A principal foto de propaganda do governo de Juscelino Kubitschek (JK) era uma em que ele, o presidente, aparecia, impávido, sobre diversas toras cerradas. O local, se não me engano, era o canteiro de obras da Rodovia Belém-Brasília. Simbolizava o triunfo do homem sobre a natureza. Um novo país que nascia, desbravando as matas, lutando contra a inércia e o fatalismo, dois estigmas desde sempre presentes em nossa cultura ibérica. Não existem determinismos, JK parecia dizer. Não desanimem! Tudo é possível aos homens que creem… Continue Lendo..
Arquivo da categoria ‘Liberalismo’
Quem está certo?
A lei e a ordem
Meu filho do meio se formou em Direito no ano passado. Ele gosta de discutir comigo desde criança. Hoje em dia, eu debato com ele também por uma razão funcional. Para que venha a se tornar um bom advogado ele tem de dominar a arte de argumentar. E faço questão de levantar temas polêmicos. Assim ele já vai treinando e eu também. Continue Lendo..
Mensagem aos meus filhos
Tenho escrito diversas cartas aos meus filhos, aqui, no Estadão, há pelo menos duas décadas. Relendo algumas delas, percebo que cobri toda a infância e juventude deles. Esta é a primeira que eu lhes endereço quando, apesar de solteiros, já são adultos. O Joãozinho está com quase 27 anos, o Rick tem 25 e a Anna Maria, 24. Estou completando 34 anos de experiência política. Comecei em 1977, quando ingressei na faculdade e no movimento estudantil me foi apresentado o fascinante mundo das ideologias. Continue Lendo..
O câncer da corrupção
A corrupção incomoda, e muito. Segundo pesquisa da consultoria Pricewaterhouse, divulgada pela Folha de S. Paulo, a corrupção é considerada um enorme desafio para nada menos do que 79% dos empresários brasileiros. O levantamento, feito com empresários do mundo inteiro, revela que, no Brasil e na Rússia, as práticas corruptas são as maiores preocupações dos empresários locais. Continue Lendo..
Lula e Geisel, iguais?!
Meu caro Lula, agora que seus oito anos de governo estão chegando ao fim já dá para fazer um balanço realista do que foi obtido de concreto nesse período. Não há risco de que seus acólitos argumentem que tudo o que digo a seguir tenha finalidades inconfessáveis ou de fundo eleitoreiro. Você já logrou consagrar nas urnas a sua sucessora e nada mais pode mudar isso… Vamos, então, falar com franqueza. Continue Lendo..
O que realmente importa
O Banco da Suécia, em 1991, outorgou o Prêmio Nobel de Economia ao inglês Ronald Coase. Dois anos depois o laureado foi o norte americano Douglass North. Estava consagrada, assim, a Nova Teoria Institucional, um método revolucionário de análise, que, além da matemática, unia a História, a sociologia, a psicologia e outras ciências humanas ao estudo da economia. Esta Teoria, hoje em dia, está consolidada e a maior parte da elite acadêmica do mundo civilizado a adota. Ela atribui o sucesso das economias das nações à qualidade de suas Instituições. Onde as Instituições nacionais são apropriadas, o capitalismo se desenvolve, os indivíduos despertam o gigantesco potencial que têm dentro de si e o país, com um todo, enriquece. Onde não são, o resultado inevitável é a pobreza, a falta de iniciativa e a estagnação econômica. Continue Lendo..
O espetáculo do crescimento
O espetáculo do crescimento David Landes e Peter Jay, ambos súditos da rainha Elisabeth, são os autores de dois dos melhores livros que li, nos últimos anos, sobre economia. A ciência econômica é uma matéria para lá de chata. Principalmente quando é escrita por economistas. Em todos os tempos, as obras mais significativas, nesse campo, foram redigidas por especialistas de outras áreas. Adam Smith, por exemplo, tido como o “pai da economia”, era um professor de filosofia moral. Marx, por sua vez, dedicou-se a estudar História. A economia, enquanto ciência isolada, não faz grande sentido. A não ser para os próprios professores de economia. Já no caso de Landes e Jay, eu não só os leio com os recomendo. Continue Lendo..
Gestão Pública é coisa séria
Em 1881, os EUA provavelmente já eram a Nação mais rica do planeta. A Guerra Civil já se encerrara havia mais de década e meia o país conhecera um ciclo de desenvolvimento nunca antes visto na História universal. O modelo democrático americano era cantado em prosa e verso. Ele se aperfeiçoava com seus próprios erros, vangloriavam-se os sobrinhos de Tio Sam, e não havia impasse que não pudesse ser superado por seus mecanismos de freios e contrapesos. Eis que, naquele ano o sistema americano enfrentou um de seus mais sérios desafios. A nação assistiu, perplexa, ai assassinato de seu recém-empossado presidente. James Abram Garfield foi baleado numa estação de trens em Washington, em 2 de julho, e veio a falecer dois meses depois, cercado de grande comoção nacional. O motivo do crime era ainda mais estarrecedor: emprego público. O algoz de Garfield era um correligionário dele, inconformado por não ter sido aproveitado na nova administração. Continue Lendo..
O pagador de promissórias
“Existem 3 formas de perder dinheiro na vida: a mais rápida é o jogo; a mais agradável são as mulheres; a mais segura é a agricultura.” ( anônimo). Esta peça, o teatrólogo Dias Gomes, com seu inegável talento, prudentemente, esqueceu-se de escrever. É mais cômodo e agradável cortejar as patrulhas ideológicas através de enredos patéticos, nos quais o drama dos deserdados da terra é pintado, a cada cena, com um expressionismo de fazer inveja a Portinari. Enquanto todos choram a sina do “José do Burro”, um “sem terra” que vai à igreja pagar sua promessa, ninguém se comove com a via crucis do burro do José, um “com terra” abnegado que, todos os dias, vai ao banco pagar suas promissórias. No entanto o destino dos dois está intimamente ligado. Continue Lendo..
O atalho é um caminho mais longo
“ Tudo Pelo Social é impossível. Alguma coisa terá que ir pelo elevador de serviço” O resgate da dívida social do Brasil é urgente e imprescindível. Esse Pais que sempre soube vencer seus desafios agora tem pela frente um enigma para o qual quatro gerações de ideólogos, do vermelho sangue ao verde oliva, não encontraram resposta satisfatória. Com 2.200 dólares de renda per capita muitos dos problemas sociais que nos afligem já deveriam ter sido resolvidos. Países com renda equivalente possuem índices de escolaridade, saúde pública e nutrição muito superiores aos nossos. Na década de 50 ainda era Possível ironizar as utopias distributivistas da onírica esquerda brasileira. Afinal, o único especialista em distribuir pães sem antes tê-los produzido já falecera há dois mil anos e, depois dele, a multiplicação de pães só vem podendo ser feita através da prévia multiplicação das padarias. O incremento da produção, durante três décadas, foi uma bandeira quase que unânime da sociedade. Hoje, infelizmente, para contentar a todos necessário erguer mais alguns mastros. Continue Lendo..



