PARA ENTENDER A CRISE ECONOMICA – PARTE 1

Publicado por João Mellão Neto Em 27 Aug 2009

Eu me recordo de um comentário que li em algum jornal, há uns 30 anos, sobre qual é a função de um jornalista.
Em uma cidade do interior, um economista proferia uma complicada palestra sobre como deveria ser gerida uma propriedade rural. Silêncio total no recinto. A uma certa altura, o palestrante abriu a palavra para comentários e perguntas da platéia. Após alguns segundos, alguém se atreveu a falar:
Se eu entendi bem a sua prosa, o que o senhor quis dizer é que se a gente gastar mais do que a gente ganha, a gente quebra?
Aplausos gerais. A partir daí todo mundo compreendeu tudo…
É curioso perceber que, 9 meses depois, ainda não saiu, na imprensa, nenhuma explicação sucinta sobre as causas e conseqüências desta crise econômica. Ora, o papel principal da imprensa é justamente este: trocar em miúdos – para que todos possam entender – os problemas do cotidiano. Ninguém se atreveu a fazê-lo, por enquanto.

Eu vou arriscar um comentário:
A crise atingiu o seu pior momento a partir de setembro de 2008, mas já vinha se fazendo sentir desde meados de 2007. O sistema financeiro dos EUA quebrou e levou consigo as finanças da maior parte do mundo desenvolvido, principalmente da Europa.
O que houve?
O valor de mercado dos imóveis, nos Estados Unidos, flutuou, para baixo, cerca de 30% a 40%. Como é de hábito, por lá, financiar os imóveis em longo prazo – poucos se aventuram a pagá-los à vista – as pessoas, de repente, começaram a fazer as contas e descobriram que, com a desvalorização, o que ainda deviam era muito mais do que valiam seus imóveis. A conseqüência imediata é que muita gente deixou de pagar as suas hipotecas. Os bancos, em geral, estavam com os seus ativos totalmente comprometidos com o financiamento imobiliário. Em setembro do ano passado, um dos maiores bancos americanos – o Lehman Brothers – quebrou…
E daí?
Aí ocorreu o “efeito dominó”: todos os outros bancos norte-americanos quebraram no rastro do primeiro. Os cidadãos – que tinham todas as suas economias aplicadas no mercado financeiro – ficaram praticamente sem poupança nenhuma. A primeira providência que tomaram foi parar de consumir bens de maior valor, automóveis entre eles. A quebradeira, após destroçar o sistema financeiro, espalhou-se pelo resto da economia.
Amanhã eu continuo…

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