Arquivo da categoria ‘A Visão Liberal’

O atalho é um caminho mais longo

Publicado por João Mellão Neto Em 09 Aug 2010

“ Tudo Pelo Social é impossível. Alguma coisa terá que ir pelo elevador de serviço” O resgate da dívida social do Brasil é urgente e imprescindível. Esse Pais que sempre soube vencer seus desafios agora tem pela frente um enigma para o qual quatro gerações de ideólogos, do vermelho sangue ao verde oliva, não encontraram resposta satisfatória. Com 2.200 dólares de renda per capita muitos dos problemas sociais que nos afligem já deveriam ter sido resolvidos. Países com renda equivalente possuem índices de escolaridade, saúde pública e nutrição muito superiores aos nossos. Na década de 50 ainda era Possível ironizar as utopias distributivistas da onírica esquerda brasileira. Afinal, o único especialista em distribuir pães sem antes tê-los produzido já falecera há dois mil anos e, depois dele, a multiplicação de pães só vem podendo ser feita através da prévia multiplicação das padarias. O incremento da produção, durante três décadas, foi uma bandeira quase que unânime da sociedade. Hoje, infelizmente, para contentar a todos necessário erguer mais alguns mastros. Continue Lendo..

Em Busca de um Regan

Publicado por João Mellão Neto Em 05 Aug 2010

“Ignorante não é aquele que nada sabe, mas aquele que não sabe o que devia saber” Ronald Reagan, ator medíocre, acaba de desempenhar o melhor papel de sua vida. Sua atuação em “Mr.President”, foi um estrondoso sucesso de bilheteria; a critica lhe torce o nariz. Essa mesma inteligência que endeusa Bergan enquanto Spielberg arrebata as platéias, não consegue entender o fenômeno Ron. Como pode um sujeitinho medíocre como o marido de Nancy dar certo em um campo onde tropeçam “primeiros da classe” como o Dr James Earl Carter? Lembra o famoso caso de Vitorino freire, homem forte do governo Dutra, ao receber uma homenagem no interior do Maranhão. Escalado para falar, o promotor da cidade, desafeto do homenageado, resolveu, sutilmente, desancá-lo: Continue Lendo..

Opção preferencial pela pobreza

Publicado por João Mellão Neto Em 02 Aug 2010

“Ao deparar com uma jovem chorando à beira da estrada, Confúcio aproximou-se para saber a razão de tamanha tristeza.
- É o tigre, meu Sábio. Ele já destruiu nossa colheita, nosso rebanho, matou meu avô, meu pai e, mais cedo ou mais tarde, virá devorar-me!
- E por que não te mudas para a cidade?
- Aqui nós temos apenas o tigre, lá vós tendes o governo…”
( Parábola chinesa atribuída a Confúcio) Continue Lendo..

O Resgate Moral da América

Publicado por João Mellão Neto Em 26 Jul 2010

A eleição consagradora de um negro para ocupar a presidência dos Estados Unidos da América é um fenômeno que merece ser estudado. Barack Obama, de início, já tinha contra ele três obstáculos que o inviabilizavam. Ele não é um wasp (branco, anglo-saxão e protestante, na sigla em inglês) e, até hoje, o único eleito que não preencheu esses requisitos foi John Kennedy, que era católico. Obama só preenche um deles: é protestante. Outro óbice é a idade: os americanos raramente elegem alguém com menos de 50 anos. Obama, Bill Clinton e Kennedy foram os únicos a vencer esse preconceito, elegendo-se na faixa dos 40. Continue Lendo..

Pra frente, Brasil!

Publicado por João Mellão Neto Em 04 Jun 2010

Minha juventude transcorreu nos anos 70, durante a dita “ditadura militar”. Curiosamente, muita coisa na época era, de modo preocupante, semelhante ao que se vê hoje. Continue Lendo..

Por que a nossa política externa é assim

Publicado por João Mellão Neto Em 23 Apr 2010

Para aqueles que não conseguem entender qual é a lógica que preside as aparentemente tresloucadas opções de Lula no que tange à política exterior vai aqui uma pequena colaboração. Continue Lendo..

O que representa o civismo

Publicado por João Mellão Neto Em 09 Apr 2010

“A Justiça só é justa quando alcançada por meios justos.” Essa palavra de ordem eu conheci com o Guilherme Afif, durante a sua heroica campanha à Presidência da República em 1989 – primeiro pleito democrático de tal porte depois de três décadas. Foi por meio dele também que entendi (eu e o então garoto Gilberto Kassab) que a política não é, necessariamente, a mais vil das profissões. Ela pode ser também a mais nobre das artes. E a humanidade precisa que ela seja assim.
Eu, é forçoso reconhecer, estou ficando velho – “maduro”, numa definição mais precisa. Queira ou não, sou um político identificado pelos jovens como “do século 20″. Infelizmente é verdade. Aprendi a lidar com a informática e com a internet nos seus primórdios. Dominava tudo nessas duas áreas, mas estacionei no fim do século passado. Word, Excel, e-mail, tudo isso é comigo mesmo. Agora Twitter, Facebook e as demais redes sociais só consigo operar com a assessoria de profissionais qualificados: jovens que me “concedem” aulas, empertigados.
Cabe aí a pergunta: Será que nós, “políticos do século 20″, ainda somos de alguma utilidade? Eu ouso afirmar que sim. Somos nós, ainda, os guardiães dos “valores permanentes”. O que são eles? Coisas assim como virtude, coerência, palavra e honra – que recebemos de nossos avós com a condição de transmitirmos para os nossos netos.
Dia desses eu juntei a família e declarei: – Meus filhos, eu já ocupei quase todo tipo de cargo em minha vida pública, como jornalista, administrador e parlamentar, e posso hoje afirmar que as únicas personalidades políticas que me impressionaram foram aquelas que demonstraram ter as vistas postas além do horizonte próximo. Isso é o que se pode chamar de civismo. Essas pessoas punham os seus ideais além de suas conveniências políticas imediatas e – exatamente por isso – muitas vezes foram incompreendidas pelas grandes massas. Paciência! Nem por isso deixaram de lado os seus sonhos e se tornaram impenitentes velhacos e adeptos do farisaísmo e da hipocrisia, como parece ser praxe no mundo político. Muitos ainda lograram colher em vida os frutos de sua coerência. Outros, não, o que valida a máxima cristã (Sermão da Montanha) de que “Deus faz chover da mesma forma sobre justos e injustos”.
Voltando ao tema principal, eu declarei solenemente aos meus filhos que sempre estaria ao lado de gente com tais virtudes, porque eles pertencem a um tipo especial de políticos que “pensa grande”. E eu, particularmente, tenho especial fascínio por pessoas assim.
“Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena”, repetia para mim sempre, parafraseando Fernando Pessoa, durante uma campanha presidencial – aquela de 1989 – em que todos nós sabíamos não ter chances reais de vitória. Essas palavras caíam fortes em mim em especial: um ano antes, em 1988, eu havia sido candidato a prefeito de São Paulo pelo PL, um partido então minúsculo, porém dotado de uma doutrina e de uma conduta coerentes e consistentes. E também jamais tivera chances mínimas de vitória.
Pois bem, lá se vai metade do artigo e eu ainda nem sequer esbocei a minha mensagem principal.
Lá vai. O que quero dizer é que, por já conhecer a política e os seus personagens o suficiente, eu aprendi a dar valor apenas àqueles homens que se dispõem a, na vida pública, acrescentar alguma coisa: valores, principalmente.
Em outras palavras: eu prefiro os homens públicos que sempre atiram para cima, mesmo sob o risco de errar, do que aqueles que costumam atirar para baixo, porque julgam que assim é mais fácil de acertar.
A sabedoria antiga já rezava: quando no deserto, guie-se sempre pelos astros mais brilhantes. Você jamais haverá de alcançá-los – não se iluda -, mas é seguindo-os que você alcançará o seu destino.
Eu, dessa forma, tenho especial admiração pelos homens que pretendem deixar nessa vida alguma marca de si. São eles – e unicamente eles – aqueles que conseguem fazer alguma diferença.
O agora ex-governador de São Paulo José Serra se lança candidato à Presidência da República, buscando realizar aquele que sempre foi o seu maior sonho.
Aprecio muito o Serra. Eu o conheço relativamente bem há mais de três décadas. Mais especificamente desde a heroica primeira candidatura do então professor Fernando Henrique Cardoso ao Senado, por São Paulo, em 1978, numa sublegenda do então MDB. O candidato vencedor, então, foi o Franco Montoro.
José Serra, após 1964, aproveitou para graduar-se em Ciências Econômicas no Chile e nos Estados Unidos e pretendia se candidatar naquela eleição a deputado federal. A legislação da época não permitiu e, assim, ele contentou-se em ser, como eu, um cabo eleitoral de FHC. Sorte minha. Tive assim a oportunidade de vir a conhecer razoavelmente bem alguém que o próprio Fernando Henrique me confidenciara, então, ser um dos mais preparados de seus quadros.
José Serra adotou como um dos principais temas de sua campanha a ética. Difícil escolha essa. Valores éticos não são dos mais fáceis ou atraentes temas eleitorais. Essa é uma das razões pelas quais eu tenho orgulho em empunhar essa bandeira.
Talvez seja exatamente nisso que nós, os “antigos”, nos comungamos com os mais jovens: todos nós entendemos que de nada adianta acenar ao povo com privilégios ou benesses se não se garante a ele aquilo que é o mais básico, a decência.
Essa bandeira é, de todas, a mais gloriosa. Há mais de 2 mil anos se sabe que os corações não são conquistados pela força das armas, mas sim pela grandeza da alma. Continue Lendo..

Quem tem medo dos populistas?

Publicado por João Mellão Neto Em 26 Feb 2010

multidãoOs populistas voltaram. Sim. Eles mesmos. Já andaram por aqui na década de 1940, ressurgiram na década de 1950 e início da de 1960 e andaram caçando bois em pastos na de 1980. Eles são sempre iguais: adoráveis em curto prazo, perigosos em médio prazo e desastrosos em longo prazo. E não se corrigem. Até porque seus métodos voltam sempre a fazer sucesso desde que o povo se esqueça das catástrofes que causaram em suas últimas atuações. O populismo é uma doença infantil da democracia. Um mal tão perigoso quanto a catapora e o sarampo. E, como eles, parece inofensivo em seus primeiros sintomas.
Populismo, na prática, é como fazem determinados jogadores de futebol que descobrem que fazer gols é muito difícil. Mais cômodo e com melhores efeitos imediatos é “jogar para a plateia”. Uma embaixadinha aqui, uma ameaça de drible acolá e pronto, os torcedores já se dão por satisfeitos. Para que lutar por resultados efetivos? De que vale suar a camisa se com muito menor esforço já se consegue agradar ao público?
Medidas e atitudes populistas não costumam agradar à opinião pública em nações onde as instituições já estão maduras e consolidadas. Também não servem para nações onde essas nem sequer existem. Funcionam bem onde já há alguns arremedos de instituições mas elas ainda são fracas, incipientes. É o caso da maior parte das nações da América Latina.
Populismo não tem fórmula pronta e acabada. Tampouco é passível de improvisação. É, na prática, um espetáculo de ilusionismo, mágicas e efeitos especiais. O governante populista não se arrisca jamais a tomar medidas que possam parecer antipáticas. Mesmo que a experiência de seu país, e também dos outros, indique que estas são as únicas que podem surtir algum efeito. Os populistas preferem arroubos retóricos a atitudes eficazes. Num momento de alto desemprego, inflação e estagnação econômica, o que vem à mente de um governante populista? Adotar um receituário econômico de austeridade e severidade? Ou fazer pronunciamientos públicos irados contra a suposta exploração de que seu pobre país seria vítima por parte das nações mais ricas? Não há dúvida de que os populistas optam pela segunda fórmula.
Agir assim é mais fácil, mais cômodo e ainda leva a vantagem de que todos os opositores podem ser tachados de inimigos do bem-estar do povo, ou entreguistas, ou mesmo agentes dos interesses estrangeiros. Ai daqueles que se manifestarem contrários às medidas populistas! Serão tachados, no mínimo, de covardes ou derrotistas. El pueblo, nos momentos críticos, não pode contar com os tíbios e os fracotes. Faz-se necessário, nessas ocasiões, que haja líderes destemidos e impetuosos. Gente “corajosa” a ponto de não temer denunciar as injustiças. E quem seriam eles? Ora, os populistas, é claro!
Infelizmente, as anomalias políticas de cunho populista não são facilmente extirpáveis do corpo social. Afinal, o populismo sempre apresenta alternativas simpáticas, impetuosas e de fácil adoção. É como se no rótulo de todo elixir populista viesse a advertência: agite antes de usar.
Pobres dos que, em oposição aos desmandos populistas, apresentam alternativas antipáticas ou dolorosas ao corpo social. As massas serão instadas a repudiá-los veementemente por se posicionarem contra os interesses maiores del pueblo e de la nación.
Você é daqueles que entendem que os populistas só podem ser bem-sucedidos em países atrasados como a Venezuela de Hugo Chávez, a Bolívia de Evo Morales, o Equador de Rafael Correa ou a ilha da fantasia dos irmãos Castro? Acredita que em povos maduros e mais bem instruídos esse tipo de discurso não pega? Você está sendo otimista demais. Como é que você explicaria o fato de o casal Kirchner permanecer no poder há tantos anos numa nação civilizada e com uma população bem-educada como a Argentina?
Pois Néstor e Cristina Kirchner dominam a cena política por lá há sete anos e seu arsenal de expedientes populistas ainda parece ser inesgotável. Desde tentarem passar ao povo a imagem de que são como que a reencarnação de outro casal de políticos do passado, Juan e Eva Perón (também populistas), até o fato de recorrerem a “atitudes corajosas” como mandar prender comerciantes por eventuais elevações de preços e, mais recentemente, medidas de aparência patriótica como reivindicar a posse das Ilhas Falkland (“Malvinas”), desde sempre propriedade do Reino Unido. Sobre essa disputa, é bom lembrar, já houve uma guerra, vencida pelos ingleses, em 1982. O governo militar argentino de então, como forma de reconquistar o apoio popular, reivindicou as ilhas e as invadiu. Os súditos de Sua Majestade as retomaram em menos de seis meses, com pesados reveses e baixas do lado dos nossos vizinhos. Como agora, o Brasil, de imediato, se posicionou do lado de los hermanos. Desta vez, ninguém sabe dizer no que vai dar. É possível que haja uma saída diplomática. Pode, também, acabar novamente em guerra. Uma coisa, no entanto, parece previsível: a sobrevivência política do casal estará, por um bom tempo, assegurada.
Para aqueles otimistas que acreditam que os brasileiros já amadureceram o bastante para não caírem mais na lábia dos populistas, vale uma advertência. A conjuntura política na América Latina sempre evolui por ondas. Quando eram os militares que ditavam as regras, quase todas as nações de nosso subcontinente adotaram regimes militares. Quando as democracias liberais do suposto Consenso de Washington apareceram, elas proliferaram rapidamente. Por outro lado, nas vezes em que regimes autoritários de cunho populista surgiram, eles contagiaram toda a região. O “regime da moda”, agora, aparenta ser esse.
Que a dona Dilma me desminta se eu não estou dizendo a verdade. Continue Lendo..

Prezada dona Dilma

Publicado por João Mellão Neto Em 12 Feb 2010

dilmaTempos atrás, aqui mesmo, neste Espaço Aberto, comparei a senhora, com as ideias antiquadas que defende, a um DKW – aquele automóvel que foi fabricado no Brasil no início da década de 1960. Recebi numerosos e-mails reclamando que eu estava sendo injusto. Injusto com o DKW. Pois é. O carro deixou uma boa impressão, o que – perdoe-me o mau jeito – parece muito não ser o seu caso. Estive vasculhando as minhas memórias e constatei que o DKW é muito moderno para a senhora. A comparação adequada seria com um Ford 1929. E, ao afirmar isso, espero que ninguém reclame do fato de eu estar cometendo outra injustiça.
É Ford 1929, mesmo. Foi naquela época em que ele estava sendo fabricado que um sujeito chamado Benito Mussolini fazia sucesso com o lema: “Tudo no Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado.” Joseph Stalin e outros contemporâneos também não pensavam muito diferente disso. Poderíamos agraciar cada um deles com um Ford da época. Ou com uma Mercedes-Benz 770. A senhora sabia que esses personagens históricos já defendiam a ideia de um “Estado forte” – que é o cerne de sua plataforma política – naqueles tempos?
Li, se não me, engano, na revista Veja, que o bordão que o Duda Mendonça apresentou para a sua campanha eleitoral é baseado naquela música do Zeca Pagodinho: “Deixa a Dilma me levar; Dilma leva eu…” Com todo o respeito, dona Dilma, levar para onde? Dá calafrios só de pensar.
Por falar em Duda Mendonça, cabe a pergunta: vocês o reabilitaram? Vão pagar a campanha com dólares depositados nas Bahamas, como ele gosta? Isso é proibido, dona Dilma. A senhora sabia?
Li, creio que na mesma revista, que quem está articulando a sua campanha nos diversos Estados é ninguém menos que José Dirceu. É, ele mesmo. Ele já foi ministro-chefe da Casa Civil, o mesmo cargo que a senhora ocupa. Também foi reabilitado? E aquela história do “mensalão” como é que fica? Segundo a malvada da imprensa, ele era o grande articulador do esquema. Deixa pra lá. Isso também deve ser “intriga da oposição”, não é verdade? Continue Lendo..

Os alicerces da democracia

Publicado por João Mellão Neto Em 13 Jan 2010

loboAté 1951, o presidente dos Estados Unidos da América, legalmente, podia reeleger-se quantas vezes quisesse. George Washington, o primeiro norte-americano a ocupar a cadeira, fixou uma tradição, religiosamente seguida por seus sucessores, de só se recandidatar uma única vez. Acontece que esta obrigação nunca fora fixada em lei. Franklin Roosevelt, presidente de 1933 a 1945, decidiu desafiá-la e foi eleito para quatro mandatos. Extremamente popular, só não foi além porque, logo no início de sua quarta investidura, veio a falecer, abrindo um amplo e apaixonado debate na nação sobre a conveniência de se permitirem reeleições indefinidas para o cargo presidencial. Não que Roosevelt tivesse sido um mau governante. Ao contrário. Ele foi, sem dúvida, o supremo mandatário que mais qualidades possuiu durante todo o século 20. O problema era de outra natureza. O instituto das reeleições indefinidas atentava contra a própria democracia, cujo sistema de freios e contrapesos a fazia garantir-se por si só, aprender com seus próprios erros e manter-se em constante evolução. Esse sistema de “check and balances” – toda criança americana aprende desde que entra na escola – é a melhor criação institucional dos EUA e, por isso mesmo, a razão pela qual o povo da grande nação se julga moralmente superior aos demais e, com certa presunção, procura exportá-lo para todos os países.
O conceito norte-americano de democracia é bastante complexo e não se lastreia unicamente no ato de fazer valer a vontade da maioria. Hitler, num extremo exemplo, contava com o respaldo da maioria dos alemães e nem por isso se pode dizer que tenha governado de forma democrática. Os próprios norte-americanos quase caíram nessa terrível falácia em 1787, ao aprovarem a sua Constituição, a primeira dos tempos modernos, sem dela fazer constar os fundamentais direitos individuais. Alguns poucos anos depois, em 1791, foram aprovadas de uma vez só as dez primeiras Emendas à Constituição, que nada mais eram do que a explicitação dos direitos e prerrogativas das minorias e dos indivíduos. Continue Lendo..

Untitled Document
  

 

 

?>