Arquivo da categoria ‘Crise Internacional’

Ninguém é louco

Publicado por João Mellão Neto Em 09 Oct 2009

manuel-zelayaQuando a crise começou em Honduras, ninguém se recordava sequer do nome de sua capital. Hoje, apesar de impronunciável, ela se tornou famosa. É Tegucigalpa. O que existe para se ver em Honduras? Que eu saiba, nada. Algumas plantações de bananas, um ou outro coqueiro, e só. Seus vizinhos, por motivos diversos, são mais conhecidos. A Nicarágua, porque esteve durante anos sob o jugo da Frente Sandinista de Libertação Nacional, um grupo de esquerda mais radical do que a família Castro de Cuba. El Salvador, outro país das imediações, destacou-se por razões semelhantes: é de lá a também radical Frente Farabundo Martí de Liberación Nacional. A Costa Rica, por sua vez, embora menos afamada, é uma nação que goza de excelente reputação internacional. A democracia, por lá, vem-se sustentando há várias décadas, o país é turisticamente atraente e sua economia é a mais desenvolvida da região. De Honduras ninguém sabia nada até recentemente. Agora a situação mudou. Houve por lá um golpe de Estado. E este não se teria mantido no noticiário se o Brasil – que se orgulha atualmente de ser uma das maiores potências econômicas do mundo – não se tivesse, desastradamente, envolvido na história. Nossa diplomacia, na era Lula, não é lá nenhum César Cielo. Mas também não precisava mergulhar de cabeça nessa piscina. Até porque ela estava vazia. Continue Lendo..

PARA ENTENDER A CRISE – FINAL

Publicado por João Mellão Neto Em 27 Aug 2009

 Quais são as lições que se pode tirar da crise?
 
1-) Os mercados nem sempre se auto-regulam:
 
Nas décadas recentes acreditava-se que os mercados, deixados por si sós, acabariam sempre por encontrar o equilíbrio. Agora está provado que não é bem assim. Existem euforias e “bolhas” na economia. E estas bolhas não se esvaziam suavemente: ao contrário, elas “estouram”.
Na atual crise, havia uma bolha financeira e também uma bolha imobiliária. E uma ajudava a inflar a outra. Os rendimentos do mercado financeiro bem como a valorização dos imóveis chegaram a níveis inéditos: era a “exuberância irracional”, como já fora definida. Curiosamente, não houve uma única voz que se elevasse para alertar sobre os rumos despropositados que estavam tomando os acontecimentos.
 
O mercado – antes tido como infalível – desta vez errou. E errou com resultados desastrosos. Continue Lendo..

PARA ENTENDER A CRISE – PARTE 3

Publicado por João Mellão Neto Em 27 Aug 2009

O que se pode fazer para minorar a crise?
 
Algo que não havia sido feito durante a grande depressão de 1929 foi injetar grandes volumes de recursos na economia. Isto está sendo feito agora. A idéia é a seguinte: os bancos e demais entidades do sistema financeiro estão repletos de “ativos podres”. Enquanto eles existirem, nada irá funcionar. Continue Lendo..

PARA ENTENDER A CRISE – PARTE 2

Publicado por João Mellão Neto Em 27 Aug 2009

E no resto do mundo?
 
Nos EUA, a economia, em geral, ficou em ruínas. Na Europa – em especial na Inglaterra e na Alemanha – a situação também se tornou desesperadora. As finanças inglesas estavam totalmente vinculadas às norte-americanas e os bancos locais também ficaram insolventes. Os alemães também foram duramente atingidos porque grande parte dos investimentos de sua economia estava locada nos países do Leste europeu – ex-comunistas. Com a insolvência geral provocada pela crise, estes recursos se demonstraram de recebimento duvidoso e implodiram a sua economia.
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PARA ENTENDER A CRISE ECONOMICA – PARTE 1

Publicado por João Mellão Neto Em 27 Aug 2009

Eu me recordo de um comentário que li em algum jornal, há uns 30 anos, sobre qual é a função de um jornalista.
Em uma cidade do interior, um economista proferia uma complicada palestra sobre como deveria ser gerida uma propriedade rural. Silêncio total no recinto. A uma certa altura, o palestrante abriu a palavra para comentários e perguntas da platéia. Após alguns segundos, alguém se atreveu a falar:
Se eu entendi bem a sua prosa, o que o senhor quis dizer é que se a gente gastar mais do que a gente ganha, a gente quebra?
Aplausos gerais. A partir daí todo mundo compreendeu tudo…
É curioso perceber que, 9 meses depois, ainda não saiu, na imprensa, nenhuma explicação sucinta sobre as causas e conseqüências desta crise econômica. Ora, o papel principal da imprensa é justamente este: trocar em miúdos – para que todos possam entender – os problemas do cotidiano. Ninguém se atreveu a fazê-lo, por enquanto. Continue Lendo..