado, a mesma sorte não teve o seu antecessor. Além do mais, os petistas hão de reconhecer, as principais bases do governo Lula foram todas elas herdadas da gestão FHC. O Bolsa-Família nada mais é do que a junção de vários programas já então em curso, como o da Saúde, o Bolsa-Escola, o Bolsa-Alimentação e o Vale-Gás. O mérito de Lula foi unificá-los, agigantá-los e torná-los o que são hoje.</p>
<p>Outro mérito que cabe a FHC foi a formulação da atual política econômica, que pôs em prática numa época tormentosa e a passou para Lula já na bonança. Lula, por sua vez, teve o bom senso e a determinação de prosseguir com tal política, contra a vontade de todo seu partido e de sua corrente ideológica.<br />
Não foram poucas as vezes que presidente Lula teve de enfrentar o &#8220;arrastão ideológico&#8221; de seu partido, a ponto de se poder afirmar que, se oposição ele teve, ela estava, por inteiro, concentrada em seu partido.<br />
Não há, portanto, por que compará-los. Já dizia o velho sábio: &#8220;Um homem não é apenas um homem, ele é também as suas circunstâncias.&#8221;<br />
O ano de 2010, sem dúvida alguma, não será uma época desinteressante.</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p>Artigo publicado no jornal “O Estado de São Paulo” em 18 de Janeiro de 2008.</p>
<div class="sexy-bookmarks sexy-bookmarks-expand sexy-bookmarks-center sexy-bookmarks-bg-enjoy"><ul class="socials"><li class="sexy-delicious"><a href="http://del.icio.us/post?url=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/11/lula-x-fernando-henrique-cardoso/&amp;title=Lula+x+Fernando+Henrique+Cardoso" rel="nofollow" class="external" title="Share this on del.icio.us">Share this on del.icio.us</a></li><li class="sexy-stumbleupon"><a href="http://www.stumbleupon.com/submit?url=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/11/lula-x-fernando-henrique-cardoso/&amp;title=Lula+x+Fernando+Henrique+Cardoso" rel="nofollow" class="external" title="Stumble upon something good? Share it on StumbleUpon">Stumble upon something good? Share it on StumbleUpon</a></li><li class="sexy-myspace"><a href="http://www.myspace.com/Modules/PostTo/Pages/?u=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/11/lula-x-fernando-henrique-cardoso/&amp;t=Lula+x+Fernando+Henrique+Cardoso" rel="nofollow" class="external" title="Post this to MySpace">Post this to MySpace</a></li><li class="sexy-facebook"><a href="http://www.facebook.com/share.php?u=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/11/lula-x-fernando-henrique-cardoso/&amp;t=Lula+x+Fernando+Henrique+Cardoso" rel="nofollow" class="external" title="Share this on Facebook">Share this on Facebook</a></li><li class="sexy-twitter"><a href="http://twitter.com/home?status=RT+@joaomellao:+Lula+x+Fernando+Henrique+Cardoso+-+http://tinyurl.com/ylmeeoj" rel="nofollow" class="external" title="Tweet This!">Tweet This!</a></li><li class="sexy-comfeed"><a href="http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/11/lula-x-fernando-henrique-cardoso/feed" rel="nofollow" class="external" title="Subscribe to the comments for this post?">Subscribe to the comments for this post?</a></li><li class="sexy-google"><a href="http://www.google.com/bookmarks/mark?op=add&amp;bkmk=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/11/lula-x-fernando-henrique-cardoso/&amp;title=Lula+x+Fernando+Henrique+Cardoso" rel="nofollow" class="external" title="Add this to Google Bookmarks">Add this to Google Bookmarks</a></li></ul><div style="clear:both;"></div></div><img src="http://www.blogdomellao.com.br/?ak_action=api_record_view&id=655&type=feed" alt="" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/11/lula-x-fernando-henrique-cardoso/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>13</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Vivam as &#8221;patricinhas&#8221;!</title>
		<link>http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/06/vivam-as-patricinhas/</link>
		<comments>http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/06/vivam-as-patricinhas/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 06 Jan 2010 15:15:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Mellão Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Política Brasileira]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.blogdomellao.com.br/?p=652</guid>
		<description><![CDATA[Ensinamento ministrado numa aula de Filosofia do Direito para alunos do 7º semestre de uma conceituada universidade paulistana: &#8220;Vocês, que só transaram com patricinhas? burguesas, não sabem de fato o que é sexo. Essas meninas se preocupam exclusivamente com sua aparência e nunca se permitem entregar-se por inteiro aos prazeres da carne. Se vocês querem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-653" title="patricinhas" src="http://www.blogdomellao.com.br/wp-content/uploads/2010/01/patricinhas-150x150.jpg" alt="patricinhas" width="150" height="150" />Ensinamento ministrado numa aula de Filosofia do Direito para alunos do 7º semestre de uma conceituada universidade paulistana: &#8220;Vocês, que só transaram com patricinhas? burguesas, não sabem de fato o que é sexo. Essas meninas se preocupam exclusivamente com sua aparência e nunca se permitem entregar-se por inteiro aos prazeres da carne. Se vocês querem saber o que é sexo de verdade, tenham relações com moças da periferia. Estas estão livres dos condicionamentos e valores burgueses e por isso sabem de fato como se pratica um ato sexual.&#8221;<br />
Por mais absurdo que pareça, essa &#8220;aula&#8221; ocorreu de verdade e me foi relatada por um amigo de meus filhos adolescentes. Sinal dos tempos. Depois de 1989, com a queda do Muro de Berlim, o comunismo, com seu lastro marxista, deixou de existir como realidade concreta. Seus discípulos, agora, denunciam o capitalismo pelos mais insólitos motivos. Tentam conciliar comunismo com ecologia, convenientemente se esquecendo de que as nações que abraçaram essa ideologia foram, de longe, as que mais poluíram o planeta.<br />
E não é só isso. Comunistas que se prezem estão sempre prontos a denunciar intransigentemente as mazelas das &#8220;democracias burguesas&#8221;. Para eles, a corrupção e o desperdício de verbas públicas se dão exclusivamente no capitalismo. Esquecem, talvez, que nos países que seguem o marxismo nem sequer há eleições. E, quando eventualmente ocorrem, para cada cargo existe um candidato único e quem não votar nele corre o sério risco de perder o emprego. Como nas economias comunistas só existe um patrão, o Estado, perder o emprego significa condenar-se à miséria. Além disso, se o capitalismo não é perfeito na aplicação de verbas públicas, no comunismo o desperdício desses recursos é geometricamente maior. Até porque nele não há instituições de cunho burguês, como tribunais de contas. Tampouco a imprensa pode exercer seu papel: todas as publicações são severamente controladas, de forma que não existe uma matéria sequer que denuncie o pessoal do poder.<br />
Outra acusação recorrente é a de que no capitalismo as pessoas e instituições são insensíveis à pobreza. Talvez, em parte, realmente o sejam, mas não se pode perder de vista que a &#8220;odiosa globalização&#8221; &#8211; que a esquerda chama de neo-imperialismo &#8211; já logrou, em poucos anos, tirar centenas de milhões de pessoas da miséria. Perguntem a um vietnamita ou cambojano &#8211; cujos países foram símbolo da miséria até duas décadas atrás e hoje são &#8220;inescrupulosamente&#8221; espoliados pelas multinacionais capitalistas &#8211; se têm vontade de voltar ao antigo regime. A resposta, invariavelmente, será um sonoro e resoluto &#8220;não&#8221;.<br />
Mas há, também, bravas nações que resistem heroicamente às poderosas investidas do monstro capitalista. Vale a pena ressaltar os corajosos exemplos de Cuba e Coréia do Norte, clube exclusivo que recebeu recentemente a companhia de Venezuela e Bolívia &#8211; o Equador ainda estuda se adere ou não. O problema-chave desses países é que a maioria de seu comércio exterior se dá justamente com os detestáveis EUA. A Venezuela, de todos, é o que se encontra em posição mais confortável: possui petróleo em abundância e os EUA, pragmaticamente, preferem ignorar a recorrente catilinária antiimperialista de Hugo Chávez desde que o fornecimento de petróleo venezuelano não seja interrompido. E Chávez não é louco de fazê-lo: dois terços da economia venezuelana dependem diretamente desse comércio e, como está, está bem para todos.</p>
<p> <br />
Os demais países fora da perversa globalização estão na África, porque não possuem nenhum atrativo que desperte a &#8220;sanha&#8221; dos capitalistas. E estão aprendendo, amargamente, que muito pior que serem abusados pelas multinacionais é não despertar o interesse de nenhuma&#8230;<br />
Prevê-se que a globalização vai livrar da indigência, até 2030, pelo menos metade da humanidade, o que jamais ocorreu na História universal, mesmo em períodos mais prósperos.</p>
<p>A diferença ideológica entre o marxismo e as democracias &#8220;burguesas&#8221; é que estas não se preocupam em fazer proselitismo junto à juventude. Deixam que os fatos falem por si.</p>
<p>Curiosamente é aqui, na periférica América do Sul, que se situa um dos últimos bastiões do obsoleto pensamento marxista. Os professores ainda o ensinam nas escolas, há diversos movimentos sociais que se intitulam socialistas e estes já alcançaram o poder &#8211; de forma moderada ou escancarada &#8211; em pelo menos seis nações. Não se trata, é claro, de um marxismo ortodoxo. No mais das vezes se trata de uma adaptação que muito pouco &#8211; ou quase nada &#8211; tem que ver com a pregação do velho Karl. O que os novos caudilhos pretendem de fato é valer-se do cunho de protesto que acompanha a propaganda comunista para ampliarem seu poder e manter-se nele o maior tempo possível.<br />
O presidente Lula não é marxista. Prova disso é a corajosa política econômica que vem adotando desde o início do seu primeiro mandato. Mas ele deve favores à nossa antiquada esquerda. Politicamente hábil, como já foi inequivocamente provado, ele parece que adotou a seguinte estratégia: nas áreas-chave do governo colocou técnicos competentes que nada a ver têm com o pensamento esquerdizante. Temos um Meirelles à frente do Banco Central, um Haddad comandando a Educação e um Temporão cuidando da Saúde. Isso lhe garante tranqüilidade suficiente para entregar as demais áreas às esquerdas, como é o caso do ministro da Reforma Agrária e do cristão-novo Celso Amorim na hoje terceiro-mundista pasta das Relações Exteriores. Lula corteja Chávez, Morales e Fidel porque isso satisfaz as esquerdas e não traz riscos a seu governo. Assim ele se equilibra na corda bamba e deixa que o Bolsa-Família sustente nas alturas a sua popularidade.<br />
Quanto ao professor universitário que citei nos preâmbulos, devo confessar que, apesar de seus eloqüentes argumentos, continuo vendo mais encantos nas &#8220;patricinhas&#8221;&#8230;</p>
<p> </p>
<p>Artigo publicado no jornal &#8220;O Estado de São Paulo&#8221; em 1º de fevereiro de 2008.</p>
<div class="sexy-bookmarks sexy-bookmarks-expand sexy-bookmarks-center sexy-bookmarks-bg-enjoy"><ul class="socials"><li class="sexy-delicious"><a href="http://del.icio.us/post?url=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/06/vivam-as-patricinhas/&amp;title=Vivam+as+%27%27patricinhas%27%27%21" rel="nofollow" class="external" title="Share this on del.icio.us">Share this on del.icio.us</a></li><li class="sexy-stumbleupon"><a href="http://www.stumbleupon.com/submit?url=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/06/vivam-as-patricinhas/&amp;title=Vivam+as+%27%27patricinhas%27%27%21" rel="nofollow" class="external" title="Stumble upon something good? Share it on StumbleUpon">Stumble upon something good? Share it on StumbleUpon</a></li><li class="sexy-myspace"><a href="http://www.myspace.com/Modules/PostTo/Pages/?u=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/06/vivam-as-patricinhas/&amp;t=Vivam+as+%27%27patricinhas%27%27%21" rel="nofollow" class="external" title="Post this to MySpace">Post this to MySpace</a></li><li class="sexy-facebook"><a href="http://www.facebook.com/share.php?u=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/06/vivam-as-patricinhas/&amp;t=Vivam+as+%27%27patricinhas%27%27%21" rel="nofollow" class="external" title="Share this on Facebook">Share this on Facebook</a></li><li class="sexy-twitter"><a href="http://twitter.com/home?status=RT+@joaomellao:+Vivam+as+%27%27patricinhas%27%27%21+-+http://tinyurl.com/yfbz3dm" rel="nofollow" class="external" title="Tweet This!">Tweet This!</a></li><li class="sexy-comfeed"><a href="http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/06/vivam-as-patricinhas/feed" rel="nofollow" class="external" title="Subscribe to the comments for this post?">Subscribe to the comments for this post?</a></li><li class="sexy-google"><a href="http://www.google.com/bookmarks/mark?op=add&amp;bkmk=http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/06/vivam-as-patricinhas/&amp;title=Vivam+as+%27%27patricinhas%27%27%21" rel="nofollow" class="external" title="Add this to Google Bookmarks">Add this to Google Bookmarks</a></li></ul><div style="clear:both;"></div></div><img src="http://www.blogdomellao.com.br/?ak_action=api_record_view&id=652&type=feed" alt="" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.blogdomellao.com.br/forum/2010/01/06/vivam-as-patricinhas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>10</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
