PARA ENTENDER A CRISE – PARTE 3

Publicado por João Mellão Neto Em 27 Aug 2009

O que se pode fazer para minorar a crise?
 
Algo que não havia sido feito durante a grande depressão de 1929 foi injetar grandes volumes de recursos na economia. Isto está sendo feito agora. A idéia é a seguinte: os bancos e demais entidades do sistema financeiro estão repletos de “ativos podres”. Enquanto eles existirem, nada irá funcionar.

Do que se trata?

Ativos são tudo aquilo que os bancos têm a receber em função das operações de crédito que fizeram. Por exemplo: se um banco financiou a venda de um automóvel por 24 parcelas de 1000 dólares, estes recursos – a serem recebidos ao longo do tempo – representam ativos. Se, por acaso, não se acredita que o devedor irá honrar com o compromisso, estes ativos são dados como “podres”. Com a recessão econômica, o desemprego e a inadimplência das hipotecas, a economia dos EUA está atulhada de “ativos podres”.

Ora, se grande parte dos ativos do sistema financeiro é considerada podre, ocorre que as reservas econômicas da grande maioria dos cidadãos estão correndo risco.  Este dinheiro está investido nos bancos e estes estão insolventes.
 
Se o governo “empresta” dinheiro aos bancos e estes, com isso, cuidam de honrar os seus compromissos com os investidores, logra-se, dessa forma, atenuar em muito os efeitos danosos da crise.
 
É correto o governo dos EUA socorrer os bancos?
 
O que se entende aí, é que o socorro não está sendo dado para salvar os bancos e sim as poupanças dos cidadãos. Os bancos, provavelmente, jamais irão pagar essa dívida que estão assumindo com o governo. E o governo, por sua vez, jamais irá cobrá-la.
 
E de onde é que o governo norte-americano está tirando o dinheiro?
 
Na prática, de lugar nenhum… O governo americano – e os dos demais países – para levantar todos estes recursos, estão  emitindo títulos das suas dívidas nacionais. A previsão, por enquanto, é que ao fim do processo, a dívida nacional do EUA vai ser próxima a 90% do seu PIB. O PIB – Produto Interno Bruto – é a soma dos valores de todos os bens e serviços produzidos na economia durante um ano.
 
Essa “dívida” – na prática são todos devendo para todos – ficará para ser paga pelas gerações futuras.
 
Amanhã trataremos das lições que devem ser tiradas dessa crise.

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