No próximo artigo já serei um deputado em atividade. O que muda na minha escrita? Eu creio que nada. Talvez a minha credibilidade sofra algum abalo. Afinal, sou agora um político. E os políticos não gozam lá de excelente reputação. Continue Lendo..
Arquivo da categoria ‘Política Brasileira’
A política como deve ser
O pagador de promissórias
“Existem 3 formas de perder dinheiro na vida: a mais rápida é o jogo; a mais agradável são as mulheres; a mais segura é a agricultura.” ( anônimo). Esta peça, o teatrólogo Dias Gomes, com seu inegável talento, prudentemente, esqueceu-se de escrever. É mais cômodo e agradável cortejar as patrulhas ideológicas através de enredos patéticos, nos quais o drama dos deserdados da terra é pintado, a cada cena, com um expressionismo de fazer inveja a Portinari. Enquanto todos choram a sina do “José do Burro”, um “sem terra” que vai à igreja pagar sua promessa, ninguém se comove com a via crucis do burro do José, um “com terra” abnegado que, todos os dias, vai ao banco pagar suas promissórias. No entanto o destino dos dois está intimamente ligado. Continue Lendo..
Dilma no Céu
“Meu artigo de dezembro de 2009.” Caiu um forte raio em Brasília. Desses que o governo afirma que são capazes de causar um blecaute. Ele caiu justamente no Palácio do Planalto. Para espanto de alguns e alívio de outros, o raio deu de cair exatamente na cabeça da ministra Dilma Rousseff, que foi literalmente torrada. Sem nada o que fazer, ela se dirigiu ao Além. Continue Lendo..
Por que ela?
“A pedidos, republico meu artigo de março de 2010.” O caso Bancoop – a Cooperativa Habitacional dos Bancários, de onde, segundo o Ministério Público, teriam sido desviados recursos para ajudar a financiar as campanhas do PT – é mais um que vem à tona sob o mesmo tema. Digo “mais um” porque não é o primeiro nem, certamente, haverá de ser o último. Este, em teoria, é mais inaceitável porque não extraiu dinheiro do detestável “Estado burguês”, mas dos próprios “proletários” – as famílias filiadas à cooperativa que investiram os seus sofridos recursos na vã intenção de virem a possuir a casa própria. Continue Lendo..
Prezada dona Dilma
A pedidos, republico meu artigo de fevereiro de 2010. Tempos atrás, aqui mesmo, neste Espaço Aberto, comparei a senhora, com as ideias antiquadas que defende, a um DKW – aquele automóvel que foi fabricado no Brasil no início da década de 1960. Recebi numerosos e-mails reclamando que eu estava sendo injusto. Injusto com o DKW. Pois é. O carro deixou uma boa impressão, o que – perdoe-me o mau jeito – parece muito não ser o seu caso. Estive vasculhando as minhas memórias e constatei que o DKW é muito moderno para a senhora. A comparação adequada seria com um Ford 1929. E, ao afirmar isso, espero que ninguém reclame do fato de eu estar cometendo outra injustiça.
É Ford 1929, mesmo. Foi naquela época em que ele estava sendo fabricado que um sujeito chamado Benito Mussolini fazia sucesso com o lema: “Tudo no Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado.” Joseph Stalin e outros contemporâneos também não pensavam muito diferente disso. Poderíamos agraciar cada um deles com um Ford da época. Ou com uma Mercedes-Benz 770. A senhora sabia que esses personagens históricos já defendiam a ideia de um “Estado forte” – que é o cerne de sua plataforma política – naqueles tempos?
Li, se não me, engano, na revista Veja, que o bordão que o Duda Mendonça apresentou para a sua campanha eleitoral é baseado naquela música do Zeca Pagodinho: “Deixa a Dilma me levar; Dilma leva eu…” Com todo o respeito, dona Dilma, levar para onde? Dá calafrios só de pensar.
Por falar em Duda Mendonça, cabe a pergunta: vocês o reabilitaram? Vão pagar a campanha com dólares depositados nas Bahamas, como ele gosta? Isso é proibido, dona Dilma. A senhora sabia?
Li, creio que na mesma revista, que quem está articulando a sua campanha nos diversos Estados é ninguém menos que José Dirceu. É, ele mesmo. Ele já foi ministro-chefe da Casa Civil, o mesmo cargo que a senhora ocupa. Também foi reabilitado? E aquela história do “mensalão” como é que fica? Segundo a malvada da imprensa, ele era o grande articulador do esquema. Deixa pra lá. Isso também deve ser “intriga da oposição”, não é verdade? Continue Lendo..
Lula é Popular
Um ano antes da eleição em que, após outras três tentativas frustradas, Lula foi guindado à Presidência da República, o então novo marqueteiro do PT, Duda Mendonça, publicou um livro que merece ser ressaltado. O título é Casos e Coisas.Entre outras afirmações, Duda vaticinou que o Partido dos Trabalhadores, em função da coesão, da motivação e da uniformidade ideológica de seus membros, haveria, mais cedo ou mais tarde, de alcançar o poder nacional. Continue Lendo..
A tragédia do Neopopulismo
O ex-deputado federal Vilmar Rocha, de Goiás, foi presidente do Instituto Tancredo Neves (ITN) na época em que eu fui diretor, em meados dos anos 90. Grande sujeito, missão ingrata a dele. Explico: por força de lei, todos os partidos devem criar um instituto de estudos e pesquisas, para melhor fundamentarem seu posicionamento no Congresso. Até aí, tudo bem. Ocorre que, no Congresso, ninguém, em sã consciência, é capaz de dispor de um minuto sequer de seu tempo para discutir ideologia. Não que esta não seja importante. O problema é que, na prática, cada um adapta o discurso da maneira que quiser. Restamos nós, os bravos mosqueteiros do ITN, para formular, de maneira simplificada, simplória até, os postulados de nosso partido. Alguns, a esta altura, vão dizer que o PFL – hoje DEM – não tem ideologia. Acontece que o mesmo problema afligia todos os partidos, inclusive o (então vestal) Partido dos Trabalhadores. Continue Lendo..
O Gênio do Mal
Depois do meu período universitário, ele era incensado por todos. Daniel Dantas era conhecido como o jovem mais inteligente do Brasil. Discípulo preferido de Mário Henrique Simonsen na Fundação Getúlio Vargas (FGV), fazia uma carreira brilhante na iniciativa privada, trabalhando como consultor para grandes empresários do Rio de Janeiro e recebendo como paga fortunas astronômicas. Sempre ouvi falar dele com respeito e admiração. Por pouco não foi ele o ministro da Fazenda de Fernando Collor, no lugar de Zélia Cardoso de Mello. Algumas intrigas palacianas o impediram de assumir o cargo. Até então, ele era do bem. O que faz um homem mudar tanto de índole e personalidade? Quem cruzou com ele em meados da década de 90, encontrou uma pessoa totalmente diferente. Continue Lendo..
Quem tem medo da reforma tributária?
“O Estado não pode dar a ninguém algo que antes não tenha tirado de alguém.”
Essa assertiva parece óbvia, mas todos se esquecem dela quando o assunto é reforma tributária. O Estado, na cabeça de muitos, é um ente imaginário graças ao qual é possível todo mundo viver à custa de alguém. Nada mais justo, pelo menos do ponto de vista de cada um. Mas o Estado não produz riquezas, a não ser pelas poucas e pessimamente administradas empresas que ainda controla. No mais, a sua função é exclusivamente redistributiva: pela cobrança de impostos, taxas e “contribuições” ele acumula recursos que, ao menos teoricamente, despende em obras e serviços voltados para o bem comum. Acontece que, ao final das contas, ambos os lados ficam insatisfeitos. Quem pagou entende que pagou demais, quem recebeu acredita ter recebido de menos.
Para um governante, a tarefa mais ingrata é a de promover uma mudança efetiva nesse complexo sistema de extração de recursos, por um lado, e alocação de verbas, pelo outro. Continue Lendo..
Réquiem para o Senado
Foi, sem sombra de dúvida, o momento mais execrável de toda a história do Senado da República. Que dizer? Invejar Ali Babá por ter enfrentado apenas 40 ladrões? Pois deste lamentável escrutínio se sobressaíram 46. Os que inocentaram o réu e mais meia dúzia que sabia de antemão que, ao optar pela abstenção, estaria, na prática, engrossando o contingente da vilania e da canalha.
A República romana se encerrou assim, melancolicamente. O povo, já totalmente desencantado com a venalidade e a falta de credenciais morais dos membros do Senado, optou por entregar seu destino a Júlio César. Um complô, articulado por senadores, acabou por assassiná-lo, mas sua eliminação física de nada adiantou. Nos corações e mentes dos cidadãos já estava enraizada a idéia de transformar Roma num império. Continue Lendo..



