Você também é um liberal.
VEJA – publicado em novembro de 2003
Eu sou e sempre fui um liberal. De origens que remontam a Locke e Thomas Jefferson, o liberalismo vem nascendo, morrendo, mas sempre ressurgindo na sociedade há mais de 200 anos. Por vezes ele sucumbe às tentações totalitárias como o comunismo ou o fascismo. Mas sempre renasce, cada vez mais forte, quando as ilusões e utopias se desvanecem. Por que ele está sempre de volta? Talvez porque seja o único conjunto de idéias que condiz com o espírito e a dignidade do ser humano.
Ser liberal é repudiar a esquerda e a direita. Se imaginarmos o espaço ideológico como um triângulo, teremos em um vértice a esquerda, em outro a direita e no terceiro vértice o liberalismo. A direita é conservadora, imobilista e aferrada aos privilégios. A esquerda, por sua vez, defende um Estado onipresente, que comanda a sociedade e dita as regras da convivência humana. O liberalismo não é de direita, porque não teme a inovação e o progresso e abomina os privilégios e refuta a esquerda porque entende que os direitos dos indivíduos estão acima das imposições do Estado.
Você talvez seja um liberal sem nunca se ter dado conta disso. Transcrevo, a seguir, uma compilação dos ideários liberais, onde procurei resumir todos os princípios que regem a visão de mundo do liberalismo. Se você, leitor, concordar com tudo o que é dito a seguir, é porque você, mesmo sem o saber, é um liberal também. E não há porque envergonhar-se disso.
O CREDO LIBERAL
É apostar no indivíduo; crer na sua capacidade de, por si só, reformar o mundo, melhorando-o, não só para si, mas, também, para seus semelhantes e seus descendentes.
É defender que o mesmo direito de escolha que o homem, enquanto cidadão, consuma pelo voto, não lhe pode ser vedado – enquanto produtor e consumidor – exercê-lo pelo mercado.
É vedar ao Estado o direito de estabelecer monopólios, criar reservas de mercado ou outorgar privilégios a quem quer que seja, sob qual pretexto for.
É proteger a propriedade de cada um da sanha de todos; é proteger a propriedade de todos da sanha de cada um.
É auxiliar os fracos, socorrer os aflitos, mas jamais perder de vista que só se dá uma ajuda efetiva quando os ajudamos a se ajudarem.
É saber que a verdadeira igualdade é, isto sim, a igualdade de oportunidades.
E esta só se dá pelo acesso garantido a todos, sem discriminações, de serviços eficientes de Educação, Saúde, Segurança e Justiça.
É defender que ele seja forte e eficaz, porque concentrado nessas suas básicas funções.
Pois é somente através dessas garantias que o homem se torna um cidadão, preparado e capacitado a desenvolver-se em seus potenciais.
Pois a verdadeira fé não se manifesta apenas pelos joelhos que se dobram, mas principalmente pelo espírito, o qual nunca se deixa dobrar…”.



