Minha juventude transcorreu nos anos 70, durante a dita “ditadura militar”. Curiosamente, muita coisa na época era, de modo preocupante, semelhante ao que se vê hoje. Continue Lendo..
Arquivo da categoria ‘Política Brasileira’
Pra frente, Brasil!
Vão todos para o inferno
De acordo com a doutrina católica, Deus perdoa os arrependidos. No PT, o Misericordioso não encontrará a quem perdoar. Ninguém se arrepende de nada. Ao contrário, ninguém admite sequer que tenha feito algo de errado. É compreensível. A santa bíblia petista tem fortes influências do catolicismo de esquerda, mas também foi redigida pelos profetas da dialética, tais como Heráclito, Hegel e Marx. A parcela cristã é dogmática. Já a dialética permite uma certa “licença poética” a seus exegetas. Trata-se de uma subversão da lógica formal. De acordo com ela, o que é pode não ser, o que não é pode vir a ser e tudo o que existe pode deixar de existir. Os petistas se proclamam cristãos, mas aprenderam a pensar pela cartilha da dialética. Enganam-se a si próprios, acreditam enganar o próximo e pretendem enganar a Deus. O problema é que o Todo-Poderoso, segundo as escrituras, pode ser tudo menos um dialético. Ele é onisciente, esqueceram? E, se Ele sabe tudo, não se vai deixar confundir por essa enganosa lógica de botequim. No Juízo Final não há espaço para a prática do contraditório. Os petistas irão todos diretamente para o Inferno. O Demo, ele, sim, é chegado a relativismos e tertúlias de cunho filosófico… Continue Lendo..
Somos mesmo Terceiro Mundo!
Quase ninguém se encoraja a abordar esse tema, mas é preciso que seja dito: o papel que o Brasil vem exercendo na diplomacia internacional é visto pelos especialistas como tolo e ingênuo, além de macular a nossa autoimagem de país sério. Continue Lendo..
Como vai dona Dilma
No final de 2001 Duda Mendonça, o agora anjo decaído do marketing político, escreveu um livro onde, com rara franqueza, expôs todas as suas impressões sobre o PT. Ele acabara de ser contratado pelo partido para cuidar das eleições seguintes, as de 2002. A anedota maldosa da época dizia que Lula não era candidato a presidente, mas sim a persistente. Aquela seria a sua quarta eleição. Naquela época ninguém acreditava que ele teria alguma chance. Continue Lendo..
Por que a nossa política externa é assim
Para aqueles que não conseguem entender qual é a lógica que preside as aparentemente tresloucadas opções de Lula no que tange à política exterior vai aqui uma pequena colaboração. Continue Lendo..
O que representa o civismo
“A Justiça só é justa quando alcançada por meios justos.” Essa palavra de ordem eu conheci com o Guilherme Afif, durante a sua heroica campanha à Presidência da República em 1989 – primeiro pleito democrático de tal porte depois de três décadas. Foi por meio dele também que entendi (eu e o então garoto Gilberto Kassab) que a política não é, necessariamente, a mais vil das profissões. Ela pode ser também a mais nobre das artes. E a humanidade precisa que ela seja assim.
Eu, é forçoso reconhecer, estou ficando velho – “maduro”, numa definição mais precisa. Queira ou não, sou um político identificado pelos jovens como “do século 20″. Infelizmente é verdade. Aprendi a lidar com a informática e com a internet nos seus primórdios. Dominava tudo nessas duas áreas, mas estacionei no fim do século passado. Word, Excel, e-mail, tudo isso é comigo mesmo. Agora Twitter, Facebook e as demais redes sociais só consigo operar com a assessoria de profissionais qualificados: jovens que me “concedem” aulas, empertigados.
Cabe aí a pergunta: Será que nós, “políticos do século 20″, ainda somos de alguma utilidade? Eu ouso afirmar que sim. Somos nós, ainda, os guardiães dos “valores permanentes”. O que são eles? Coisas assim como virtude, coerência, palavra e honra – que recebemos de nossos avós com a condição de transmitirmos para os nossos netos.
Dia desses eu juntei a família e declarei: – Meus filhos, eu já ocupei quase todo tipo de cargo em minha vida pública, como jornalista, administrador e parlamentar, e posso hoje afirmar que as únicas personalidades políticas que me impressionaram foram aquelas que demonstraram ter as vistas postas além do horizonte próximo. Isso é o que se pode chamar de civismo. Essas pessoas punham os seus ideais além de suas conveniências políticas imediatas e – exatamente por isso – muitas vezes foram incompreendidas pelas grandes massas. Paciência! Nem por isso deixaram de lado os seus sonhos e se tornaram impenitentes velhacos e adeptos do farisaísmo e da hipocrisia, como parece ser praxe no mundo político. Muitos ainda lograram colher em vida os frutos de sua coerência. Outros, não, o que valida a máxima cristã (Sermão da Montanha) de que “Deus faz chover da mesma forma sobre justos e injustos”.
Voltando ao tema principal, eu declarei solenemente aos meus filhos que sempre estaria ao lado de gente com tais virtudes, porque eles pertencem a um tipo especial de políticos que “pensa grande”. E eu, particularmente, tenho especial fascínio por pessoas assim.
“Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena”, repetia para mim sempre, parafraseando Fernando Pessoa, durante uma campanha presidencial – aquela de 1989 – em que todos nós sabíamos não ter chances reais de vitória. Essas palavras caíam fortes em mim em especial: um ano antes, em 1988, eu havia sido candidato a prefeito de São Paulo pelo PL, um partido então minúsculo, porém dotado de uma doutrina e de uma conduta coerentes e consistentes. E também jamais tivera chances mínimas de vitória.
Pois bem, lá se vai metade do artigo e eu ainda nem sequer esbocei a minha mensagem principal.
Lá vai. O que quero dizer é que, por já conhecer a política e os seus personagens o suficiente, eu aprendi a dar valor apenas àqueles homens que se dispõem a, na vida pública, acrescentar alguma coisa: valores, principalmente.
Em outras palavras: eu prefiro os homens públicos que sempre atiram para cima, mesmo sob o risco de errar, do que aqueles que costumam atirar para baixo, porque julgam que assim é mais fácil de acertar.
A sabedoria antiga já rezava: quando no deserto, guie-se sempre pelos astros mais brilhantes. Você jamais haverá de alcançá-los – não se iluda -, mas é seguindo-os que você alcançará o seu destino.
Eu, dessa forma, tenho especial admiração pelos homens que pretendem deixar nessa vida alguma marca de si. São eles – e unicamente eles – aqueles que conseguem fazer alguma diferença.
O agora ex-governador de São Paulo José Serra se lança candidato à Presidência da República, buscando realizar aquele que sempre foi o seu maior sonho.
Aprecio muito o Serra. Eu o conheço relativamente bem há mais de três décadas. Mais especificamente desde a heroica primeira candidatura do então professor Fernando Henrique Cardoso ao Senado, por São Paulo, em 1978, numa sublegenda do então MDB. O candidato vencedor, então, foi o Franco Montoro.
José Serra, após 1964, aproveitou para graduar-se em Ciências Econômicas no Chile e nos Estados Unidos e pretendia se candidatar naquela eleição a deputado federal. A legislação da época não permitiu e, assim, ele contentou-se em ser, como eu, um cabo eleitoral de FHC. Sorte minha. Tive assim a oportunidade de vir a conhecer razoavelmente bem alguém que o próprio Fernando Henrique me confidenciara, então, ser um dos mais preparados de seus quadros.
José Serra adotou como um dos principais temas de sua campanha a ética. Difícil escolha essa. Valores éticos não são dos mais fáceis ou atraentes temas eleitorais. Essa é uma das razões pelas quais eu tenho orgulho em empunhar essa bandeira.
Talvez seja exatamente nisso que nós, os “antigos”, nos comungamos com os mais jovens: todos nós entendemos que de nada adianta acenar ao povo com privilégios ou benesses se não se garante a ele aquilo que é o mais básico, a decência.
Essa bandeira é, de todas, a mais gloriosa. Há mais de 2 mil anos se sabe que os corações não são conquistados pela força das armas, mas sim pela grandeza da alma. Continue Lendo..
Quem vai ser presidente?
Estou começando a achar que eu dou azar. Na primeira vez, por volta de um ano atrás, que critiquei neste Espaço Aberto a dona Dilma Rousseff, candidata do Partido dos Trabalhadores à Presidência da República, ela, segundo as pesquisas, contava com apenas 3% da preferência popular. Também não era para menos. Se Nosso Senhor a investiu de grandes predicados – como assevera o presidente Luiz Inácio Lula da Silva–, com certeza foi mais frugal nos encantos.
Passaram-se alguns meses e eis que dona Dilma abriu mão de algumas de suas arraigadas convicções feministas – em especial, aquela que prega que os cuidados de beleza femininos representariam uma subserviente e inaceitável concessão ao machismo.
Dona Dilma é surpreendente. Eis que, num certo dia, ela literalmente se transformou. Não chegou a ficar por assim dizer, exatamente bela, é verdade, mas aproximou-se o possível disso: emagreceu visivelmente, passou por um “extreme makeover”, notadamente no rosto, trocou os pesados óculos por lentes de contato, mudou o penteado – agora com o cabelo mais curto e tingido – e se apresentou, leve e brejeira, trajando roupas mais modernas, joviais e descontraídas. Deixou de parecer a vovó irascível que ninguém gostaria de ter. Passou a aparentar mais, digamos, algo como uma tia mais velha… que todos tolerariam possuir. Mas o mais importante é que, pela primeira vez desde que apareceu na vida pública, ela finalmente se dispôs a sorrir. No início, com uma certa dificuldade – afinal, passava a acionar músculos faciais que anteriormente jamais saíam da posição de repouso. Depois tomou gosto pela coisa: hoje ela se entrega a generosas risadas até mesmo quando recebe notícias tristes.
Dona Dilma é uma mulher que tem método, autodisciplina e obstinação. São qualidades essenciais para uma eficiente guerrilheira; são também atributos que ela entende como indispensáveis a uma pleiteante à Presidência do País.
O fato é que Dona Dilma, antes sempre gelada, austera e reservada, de repente mudou. Hoje, esforçadamente, ela se mistura no meio da massa popular, troca beijos, cumprimenta várias vezes as mesmas pessoas e há quem jure que a viu abraçar até poste…
“Tudo pelo povo, tudo para o povo – mas precisa ser tudo com o povo?”, certamente há de pensar consigo mesma. “Paciência. Depois de eleita mando cercar o palácio com o fosso de jacarés… “, talvez pondere.
Pois essa é a nova Dona Dilma – que, se eleita, previsivelmente há de implantar no Brasil um governo esquerdista de cunho populista e autoritário.
Para enfrentá-la já se apresentaram a verde Marina da Silva, o incansável Ciro Gomes e o ex-mal humorado José Serra.
É praticamente impossível antecipar o que acontecerá durante uma campanha política presidencial.
Mal comparando, trata-se de um evento que guarda alguma semelhança com uma corrida de Fórmula 1. Os concorrentes são todos extremamente talentosos e bem preparados; suas equipes são compostas pelos melhores e mais experimentados especialistas do ramo. Recursos não faltam para incrementar o desempenho. Tudo é minuciosamente visto e revisto para que não ocorra nenhuma surpresa desagradável depois que for dada a largada. Os disputantes sabem, de antemão, que qualquer erro ou falha poderá ser fatal. E para que tal não ocorra, assistem vídeos para avaliar os acertos e erros dos demais concorrentes.
Ninguém pode falhar. Uma frase ou expressão infeliz ou mal colocada será, com certeza enfatizada e explorada pelos adversários e tem potencial, no limite, de inviabilizar uma promissora candidatura.
Quais são os prognósticos? Isso é mais difícil do que fazer previsões meteorológicas.
Com base nos resultados das eleições presidenciais anteriores, levando-se em conta a extraordinária popularidade alcançada pelo presidente Lula, computando a seu favor os programas sociais de grande apelo eleitoral – como é o caso do Bolsa-Família- e também as habilidades e limitações de cada um dos candidatos, pode-se prever- ceteris paribus – o seguinte:
Se concorrerem, Marina Silva e Ciro Gomes alcançarão no máximo, 10% dos votos cada um. Marina tira votos que seriam destinados a Dilma Rousseff e Ciro desvia votos que seriam, preferencialmente, de José Serra.
Se haverá segundo turno ou não, isso vai depender da continuação, na disputa, dos dois candidatos citados.
José Serra terá, com certeza, votação maior do que a de Dilma nos Estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás e Santa Catarina. Dilma, é certo, será mais votada do que Serra em todos os estados das regiões Norte e Nordeste e na maior parte da Centro-Oeste.
Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro deverão ficar com Dilma; Minas Gerais e Espírito Santo representam as incógnitas do processo. Se Aécio Neves não for constrangido pelo PSDB a ser candidato a vice-presidente na chapa de Serra, o mais provável é que deixe a campanha presidencial correr, em Minas, espontaneamente. Suas maiores preocupações, no momento são eleger-se senador com votação inédita e eleger o seu atua vice, Antonio Augusto Anastasia, como governador mineiro.
Aécio mantém boas relações tanto com o tucanato como com Lula, Dilma e o PT. Aos 50 anos de idade, ainda lhe restam, teoricamente, 20 anos para poder disputar a presidência com chances. Porque haveria de botar todo esse cacife a perder agora? Por amor a Serra? É improvável…
É assim que se apresentam os candidatos, agora. Boa sorte para o Brasil. Continue Lendo..
O Brasil tem jeito
Artigo publicado em abril de 1988 no jornal “O Estado de São Paulo”
“Quando a floresta pegou fogo, todos os animais, com exceção do beija-flor, fugiram. Este, desesperado, fazia sucessivas viagens até o córrego, onde enchia o bico de água para depois despejá-la sobre o fogo. Frente à gozação dos demais bichos, argumentou:
- Pode ser que não funcione, mas pelo menos eu estou fazendo a minha parte…” (Fábula popular). Continue Lendo..
A cultura da cédula falsa
Uma tradição largamente arraigada no Brasil é a anedota de português. São milhares de casos, alguns até verídicos, em que nossos patrícios são apresentados na desairosa condição de burros. Um alto oficial da Aeronáutica contou-me um deles, ocorrido em Lisboa, com um de seus comandados. O major brasileiro quebrou o salto de sua bota e o levou a uma sapataria. “_ Troque os saltos”, ordenou o diligente sapateiro. Na semana seguinte, ao voltar ao local, teve a desagradável surpresa de saber que o profissional havia cumprido a sua ordem ao pé da letra: trocara os saltos, o da bota esquerda pelo da direita e vice-versa. De nada adiantou discutir. “- Trocaire é isto. Tu devias ter pedido para substituire!” Continue Lendo..
Por que ela?
O caso Bancoop – a Cooperativa Habitacional dos Bancários, de onde, segundo o Ministério Público, teriam sido desviados recursos para ajudar a financiar as campanhas do PT – é mais um que vem à tona sob o mesmo tema. Digo “mais um” porque não é o primeiro nem, certamente, haverá de ser o último. Este, em teoria, é mais inaceitável porque não extraiu dinheiro do detestável “Estado burguês”, mas dos próprios “proletários” – as famílias filiadas à cooperativa que investiram os seus sofridos recursos na vã intenção de virem a possuir a casa própria. Continue Lendo..



